Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, junho 09, 2013

A greve ainda é uma arma poderosa




          Temos ouvido um pouco por toda a comunicação social que as manifestações e as greves são infrutíferas ou inconsequentes por causa dos compromissos acordados entre Portugal e as instâncias internacionais envolvidas no processo de resgate. Por isso, não surpreende que, de cada vez que os sindicatos anunciam greves para dias cujo impacto afeta a vida dos cidadãos, os responsáveis políticos acusem-nos de fazerem chantagem usando as pessoas. 

            Nunca esteve em causa a necessidade de o país reformar os seus serviços públicos com o intuito patriótico de se tornar mais competitivo, mas sobretudo mais justo e próspero. Contudo, não está provado cientificamente que basta seguir à risca as sugestões de um estudo académico ou de um programa político para ter sucesso. Portugal deixou de ter soberania financeira, mas, que se saiba, nunca deixou de ser um Estado de Direito. Um Estado de Direito estabelece uma relação de força entre o poder - detido pelo Governo ou pelo Parlamento - e o contrapoder - que abrange os tribunais, sindicatos até a sociedade civil. 

            Num momento historicamente dramático para Portugal, seria absolutamente insólito que o contrapoder fosse um elemento passivo face às medidas apresentadas. É óbvio que os sindicatos têm os seus defeitos, nomeadamente quando desprezam a viabilidade da instituição ou empresa em causa. Mas seria injusto e cínico achar que todas as medidas de reforma apresentadas por este ou qualquer outro governo são sempre certeiras, justas e positivas quer para os patrões quer para os empregados. Aliás, isso acontece, mas é nos filmes. 

A crise tem posto à prova o modelo social que foi sendo criado e nunca como agora quem representa os trabalhadores assiste com preocupação a um retrocesso nas relações entre trabalhador e empregador. Há inúmeros casos de pequenas e médias empresas que oprimem os seus funcionários, obrigando-os a exercer tarefas que extrapolem as suas funções, reduzindo os seus salários ou até atrasando os ordenados, sempre com o argumento de que se não fizerem o que o patrão manda, vão para a rua. 

            Por tudo isto, não se pode estar com o discurso dúbio que consiste em defender o direito à greve, mas somente quando não perturba a vida das pessoas. É um contrassenso. Não se pode dizer “concordo com o direito à greve, mas…”. Já vimos isto com a TAP, com a SATA, com os transportes públicos terrestres e agora com os professores. 

A tendência é para certos jornais, ou em causa própria ou então a pedido, iniciarem uma espécie de linchamento público dos trabalhadores, evocando os salários “chorudos”, as regalias e outros detalhes com o único propósito de pôr uns contra os outros. 

Um governo não pode apresentar medidas, dizer que não mudará de rumo e, a seguir, sentar-se à mesa das negociações com os parceiros sociais. É o cúmulo do cinismo, o convite à tirania. Uma democracia madura funciona com uma constante tensão na procura de consensos entre poder e contrapoder. Negociar implica perdas e ganhos. Para ambos os lados.

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