Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, setembro 06, 2009

Paraíso Perdido T2C02


Os traidores do costume

O candidato do PS Açores à Assembleia Nacional, Ricardo Rodrigues, tem andado de tal maneira interessado no programa do PSD que quase não se lhe conhece propostas em defesa da região. De todos os modos, não precisa de apresentar nada: basta-lhe fazer o que Carlos César mandar, nomeadamente na altura da votação para o Orçamento de Estado.

O argumento que o deputado usa insistentemente sobre Ferreira Leite não tem ponta por onde se lhe pega, pois nenhum responsável político é contra as autonomias, muito menos contra os Açores. Dizer isso para tentar colher votos não é demagogia; deveria ser considerado crime por difamação. A questão do Estatuto Político-administrativo dos Açores provocou sérias mazelas na relação entre o Presidente da República e o Primeiro-ministro. Se a Constituição Portuguesa foi posta em causa por causa de certas alíneas constantes do referido estatuto, é bom que isso não tenha passado em branco. Também não compreendo que, passado menos de um ano após aprovação do mesmo, os políticos venham pedir ainda mais autonomia.

Para os políticos de curta memória ou para aqueles que acusam a Direita de menosprezar os Açores, nunca será de mais relembrar o que Jorge Sampaio disse em Ponta Delgada, no final do seu mandado presidencial. O ex-presidente bem alertou que seria difícil fazer uma nova revisão constitucional: "sem provocar rupturas incompatíveis com a natureza de um Estado unitário com as Regiões Autónomas".

Mas as críticas de Ricardo Rodrigues não acabam aqui. Compreendo que tenha receio que os Açores percam dinheiro com a lei das Finanças Locais. Aliás, corrigindo a frase anterior: compreendo que tenha receio que São Miguel perca dinheiro. Se no continente o governo tem sido acusado de centralismo, aqui também parece que a moda pegou. Bem gostava de saber quem constitui o Conselho de Ilha em São Miguel…





Verdade ou Propaganda?

De facto, não é só o centralismo que pegou de moda nos Açores. A propaganda, tão bem explorada pelos ditadores modernos, também parece ter bem pegado por estes cerrados.

Ver aquele cartaz com o projecto do futuro Hospital da Terceira em 3D à entrada de Angra, que na realidade só abrirá daqui 2 anos (se não houver atrasos), na mesma altura das eleições autárquicas é puro exercício de, podia dizer demagogia, mas prefiro escrever excrescência.

Contudo, compreendo que o governo tenha essa tentação: se alguns terceirenses precisam que lhe expliquem como circular numa rotunda ou numa via rápida, é normal que também caiam nessa impostura propagandística.



Votar no mal menor

A poucas semanas das eleições legislativas, não restam dúvidas de que se o PSD tivesse outro líder, as eleições já estariam ganhas para este partido. Noutras circunstâncias, a Direita já poderia cantar vitória. Isto porque o desgaste político do PS e de José Sócrates é enorme. Isto porque a Extrema-esquerda consegue índices de popularidade nunca vistos noutros países da Europa, isto porque, apesar de ter tido condições ímpares para fazer reformas estruturantes para o país, o governo somente conseguiu despoletar crispação social, asfixia democrática e desconfiança política.

Com base neste contexto, a Direita só não consegue impor-se porque de facto as suas figuras principais não convencem os portugueses. Esta é uma verdade inquestionável. O passado recente de Paulo Portas e Manuela Ferreira Leite provoca desconfiança nos eleitores. Mesmo se a questão ideológica e a exploração política das diferenças de valores entre Direita e Esquerda ajudam as pessoas a formar uma opção de escolha, a dúvida sobre qual a melhor candidatura continua, mesmo assim, a pairar na mente de cada um de nós.

Muitos defendem que é melhor José Sócrates manter-se no poder quando comparado com a alternativa existente. Mas muitos outros defendem que o líder do PS não deve continuar a governar. Se, neste caso, existem partidos para todos os gostos, o voto de protesto não será, todavia, suficiente para impedir o PS de constituir governo. Por causa de todas estas interrogações, perspectiva-se uma participação forte dos eleitores nas urnas.

Há cinco anos atrás, O PS ganhou com maioria absoluta sobretudo pelo facto de as pessoas repudiarem as candidaturas da Direita de então, mas também graças à promessa dos 150 mil empregos. Desta vez, os eleitores escolherão o partido que consideram o mal menor para as suas vidas. A palavra esperança não fará parte do léxico português durante uns bons tempos.

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