Para quando os debates televisivos?
A RTP Açores e as direções partidárias já devem estar em conversações com vista à transmissão dos debates entre os vários candidatos às eleições regionais de outubro. Estes debates não são decisivos para o desfecho eleitoral, mas fomentam grande interesse, e é uma prova de caráter onde os candidatos enfrentam os seus adversários frente-a-frente, mostrando aos eleitores a forma como reagem perante a pressão e o stresse.
Penso que se deve dar primazia a debates a dois, que são mais esclarecedores, nos quais devem participar os partidos que tiveram representação parlamentar no último mandato (mesmo que a votação do PPM esteja confinada à ilha do Corvo). Os restantes partidos devem ter a oportunidade de apresentar as suas propostas pela televisão num programa próprio, diferenciando-os dos restantes, isto porque é preciso destacar os partidos mediante os resultados eleitorais obtidos.
Obviamente que todas as atenções irão incidir sobre o debate que colocará Berta Cabral e Vasco Cordeiro na mesma mesa, mas não deixará de ser interessante observar a prestação de Artur Lima quer com o candidato do PS, quer com a candidata do PSD. O CDS/PP terá um papel fundamental caso o partido que vença as eleições não obtenha maioria absoluta. Ao contrário do que acontece no continente, uma coligação permanente não interessa para o caso açoriano, sendo o apoio pontual uma alternativa mais correta. Outro candidato a seguir com atenção nos debates será o deputado monárquico, Paulo Estêvão. É-lhe conhecida a frontalidade e a boa capacidade oratória.
Após as eleições
Independentemente de quem ganhar as eleições, o próximo governo será obrigado a apresentar um orçamento retificativo mas só depois de ter procedido a uma auditoria às contas públicas da Região. O atual memorando de entendimento, assinado com o Governo da República, tem condicionantes que prejudicam a autonomia política, o que implica a sua revisão – algo de muito complicado, pois não se pode exigir isso sem dar algo em troca.
É importante notar que o empréstimo da República (135 milhões de euros) é pouco significativo e a duração de pagamento (10 anos) demasiado longa tendo em conta a dívida e compromissos futuros a que os Açores se vincularam nos últimos anos. Haverá outras obrigações que irão vencer nos próximos tempos, o que obriga a perguntar: onde irá o próximo Governo Regional buscar o dinheiro?
O Plano e Orçamento da Região deverá atender a esta situação, aumentando as verbas para o pagamento desses acordos financeiros. É bom que se perceba que a dependência do exterior reduz a autonomia regional. Quanto mais depressa se equilibrar o saldo das dívidas, mais depressa os políticos açorianos recuperarão o destino dos Açores.
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