Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, março 06, 2011

A razão de a minha geração querer mandar-vos à merda

Afinal, é disto que se trata. Para muitos, a Democracia civilizou-nos. Mas na verdade, a Democracia amansou-nos.

A contestação das pessoas organizou-se, institucionalizou-se e hierarquizou-se sob a batuta dos sindicatos. O poder político tratou de acarinhar com palmadinhas nas costas a sátira social que tinha por objectivo chamar a atenção contra os males da sociedade. A comunicação social acolheu as várias perspectivas políticas e ideológicas como se de uma partida de futebol se tratasse. Entretanto, todos se foram esquecendo que por trás da opinião pública crescia uma geração esclarecida que mais tarde iria tomar conta do país.

E esse momento chegou.

Há um desalento que paira nesta geração que se vai transformando em revolta. Esta geração, que também cresceu ouvindo Jim Morrison mandar o seu pai para outro lado, agarra-se agora à família porque precisa dela e porque o seu pai adoptivo - “o Estado” - desapareceu no momento crucial da sua vida, depois de lhe ter prometido um futuro risonho.

É interessante como neste momento de profunda crise financeira seja possível identificar os seus culpados (os mercados, os capitalistas, etc.), mas ao mesmo tempo seja impossível (proibido?) nomear culpados para a situação de um país doente que não sabe cuidar nem dos velhos nem dos novos.

Sim, existe liberdade de expressão, mas dizem que não é para reclamar por melhores condições de vida, pois antigamente ia-se para a guerra e havia ainda mais miséria; sim, os movimentos cívicos são salutares, mas convém que os partidos políticos (nomeadamente os do costume) lhes dêem uma ajudinha; sim, existe uma degradação dos nossos políticos, mas só eles é que podem fazer afirmações dessas; sim, não falta quem dê a sua opinião sobre tudo e mais alguma coisa, mas só vale aquela que é dada pelos comentadores dos “quadros”.

Há quem queira transformar isto num despique entre gerações para determinar quem está pior se os novos, os velhos, os doentes ou os desempregados com mais de 40 anos. Há quem encontre pseudónimos – “geração à rasca”, “geração Internet”, “geração mileurista”, “geração telemóvel” - todas as semanas, querendo transformar esta geração em coisa nenhuma. Há quem diga que as músicas de intervenção já não existem, pois só Zeca Afonso e Sérgio Godinho é que sabem da arte e que os Deolinda – tão aclamados ainda há pouco tempo atrás – não passam de uns “rockeiros” com letras simplórias. Há quem argumente que, se estamos mal, não faltam oportunidades para lá do Mediterrâneo ou dos Pirenéus. E há quem defenda que em vez de nos queixarmos, deveríamos apresentar alternativas.

Pois é, mas num sistema democrático e multi-partidário, quem deveria apresentar alternativas são justamente os partidos da oposição. Vocês querem mesmo que sejamos a alternativa?

Aos poucos, vai-se percebendo por que a manif desta geração incomoda tanta gente.

Todos toleram a irreverência dos mais novos, só que alguns acham que, por existir a televisão e a Internet, não há necessidade de fazer tanto barulho; ou por outras palavras, o que interessa é a mansidão das pessoas. Por isso é que recentemente se descobriu que as praças das cidades não servem só de cenário para cartaz turístico (obrigado, Tunísia e Egipto). Chegou a hora de mostrar que os sacrifícios que o país está a fazer têm um preço: a mudança do sistema que nos governa.

Cara minha geração, actualmente não existe alternativa porque Portugal exige que sejamos nós a alternativa. Na verdade, o mais difícil não é organizar uma manifestação; difícil será o pós-12 de Março de 2011.


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