Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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sábado, maio 15, 2010

Paraíso Perdido T2C28


Anarquia governamental

Sete meses após ter sido eleito, este governo morreu.


Só não foi enterrado porque os seus intervenientes precisam de ver o que é o inferno ainda em terra. A anarquia governamental instalou-se. Temos governo; não temos governantes. E toda esta miséria que aí vem para o povo não é por culpa da crise internacional, da banca, das agências de rating ou das cinzas do vulcão: a desgraça que fará recuar o nosso país, tornando-o ainda mais pobre do que já o é, tem como único culpado o governo socialista. Por mais que queiram “atirar areia para os olhos” esta é a verdade nua e crua.




Andámos todos estes anos hipotecando o nosso futuro. Os portugueses, confiantes na palavra de José Sócrates, acreditaram que ele podia resolver os seus problemas. Entre um discurso miserabilista de Ferreira Leite e um optimismo exacerbado de Sócrates, a escolha acabou por se tornar facilitada. Afinal, os portugueses são aqueles que mais jogam no Euromilhões, o que significa que todas as semanas, às sextas-feiras, o coração dos portugueses se enche de esperança, com o pensamento: “Talvez, seja desta”. Não foi. O país está moribundo. Por isso, vale a pena pensar no que virá a seguir.


Este governo não durará quatro anos. Aguentará as eleições presidenciais, que reconfirmarão Cavaco Silva para um segundo mandato e, logo de seguida, este governo cairá. Único detalhe: convém que seja o Presidente da República a convocar eleições antecipadas. O PS entrará na sua maior crise de sempre e o PSD não conseguirá sozinho governar com eficácia, por isso a coligação com o CDS, efectiva ou pontual, será decisiva.



A Esquerda do PS pensa que pode aumentar o seu número de simpatizantes, e em consequência de votantes, por causa da crise e do desgoverno socialista, mas esta perspectiva parece-me errada. Com esta crise, acabou-se um mito: o mito do socialismo.


O capitalismo está a corrigir os seus excessos e as pessoas perceberam que não é possível aguentar por muito tempo um Estado demasiado assistencialista. Não foi só este governo que morreu, morreu também uma ideologia.



O fundamentalismo português

Tenho cada vez mais dificuldades em viver em Portugal. Não se trata de problemas pessoais ou profissionais (por enquanto), mas antes problemas ideológicos.


Para além da anarquia governamental que se instaurou no país, há uma nova onda contestatária que se insurge contra aquilo que considera ser o direito sagrado ao seu bom nome. Esta semana foi exemplificativa do que vai na mente cada vez mais perturbada dos portugueses. E quando digo portugueses, refiro-me não só aos continentais como também aos insulares.

Do continente, temos a classe dos professores que se indignou por causa de um livro de anedotas. Dos Açores, temos um conjunto de anónimos que se irritaram por causa de um programa de televisão de que ninguém tinha ouvido falar. Da Madeira, a situação mais grave, temos um presidente do governo regional que pratica “bullying” ao director de um jornal de referência madeirense ao ponto de este se demitir.



Os três exemplos mostram o quanto a liberdade de expressão anda mal por este país. Porque a liberdade de expressão não é só poder dizer mal do Primeiro-ministro ou de outro político “intocável”. A liberdade de expressão não é só andar por aí a dizer que George W Bush é um criminoso e Tony Blair o seu cão de serviço. Isto, mais do que o uso de liberdade de expressão, é o abuso que a liberdade nos dá para poder dizer as bacoradas que nos vêm à cabeça pelo facto de sabermos que não terá consequências. Na verdade, a liberdade de expressão também pode servir para incomodar os anónimos e pacatos cidadãos.


Os três casos mostram que os fundamentalistas também existem neste rectângulo que se vangloria por ter sido o primeiro país a abolir a escravatura. Concluo com esta máxima do filósofo francês Voltaire que resume o quanto a liberdade é por vezes tão difícil de aceitar, mas da qual nunca deveremos abdicar: Não concordo com aquilo que diz, mas defenderei até à morte o seu direito de o dizer".

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