Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, março 13, 2011

A incoerência de Berto Messias



Costumo escrever sobre presidentes, sejam eles do Governo ou das Câmaras. Porém, desta vez, baixo a fasquia e escrevo sobre o deputado Berto Messias que é também líder da bancada parlamentar do PS e líder da JS Regional. E, por incrível que pareça, Berto Messias pertence à Geração à Rasca, ou melhor, politicamente à rasca.


O deputado escolheu o dia da extraordinária manif para anunciar aos seus camaradas que vai propor em sede de Assembleia uma iniciativa que obriga o Governo Regional a garantir emprego ou uma alternativa formativa para qualquer jovem desempregado da região no prazo de 50 dias. Também defendeu um sistema de incentivo às empresas açorianas que contratem jovens abaixo dos 35 anos. De facto, com estas medidas, denota-se uma certa preocupação com as reivindicações da juventude. Contudo, a solução apresentada é errada, perniciosa e democraticamente perigosa.


A actual crise que o país e até o Ocidente atravessam obriga a um debate ideológico sobre o Estado social, isto é sobre a presença do Estado nos diversos sectores da sociedade. Como se tem visto, os socialistas têm recusado fazer esse debate agarrando-se ao seu conceito utópico de um estado social paternalista e omnipresente. A realidade tem comprovado o contrário, mas mesmo assim continuam na sua. José Sócrates será recordado como a figura central dessa refutação obsessiva da realidade e quase patológica.


A proposta do deputado socialista açoriano continua na linha politicamente trágica que defende a obrigação do Estado em resolver todos os problemas da sociedade. O Estado não tem que garantir nenhum emprego a ninguém. Este é o busílis da questão. O Estado deve facilitar a criação de empresas (inclusive empresas de formação) e a iniciativa individual; deve garantir a defesa dos trabalhadores contra uma possível exploração por parte de empregadores; deve facilitar a mobilidade laboral e deve criar estabilidade nas regras estabelecidas para os pensionistas. Quanto ao resto, tudo é discutível. Esta, admito, é uma visão ideológica que se coaduna mais com a perspectiva liberal, mas a realidade tem-nos mostrado como o socialismo não consegue resolver os problemas dos cidadãos, e mais: quanto mais tenta intrometer-se mais se torna parte do problema.


Caro Berto, considero que as suas propostas são erradas e vão de encontro com aquilo que defendeu há tempos atrás, ao lado do filho de Carlos César, acerca do empreendedorismo jovem. Por isso, digo que está a ser incoerente e que o que propõe não responde àquilo que os jovens verdadeiramente precisam. Há muita coisa com a qual não me revejo na manif – como os cartazes “quero comprar uma casa”, “um emprego para a vida”, etc. -, mas consigo separar as águas e ter a percepção de que o Estado deixou de ser a solução para o problema da precariedade que, como vimos, vai para lá dos jovens.


Os jovens não precisaram do Estado para perceberem que, numa situação de desemprego prolongado, era preciso estudar mais ou que mais valia ter um trabalho precário do que não ter nenhum. Outros deixaram simplesmente de contar com o país para coisa alguma e rumaram para o estrangeiro. Esta é a situação que foi sendo criada ao longo dos anos. Este é o resultado. Não se trata de baixar os braços; é preciso reconhecer que perdemos (por uns tempos).


Poderei posteriormente discutir que tipo de remendos (nem me atrevo a falar em soluções perante tão grave problema) se pode fazer para diminuir este flagelo social, mas antes é preciso debater que tipo de Estado poderá corresponder a esta nova “ordem democrática”.


Pergunto-lhe, Berto, faz sentido o tipo de sistema político-partidário que compõe a nossa Assembleia Nacional? Faz sentido um Presidente da República formatado pela actual Constituição? Faz sentido que a nossa justiça seja tão morosa? Numa questão mais local, faz sentido que a maior parte das soluções que o Governo Regional apresenta seja à base do subsídio?


Continuo na minha: acredito piamente que a crise abre o caminho para um verdadeiro debate ideológico sobre como a sociedade se deve reger. Tenho pena que até o PSD Açores não o faça.

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