Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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sábado, janeiro 15, 2011

Sanjoaninas ricas em tempo de crise



Há alguns anos para cá que algumas vozes notáveis da Terceira têm manifestado o seu desalento relativamente às maiores festas da Ilha Terceira. Muitos têm, defendido que o modelo até então seguido se tinha esgotado. Aos poucos, a Câmara de Angra percebeu que tinha de fazer algumas modificações. No ano passado, procedeu a algumas alterações das quais se destaca o acesso pago aos concertos.


A maior fasquia do orçamento de cada Sanjoanina vai para os cachets e despesas com os artistas contratados para os espectáculos musicais. Apesar de habituados às entradas gratuitas, os terceirenses reagiram bem com esta mudança. Contudo, a crise é a palavra de ordem e todos os munícipes portugueses têm procedido a cortes substanciais, nomeadamente nos eventos de cariz cultural. Ao apresentar a conta-gotas o cartaz para as Sanjoaninas 2011, Angra optou por não seguir o recomendado e deu asas a alguma exuberância financeira que não possui.


A Câmara de Angra não foi poupada pela crise. E o pior é que, para além do problema financeiro, existe uma crise política bem patente cujo tom de discórdia entre os partidos vai crescendo perigosamente. A edilidade socialista tem seguido o seu rumo como se detivesse maioria, fazendo lembrar o Governo da República nos meses anteriores à apresentação do Orçamento do Estado. A Presidente da Câmara, Andreia Cardoso, não tem tido a argúcia de liderar um executivo minoritário, dando efectivamente responsabilidades à oposição de modo a partilhar o poder camarário em prol dos terceirenses. A crise política está aí e a própria edil de Angra já não sabe se não será melhor realizar eleições antecipadas.


Estes tempos incertos recomendavam mais cautela e humildade por parte dos políticos. Apesar de ser uma das Presidentes de Câmara mais jovem do país, a actuação política de Andreia Cardoso tem-se pautado pela velha receita populista e antiquada: decisões pouco transparentes, propaganda com os meios públicos e subserviência partidária. A sorte da presidente é a de pertencer ao partido certo. Se não fosse nem sequer teria sido eleita. Ainda bem para o PS Terceira que o Governo Regional tem grandes obras a decorrer no Concelho de Angra. As últimas eleições têm demonstrado que essa estratégia dá bons resultados


Mas voltando às Sanjoaninas. Muitos me consideram maledicente mas apresento aqui as minhas reservas que considero pertinentes. Primeiro, Sei que com os patrocínios e com a cobrança de bilhetes é possível reduzir os gastos e quiçá obter algum lucro. Porém, a crise também incide nas pessoas. Não é líquido que a afluência aos concertos seja maciça justamente por causa desse factor. É um risco. Nos outros lados, age-se com precaução, aqui parece uma fuga para a frente. O dinheiro é dos outros; deve ser essa a razão de tamanho empreendedorismo. Segundo, não se percebe como a divulgação do cartaz musical seja feita a conta-gotas e não de forma total num único momento com os dados quantitativos em termos de despesa. Se fosse uma empresa de espectáculos privada até perceberia do ponto de vista de Marketing. Mas trata-se de uma Câmara cuja verdadeira preocupação deve ser a da gestão rigorosa e transparente dos dinheiros públicos. Mais uma vez, confunde-se iniciativa privada com serviço público. Terceiro, os eventos culturais outrora tão elogiados em Angra têm-se limitado a dois momentos: Angrajazz e Sanjoaninas. O resto do ano é praticamente vazio. É fácil perceber que não existe uma política cultural definida pela câmara. Podem-me dizer: “se queres política cultural vai para a Praia”. Pois é, é o que tenho feito.


Angra anda a marcar passo esperando melhores dias. Percebe-se que se a actual crise política não for resolvida, em Novembro de 2011, por altura da votação do orçamento municipal para 2012, os angrenses serão chamados prematuramente às urnas. Agora, deixar que esta pasmaceira e imbróglio políticos continuem é um autêntico crime.

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