Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, junho 19, 2011

O constrangimento do PS Açores





Para que não haja dúvidas a meu respeito: mais do que ser do PSD, sou sobretudo de Direita. Por isso, é com satisfação que encarei a vitória da coligação PSD/CDS nas recentes eleições. Mas essa satisfação é de curta duração porque os próximos anos serão cruciais para o país, pois implicam mudanças profundas e dramáticas para a maior parte dos portugueses.




O desfecho das eleições mostra que as pessoas já se consciencializaram da necessidade de mudança e que dão crédito à Direita para encetar as reformas necessárias. Perante o caminho tortuoso e ilusório que o anterior Governo traçara, a derrota do PS era previsível. O facto de Carlos César e Mário Soares terem reconhecido o óbvio logo a seguir às eleições não só prova isso como desmascara um partido que só sabe viver das aparências e que confunde lealdade com hipocrisia. Essas tiradas ficam-lhes mal, mas já não interessa.




O PS Açores está entalado até ao fim da sua legislatura. Isto porque uma das melhores vitórias concedidas à Direita foi justamente nos Açores. E é importante referir que a alta abstenção obtida na Região tem muito a ver com a apatia política dos açorianos – para o mal dos socialistas.




Por muito que os cadernos eleitorais estejam desactualizados, na verdade, muita gente ficou em casa porque se está a marimbar para a política. E acrescento este dado polémico: a abstenção relaciona-se directamente com o estrato social das pessoas. Quanto mais pobre ou dependente do Estado for a pessoa ou família menos atenção conferem à política. A demissão na participação da vida pública ou a falta de civismo relacionam-se directamente com a pouca instrução das pessoas, outro factor intimamente ligado ao respectivo poder económico.




Quando chegar o dia das eleições para o Governo Regional, haverá menos abstenção, apesar de nas últimas autárquicas esta já ter sido alta - o que rompe com a teoria de que quanto mais local for a eleição maior é a sua participação. Mas mesmo assim, persiste a grande dúvida: o PS pode perder as eleições?




Sim, pode. Porque os próximos anos obrigam a um sacrifício nunca visto e a um retrocesso do estilo de vida para muitos portugueses, sobretudo para aqueles que mais dependem do Estado.




Deste modo, o Governo Regional será triplamente penalizado porque, primeiro, apresentar-se-á ao eleitorado com um desgaste de mais de uma década no poder e por causa do tabu sobre a recandidatura de Carlos César; segundo, porque por mais que se auto-proclame como único defensor dos Açores, as soluções que tem apresentado já não servem; e, terceiro, porque as futuras decisões a tomar acerca dos Açores dependem do Governo da República. Quer seja para os Açores, quer seja para a Madeira, serão os “senhores de Lisboa” que determinarão o rumo dos acontecimentos nas Regiões Autónomas. A polémica sobre o Estatuto dos Açores será considerada uma brincadeira ao pé do que ira advir.




Há outro constrangimento, mais do foro mediático, que a actual mudança de governo proporcionará. Como sabemos, não faltam governantes e figuras destacadas do PS Açores a tecer regularmente os seus comentários políticos nos órgãos de comunicação social açorianos. Se dantes, havia bajulação acerca de Sócrates e crítica constante à oposição, agora o caso muda de figura.




Não estando em causa nunca a liberdade de opinião, como se pode criticar um governo que entrou em funções e que, no seu início, irá basicamente pôr em prática as medidas convencionadas com a Troika, medidas essas subscritas justamente pelo PS? Como poderão os governantes ou autarcas açorianos do PS comentar as futuras decisões dos ministros quando terão pelo contrário que redobrar as atenções para as funções que desempenham? (Eu sei, alguns socialistas são conhecidos pela sua desfaçatez). O argumento de que a oposição só sabe criticar deixa de fazer sentido.




É preciso dizê-lo de forma clara: mais do que estar em causa a defesa dos Açores (nunca vi mais demagógico), estará em causa a sobrevivência de Portugal.




Entretanto, dir-me-ão, irei saber o que é outro lado e como é difícil defender um governo contra as críticas. O único problema é que não eu jurei lealdade a ninguém e, a ter algumas ambições políticas, nunca as irei colocar à frente das minhas ideias e daquilo em que acredito.


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