Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, fevereiro 20, 2011

A Decadência e a Esperança de Portugal



Muito se tem falado da decadência em que se encontra o nosso país. Jovens com estudos que não encontram emprego; idosos que morrem sozinhos em casa sem ninguém dar pela falta deles; ricos que passam à frente de todos nos centros de saúde; e políticos que defendem que o país só se aguenta com mais impostos. A lista dos desaires torna-se quase infindável. Portugal transformou-se no “tudo vale” para quem quer fugir dos sacrifícios provocados pela crise. Pensando bem, muitos daqueles que me rodeiam são totalmente o oposto desta caricatura nefasta do país. Eis a minha história.


Em 1997, a minha avó sofreu um AVC que a paralisou. Perdeu a capacidade da fala e de movimento. O meu avô, já idoso e debilitado, não tinha capacidade para tomar conta dela. Os meus pais eram emigrantes mas, perante o dilema que lhes surgiu ao determinar quem iria cuidar deles, concluíram que a família valia mais do que o resto. Então, regressaram a Portugal.


Mesmo sem perspectivas de emprego, depois de mais de vinte anos integrados num país altamente desenvolvido e com dois filhos ainda dependentes e a estudar, resolveram deixar os seus salários equivalentes aos dos médicos para tomar conta dos pais. Esta parecia uma decisão suicida. Tremi pelo nosso futuro.


Os primeiros anos foram difíceis. Valiam as poupanças que tinham feito no estrangeiro. As pensões dos meus avós eram uma parca mas sempre salutar ajuda. A mentalidade do “patrão” português causava repulsa ao meu pai, por isso decidiu trabalhar por sua conta. Só recorria a ajudantes quando o trabalho assim o obrigasse. Graças à sua dedicação e ao seu profissionalismo o trabalho foi aparecendo. Ele é bom no que faz e isso é que importa no trabalho. A minha mãe tornava-se doméstica e cuidava dos seus pais com o maior dos carinhos e da paciência. Volvido este tempo, bem pode dizer que ao longo da sua vida ela aprendeu a mudar as fraldas não só da sua filha, como da mãe e agora da neta.


O tempo passou; perdi os meus avós. Posso dizer que não foram abandonados e que foram amados até ao fim. Apesar de algumas zangas, alguns descontentamentos, houve felicidade e houve união ente nós. Lamento muito que não tenham conhecido a sua neta. Mas nunca os vou esquecer e ficarão para sempre no meu coração.


Nestes tempos que vivemos e que nos assustam, não acredito que o caso da minha família seja único no país. Muitas famílias mantêm-se unidas perante as adversidades que têm de enfrentar. A família é uma característica intrínseca dos latinos. O apego à família é um valor tipicamente português. Assim, devemos encarar a crise como um desafio que vai transformar a nossa vida, mas que não nos pode deitar abaixo. As pessoas que nos são próximas – família e amigos – são o nosso amparo, a nossa força de vitalidade e de esperança.


Compreendo que muitos jovens estejam fartos de viver em casa dos pais e que anseiem pela sua total dependência. Contudo, acredito que o sacrifício que os seus pais fazem por eles só pode ajudar a renovar o amor e a união familiares que muitos acreditam ter acabado. O nosso país está a mudar. Só quem nos governa ainda o não percebeu devidamente. E acreditem, apesar do que aparenta por aí e do que é apregoado pelos políticos, o Estado não faz tanta falta quanto isso. A força da família e a força da comunidade superam as falhas do Estado. Aliás, em Portugal, o Estado intervém onde não é chamado. A crise vai-nos mostrando isso todos os dias. Quanto mais aparece o Estado, mais os valores e o espírito de solidariedade desaparecem.


Nunca como agora fez tanto sentido discutir o papel do Estado na nossa sociedade e quais as suas verdadeiras obrigações perante os cidadãos. Alguns respondem a isso com insultos do tipo “neo-liberais”. Perante o cenário actual, acredito piamente que a crise abre o caminho para um verdadeiro debate ideológico sobre como a sociedade se deve reger. Eu, por mim, já decidi e concluí que o socialismo não faz parte da minha opção de vida.

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