Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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segunda-feira, junho 03, 2013

O perigo do partido único





            No continente, a política tem a seguinte equação: no litoral, adere-se a um partido para arranjar emprego; no interior, adere-se a um partido para não perder o emprego. Os Açores têm o “mérito” de juntar as duas opções. Nos Açores, partido há só um: o PS e mais nenhum. 

Os Açores deixaram de estar imunes à crise. Mesmo com atraso, ela entrou em força e paralisou praticamente toda a economia da Região. O que vale é o número substancial de funcionários públicos que ainda seguram a já tão débil economia Os números do desemprego, encapotados pelo fator emigração e pela falácia dos estágios para jovens, são assustadores; o número de famílias dependentes dos apoios sociais é preocupante; a quantidade de pedidos de alimentos ao Banco Alimentar ou à Cáritas aumenta de dia para dia; o número de empresas ou hotéis a fechar é galopante. Todos nós andamos preocupados, a dormir mal, por causa deste flagelo social.
Acredito piamente que qualquer político açoriano, seja de que partido for, não anda bem com o que se passa. Por questões de apego ao poder, ninguém quis reformar a sério a Região em tempos de vacas gordas. Agora que tudo escasseia, qualquer proposta de reforma para o que quer que seja é recebida com desconfiança e até revolta. 

Reestruturar o sistema regional de saúde, por exemplo, comporta muitos riscos porque a tendência é sempre de centralizar serviços e recursos humanos numa única ilha ou unidade. Chama-se a isso economia (estranho é não constar do documento números concretos sobre as poupanças que tal reforma origina). Mas as teorias de economia não funcionam para um arquipélago. As reações não se fizeram esperar, e ao contrário do que alega o PS, existe um consenso em relação à proposta: ninguém a quer como está presentemente desenhada. Não são só os partidos da oposição; há médicos, empresários, sindicatos, Conselhos de Ilha e personalidades de relevo regional que manifestam a sua preocupação, quando não rejeição, relativamente à proposta. Mas não seria sério da minha parte não referir que o documento também tem propostas interessantes. 

Há tempos, falava nas forças vivas da Terceira, mas pequei por defeito. As forças vivas estão em todas as ilhas, como provam a criação de um movimento cívico no Faial ou a candidatura de um independente em Vila Franca do Campo. Em ambos os casos, há uma clara insatisfação para com os governantes. Os açorianos deixaram de estar passivos perante o que lhes pode acontecer. Ainda bem porque as coisas ainda vão piorar.

O PS tem uma presença esmagadora e sufocante na vida dos açorianos. Nem se pode culpá-lo pelo sucedido, pois o próprio povo assim o quis. No Governo Regional, na Assembleia Regional, nas autarquias, nas juntas de freguesia, nas empresas públicas e municipais o domínio é perigosamente elevado. 

No atual contexto, com o desespero das pessoas, a pressão aumenta consideravelmente e o cartão partidário poderá parecer um mal menor quando, em troca, se coloca a questão do emprego. Ao longo dos anos, o PS foi ganhando soberba. O PS foi alimentando um autoconvencimento de que acerta em tudo no que faz e que a oposição é demagógica ou incompetente. O PS cimentou a ideia nos açorianos de que quando algo vai mal é por culpa dos outros, nunca por responsabilidade própria. E o povo aceita, não por cegueira ou estupidez, mas por medo do futuro. O perigo da Madeira tornou-se uma realidade. 

Com o empobrecimento geral da população, a liberdade definha. Mesmo a liberdade de expressão transforma-se numa virtualidade inconsequente que se limita a um mero efeito “psicoterapêutico”. Se há alguns anos atrás se falava em falta de oxigénio nos Açores, presentemente, pode-se falar em respiração assistida pelo único detentor da máquina, a saber, o PS. Nos Açores, já só há poder. O contrapoder transformou-se numa farsa institucional.

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