Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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sábado, dezembro 04, 2010

O que é Ensino de Excelência?



Imagine que Portugal participa num campeonato mundial de futebol. Imagine que se escolhe jogadores amadores para a constituição da equipa. Imagine que os mesmos jogadores treinam no Estádio do Benfica com todas as condições técnicas e físicas exigidas. Acha que mesmo assim temos alguma hipótese de vencer? Eu tenho a certeza de que não.


O que se passa actualmente com a Educação em Portugal é muito parecido: os nossos alunos competem com os melhores alunos dos outros países e, apesar de terem todas as condições para vingarem, estão cada vez menos preparados para vencer neste campeonato mundial da Educação. Se dantes se faziam comparações entre os diversos modelos educativos nos países do Ocidente, agora Portugal compete também com os países do leste da Europa e as chamadas nações emergentes que dão cartas nesse domínio. E a má notícia é que estamos a ficar para trás.


"Quem hoje nos ultrapassar em matéria de educação, amanhã vai ultrapassar-nos no terreno da competitividade económica". Esta frase é de Barack Obama referindo-se à situação americana. Mas esta frase assenta que nem uma luva para Portugal. Não há dúvidas de que melhorámos muitos de há trinta anos para cá. Mas, infelizmente, isto é uma corrida contra o relógio. Os nossos progressos em matéria de educação já não se coadunam com os desafios de hoje. Os políticos gostam muito de falar em competitividade nas empresas e no trabalho. Na verdade, a competitividade tem de entrar no léxico das escolas: não deve haver nenhum receio de que o espírito competitivo possa traumatizar os nossos alunos. Os nossos jovens têm de ser competitivos entre si para mais tarde serem competitivos no mercado laboral.


Pedir a um adulto para que seja produtivo e competitivo quando na sua infância tudo lhe foi dado de mão beijada é como pedir a um jogador de uma equipa regional que jogue como o Cristiano Ronaldo. Não, as coisas devem começar de pequeno. Mas o nosso problema ainda é pior: a taxa de reprovação dos alunos ainda é alta, mas grave é a taxa de abandono escolar. Como ensinar a alunos que não querem saber da escola para nada? Como tornar o nosso ensino atractivo sem perder de exigência, pois a competição implica esforço e brilho? Já agora, será o ensino exigente em Portugal?


Receio que não e talvez por isso é que o nosso sistema educativo vai mal.


O processo de democratização do ensino em Portugal partiu do princípio da expectativa baixa. As preocupações com a inclusão social foram feitas em detrimento da real missão das escolas que é o de ensinar e preparar os jovens portugueses para o futuro. Perdeu-se demasiado tempo em experimentalismo pedagógicos, tentado recriar uma escola e destruindo a sua essência: a figura do professor como agente central do processo de aprendizagem. A escola seria encarada como um espelho da sociedade em que a democracia também iria imperar e os alunos seriam postos em pé de igualdade com os professores. Muitos bateram palmas. Quem tinha dinheiro tratou de meter os seus filhos em escolas privadas ou até no estrangeiro: chamem-lhes tolos.


Chegamos até hoje e os resultados estão à vista.


Cada aluno português vale ouro para um país tão pequeno como o nosso. Por isso, um aluno que desista da escola corresponde a uma derrota para o país. As derrotas acumulam-se e usa-se a mesma receita para combater o insucesso escolar, esperando que haja resultados diferentes. A situação tornou-se patética. Os pedagogos assobiam para o ar. Entretanto, uma geração de jovens portugueses terá sido sacrificada em nome de um ideal de escola completamente absurdo.


Nota1: Até que enfim que os Açores abrem os telejornais nacionais sem ser por causa de tragédias naturais. Por más razões, isso continua a ser.


Nota 2: Pelos vistos, as medidas de austeridade é que são uma excepção, porque a regra continua a ser salve-se quem puder.

1 Comentários:

Blogger euexisto disse...

gosto muito deste salve-se quem puder.

3:04 da tarde  

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