As hortênsias, que são consideradas uma imagem de marca dos Açores, não são uma planta endémica e, apesar da sua utilidade na divisão das parcelas de terrenos agrícolas e no embelezamento das estradas regionais, constituem uma autêntica praga que mata as verdadeiras plantas endémicas da região. As hortênsias crescem e alastram, aniquilando qualquer vegetação circundante. Por mais bonitas que sejam, estas plantas não deveriam existir nas paisagens açorianas. Tal como as hortênsias, a Segurança Social, por mais bem intencionada que seja na execução das decisões políticas, cria cada vez mais injustiças, aniquilando a esperança daqueles que mais precisam em tornar-se pessoas realmente donas de si próprias.
Graças à pujança económica da maioria das nações europeias, o combate à pobreza e exclusão social foi feito mediante o preceito católico que consiste em dar esmola ao pobre para atenuar a culpa moral por o país ficar rico de forma desigual. Este princípio encontrou na Segurança Social o modelo ideal de execução. Ao longo dos anos, vemos que a pobreza aumentou e até tomou contornos diversificados atingido classes médias e, por vezes, altas. Se o princípio defende um apoio imediato mas temporário, a realidade mostra um panorama bem diferente: pessoas que acumulam apoios sociais e que não saem da cepa torta. O vício está de tal maneira instalado que algumas famílias acham que, se tiveram direito a uma casa com renda social, é perfeitamente normal que os filhos também auferem o mesmo. Para estes, que não são poucos, a pobreza tornou-se uma estranha forma de vida.
A Segurança Social restringiu a perspectiva de futuro nessas pessoas tornando-as, até certo ponto, desonestas porque, para além de encontrar sempre maneira de enganar os responsáveis da instituição para não cumprir as regras estabelecidas, esses “subsidiodependentes” acumulam apoios de todo o género que faz com seja mais rentável ficar em casa do que procurar trabalho.
Culpar os pobres é demasiado fácil. Culpar a crise pelo aumento da miséria humana é também faccioso. Aliás, os mecanismos que foram criados para diferenciar os pobres na escola, no trabalho e na sociedade em geral, aumentaram os índices de exclusão social. Tal como a aristocracia, a pobreza passa de geração para geração.
As medidas de combate à desigualdade têm sido contraproducentes e ilusórias para os responsáveis políticos que acham que mais apoios à natalidade, mais bairros sociais e mais Rendimento Social de Inserção irão colmatar a diferença entre ricos e pobres. Em breve, quando os responsáveis pelo país se debruçarem seriamente sobre o assunto, será tarde de mais. Por um lado, reduz-se o número de funcionários públicos, por outro, aumenta o número de “subsidiopendentes”. Um Estado que não é sustentável, não tem futuro.
Apesar dos estigmas que alguma Direita tem criado relativamente a certos pobres, existe uma verdade incontornável que é preciso dizer neste preciso momento de crise: é inaceitável que o Estado permita que algumas pessoas com idade e saúde para trabalhar possam ser subsidiadas indefinidamente. Mas para que isto acabe, é preciso mudar toda uma filosofia socialista criada em torno da solidariedade social para o seguinte: Se alguém precisa de ajuda do Estado, deve dar algo em troca à sociedade; Se alguém precisa do Estado, deve ter consciência de que o apoio será temporário. Se alguém quer uma casa, deverá trabalhar para a obter, e não esperar que o Estado a ofereça. Ainda há poucos anos seria impossível fazer propostas destas. Agora, é o momento ideal.
Quando era pequeno, acreditava na existência do Pai Natal. Para muitos adultos, este até existe incarnado na figura da Segurança Social. Para outros com responsabilidade política, o Pai Natal chama-se Estado Social.
Errado! Nenhum dos 2 é licenciado.
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