Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, maio 22, 2011

O futuro de Carlos César




Numa recente entrevista, O Presidente do Governo Regional dos Açores confirmou que o PS pediu uma sondagem para indagar os açorianos sobre os putativos candidatos do partido à sua sucessão. Perante a insistência do jornalista, Carlos César também disse que a escolha sobre a sua recandidatura ou não à presidência do Governo Regional já estava decidida e que só elementos muito próximos do seu círculo político é que conheciam o teor da mesma.


Não deixa de ser lamentável que o futuro de um partido político - e em certa medida dos Açores - dependa de uma pessoa. Mas esta é mais uma prova do quão pernicioso é a permanência prolongada de alguém no poder. A necessidade de criar as limitações de mandato – a melhor reforma política do consulado Sócrates – vai precisamente ao encontro dessa ruptura com os vícios dos políticos portugueses, quer estejam no poder central, regional ou autárquico, em eternizar-se em cargos públicos.


Por isso, não deixa de ser preocupante que Carlos César não abra o jogo de uma vez e diga aquilo que se espera de alguém responsável e sério: “Não vou ser candidato à Presidência do Governo Regional”. Mas por que razão o óbvio não é dito?


O PS Açores está a passar por profunda crise de identidade, ou pelo menos antecipa-a. Tem um legado inigualável. Tem quadros altamente qualificados e com larga experiência política. Tem militantes estrategicamente colocados na administração pública regional e detém a maior parte das câmaras municipais do arquipélago. Assim, é difícil entender a dificuldade de Carlos César em assumir despreocupadamente a sua saída, permitindo uma sucessão airosa e pacífica.


A não ser por uma mera questão paternalista que o poder, infelizmente, proporciona. Pelo lado dos militantes, a saída do Presidente compara-se à perda de alguém da família, daí o receio da incógnita quanto ao futuro. Pelo lado do presidente, deve haver o medo de ver o seu partido não conseguir vingar sem ele e, pior ainda, entrar em convulsão interna por causa da sucessão.


Como se pode observar, os Açores transformam-se num palco onde o problema dos açorianos se torna algo de secundário. Mais uma vez, isto é lamentável e convém ser denunciado porque assim se percebe como o Partido Socialista no seu todo está fora da realidade.


Já o tenho dito, o PS não é dono dos Açores nem de ninguém. O PS não é o único a ter soluções para os problemas da Região. Esse auto-convencimento é fruto de mais de uma década no poder regional, onde se instalaram interesses pessoais e partidários e onde já se notam algumas fracturas internas difíceis de esconder. O PS não ficará órfão se Carlos César sair. Em vez de ter criado um tabu, o líder socialista deveria ter aberto o jogo com bastante antecedência. Mas, provavelmente, tem razões para isso. E qualquer uma delas não augura nada de bom.


Como se pode observar, nem sequer me refiro à questão legal. Com base na lei, este assunto seria rapidamente resolvido. Mas o problema está no facto de estarmos em Portugal e as leis terem sempre diversas interpretações como se de poesia se tratasse. Obviamente que a oposição não perdoará se o actual líder socialista se recandidatar, não só por ser incoerente mas sobretudo por pôr em causa o regime democrático nos Açores. Não tenho problemas em dizer que Alberto João Jardim é uma pedra no sapato não só do PSD, como também do sistema democrático português. A possibilidade de o país ficar com dois caciques torna-se insustentável, acabando por descredibilizar por completo as autonomias.


Carlos César ainda é novo. No entanto, não lhe é reconhecida nenhuma profissão em concreto fora do âmbito político e parece que o seu sentido de empreedendorismo empresarial se fica pelo lado das ideias e das sugestões para os outros. Conclui-se então que precisa da vida política como quem precisa de água para viver. Muito se especula sobre o seu futuro, colocando a hipótese de se tornar Secretário-geral do PS se Sócrates perder as eleições. Esta conjectura parece-me pouco provável. Ser-se açoriano no contexto nacional traz também desvantagens e eu sinto-me à vontade para o dizer, pois sinto o mesmo, mas ao contrário.


Contudo, coloco duas possibilidades. A primeira é a de o PSD vencer as eleições no dia 5 de Junho e, perante o possível problema de coabitação entre o poder central e regional, Carlos César pedir em consequência eleições antecipadas como fez João Jardim. Seria uma forma de reforçar a sua legitimidade política, prolongando-se no poder e assim adiando o mal. É arriscado, mas neste momento nada é fácil. A vantagem é que o povo açoriano está neste momento muito mais refém dos socialistas e por isso receoso quanto ao seu futuro.


A segunda, mais idealista, consiste na ideia de que independentemente de quem ganhar, Carlos César é convidado para liderar a FLAD fazendo jus ao desejo de muitas personalidades dos Açores para que a fundação seja presidida por um açoriano. César é a pessoa ideal para o cargo. Deste modo, não deixaria de fazer política, desempenhando uma função ilustre em prol do país. Pode parecer fantasia, mas até o PSD tinha a ganhar com essa solução.


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