Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Um governo manso


O início de 2011 tem sido penoso para o Governo Regional. Com os sindicatos dos professores a apertar o cerco e muitos funcionários públicos a reclamar pelo facto de não terem sido abrangidos pelo complemento salarial, nunca a autoridade de Carlos César foi posta em causa como agora.

Ao criar a compensação salarial para os seus funcionários públicos, o Presidente do Governo Regional percebeu que tinha aberto a caixa de Pandora. Esta excepção criou mais desigualdades e ressentimentos entre os trabalhadores açorianos. Por pressão do camarada autarca João Ponte, o alargamento dessa medida tornou-se inevitável, chegando até a abranger os funcionários das empresas públicas. Entretanto, o sector da educação sofria forte contestação por parte dos professores que se fartaram de uma Secretária inflexível que acabou por se demitir do cargo em ruptura com os socialistas. A mudança de posição por parte da nova Secretária, Cláudia Cardoso, relativamente aos concursos de professores é prova disso mesmo.

Um governo que se mostra titubeante num cenário de crise económica não augura nada de bom. O que vale é que isto se passa nos Açores onde o compadrio e a condescendência para com os socialistas permitem este tipo de incoerências.

Recorrendo certamente ao cinismo, diz o Presidente que o Governo Regional não age em função dos sindicatos. Supostamente, o momento entre a crescente contestação das pessoas e a acção do Governo não passou de uma mera coincidência. Como se pode verificar, os cidadãos tomam os políticos por incompetentes e os políticos tomam os cidadãos por parvos; a Democracia em Portugal não podia estar de melhor saúde. O que vale para nos consolar a alma são as revoltas no Egipto. Mostram-nos como o povo será sempre quem mais ordena. Por cá, perante o aumento do desemprego e a chantagem “não reclames e dá-te feliz por teres um emprego”, o povo já desistiu e simplesmente marimba-se para quem governa. Os políticos agradecem: os seus lugares estão assegurados por mais uns anos. Fingem estar preocupados com a falência do sistema e sugerem mudanças para que as coisas fiquem como estão. No novo Acordo Ortográfico, a palavra político deveria ser sinónima de cínico.

Não defendo que o Governo deva ser cegamente inflexível. Defendo coerência e justeza nas medidas que toma. Isto é, defendo tudo o que não tem acontecido nos últimos tempos. Era bom que Carlos César se perguntasse a si mesmo para que serve colocar independentes no governo se não aguentam o conflito político ou, pior ainda, se nem sequer dão conta do recado. Estes dois anos foram uma perda de tempo. O facto de nomear Cláudia Cardoso, uma pessoa do núcleo duro socialista, mostra o quanto os partidos não conseguem abrir-se para a sociedade. Quanto mais tempo um partido permanece no poder, mais este se fecha sobre si próprio. Não é uma opinião, é a constatação de um facto. A obsessão populista e a pressão dos interesses partidários toldam a visão deste Governo, impedindo-o de administrar os Açores com a genuidade de outrora.

A esta distância e perante tal cenário, o resultado das próximas eleições regionais de 2012 não parece tão óbvio quanto seria suposto.

Nota: Já é possível encontrar combustível mais barato no continente do que nos Açores. Os custos da insularidade estão a tornar-se incomportáveis. Isto merece profunda reflexão.

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