Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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sábado, dezembro 11, 2010

O erro de César


Lamento que mais uma vez os Açores apareçam nas primeiras páginas dos jornais do país pelas más razões. O único consolo é saber que não se trata de uma qualquer catástrofe natural, mas sim uma polémica de carácter político. Por mim, aquilo que parecia ser uma medida bem-intencionada, que se transformou uma polémica de contornos nacionais sem precedentes, poderá ter vaticinado o futuro político de Carlos César. E este futuro parece-me bastante sombrio.


A não ser que se seja do PS Açores, do Governo Regional ou um autonomista cego, dificilmente se poderá concordar com a justeza da decisão de criar uma compensação para um determinado grupo de trabalhadores do Governo Regional. Cá (na Região) e sobretudo lá (no continente) já foram explicadas amplamente as razões de esta decisão fortalecer a sensação de injustiça, de imoralidade perante os outros trabalhadores da Função Pública. E não é preciso ir até Lisboa; basta olhar à nossa volta nas ruas de Angra, de Ponta Delgada ou da Horta para sentir que a injustiça foi criada entre os açorianos.


Mas esta polémica transformou-se numa espécie de questão fracturante, pois ninguém demoverá os socialistas açorianos da sua decisão: quando se quer acreditar que se tem mesmo razão, ninguém consegue demovê-los. Nem José Sócrates.


Agora, há um ponto extremamente sensível que é preciso referir: a redução dos salários foi uma decisão tomada pelo Governo da República e que se pretenda que seja definitiva. Isto é, a redução dos salários não será temporária; sê-lo-á para sempre. Por isso, é bom que o Governo Regional se prepare para adiar sine die a famosa obra no estádio em São Miguel para continuar a subvencionar os funcionários do governo, pois será preciso pôr de lado por muitos anos os tais mais de três milhões de euros.


Sinceramente, sabendo que 60% dos trabalhadores açorianos ganham menos de 600 euros por mês, faz-me muita impressão que se considere os funcionários do governo premiados pertencentes à classe média e que esta medida tenha um carácter de solidariedade. Esta medida traz injustiças e sobretudo aumenta a inveja social. Politicamente, a iniciativa é demasiado perigosa: como querer que haja empreendedorismo, como querer que haja mais liberdade individual, se todos anseiam trabalhar para o governo pois os riscos de perder o emprego ou sofrer com qualquer crise são mínimos? O Governo Regional cresce sem parar até um dia…


Sempre se soube que Carlos César tem tido ambições políticas para os lados do continente. Havia já quem dissesse que seria o legítimo sucessor de José Sócrates enquanto Secretário-Geral. Sempre tive dúvidas disso, pois em Lisboa, a disputa política é mais aguerrida e o facto de os possíveis apoiantes constituírem uma curta lista de notáveis no PS nacional não garantia a conquista pelo lugar. A partir deste erro e pelo facto de não ter voltado atrás e assim não ter respeitado as solicitações das grandes figuras do PS nacional, penso que ele perdeu toda a simpatia que angariara ao longo dos anos. Não, no PS já ninguém o quer, pois arruinou a lealdade que se exige em qualquer partido. Por uma mera questão local, com carácter populista, um político não fez causa do que um camarada decidiu em nome do país que é, provavelmente depois de uma declaração de guerra, a pior coisa que se pode fazer aos cidadãos.


Pergunto-me: estarão mesmo todos os açorianos do lado de César? Por enquanto, sabemos o que os continentais acham das autonomias. E é bem feio.

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