Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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quarta-feira, janeiro 20, 2010

Açores, que futuro?

Por causa da indignação que a última parte da minha entrevista ao DI de 14/01 despoletou, sinto-me obrigado, por uma questão de respeito, a dar esclarecimentos. A entrevista que concedi ao jornal foi enquanto presidente do Grupo Amigos da Terceira (GAT). Assim sendo, não posso pôr em causa a idoneidade deste grupo que existe há mais de meio século, nem criar a falsa ideia de que o GAT não vê mais nada senão a Terceira. Nunca foi minha intenção ofender alguém, mas se isolarem a última pergunta do resto da entrevista, desprovendo-a do seu contexto, compreendo que esta seja tomada como ofensa.


Antes de mais, para ser claro, nunca afirmei que o Corvo devia deixar de ser habitado. É óbvio que não tenho nenhuma autoridade, seja ela qual for, para tecer tal sentença. A verdadeira questão que se pôs tem que ver com algo mais profundo e por isso mais difícil de analisar sem deixar que os sentimentos emerjam à flor da pele.


Muitos açorianos, com responsabilidades políticas ou com papel de relevo na sociedade, têm manifestado a sua preocupação por aquilo que consideram ser a centralização do poder na ilha de São Miguel em detrimento das outras ilhas (o tema da entrevista incidia sobre a concentração da frota da SATA em Ponta Delgada). Nos últimos anos, tem-se visto algumas instituições e alguns organismos a serem “deslocalizados” para a maior ilha do arquipélago. Fará sentido defender esta centralização, como o fazem algumas personalidades açorianas, somente numa perspectiva de contenção de custos e de rentabilidade económica? Se o faz, tal como o tinha dito anteriormente, mais vale centralizar todos os organismos políticos numa só ilha. Então, a partir deste prisma, torna-se igualmente possível questionar a sustentabilidade das ilhas mais pequenas.


Reconheço, no entanto, que é errado pensar assim e defendo que o desenvolvimento dos Açores não pode ser encarado unicamente nessa óptica.


Ao expor este descontentamento, não se trata de desconfiar da boa vontade dos governantes, pretendo antes chamar a atenção para os efeitos colaterais que essas medidas economicistas possam ter no futuro. As ilhas mais pequenas têm sofrido com a desertificação (fenómeno que atinge também o interior do país e os principais centros urbanos). Porém, numa ilha, as consequências são ainda mais dramáticas. Por isso, este assunto é de crucial importância porque nos remete para o futuro dos Açores e a respectiva viabilidade enquanto arquipélago com nove ilhas, todas elas habitadas.


Deste modo, ao lançar aquela pergunta, o objectivo foi o de abanar as consciências para que a discussão se faça, mediante a seguinte questão: qual é o futuro dos Açores? A partir daí, surgem naturalmente outras perguntas como por exemplo: qual deve ser o seu modelo de desenvolvimento? Como impedir a desertificação? Como tornar a região menos dependente do exterior? Para quem governa a região, este debate faz todo o sentido porque obriga a delinear um rumo que abarque as ilhas como um todo, reduzindo as injustiças. Mas outras dúvidas surgem e estas mais controversas. Com que custos (em termos de segurança, mas igualmente em termos económicos) se mantém uma ilha com escassa população? Apostar massivamente numa política energética tornará a região praticamente auto-suficiente, mas a questão da segurança estará sempre presente.


Para mim, viver numa ilha não deve trazer inconvenientes, mas benefícios. As iniciativas do governo em garantir que as condições de vida e de acesso aos mecanismos sociais sejam as mesmas em todas as ilhas são louváveis. Mas será isso o suficiente?

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