Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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quarta-feira, maio 12, 2010

Acerca da proposta do CDS em relaçào à RTP

Escrevi isto em 2003, ainda viviva no Faial. Foi publicado na extinta revista "Açores Mundo".

"A televisão, nos dias de hoje, ocupa um lugar muito importante na vida dos portugueses. Ao fim de um dia de trabalho, as pessoas chegam a casa e fazem “zapping” pelos canais, outras sentem-se avidamente no sofá para seguir o programa – muitas vezes novela – preferido. A noite prossegue com a companhia da “caixa que revolucionou o mundo”. Tornou-se um vício a que ninguém escapa, pois a programação televisiva é elaborada tendo em conta todas as faixas etárias. Saber se o vício é prejudicial é que ninguém o pode afirmar incondicionalmente. Cada um sabe de si. As crianças deitam-se mais tarde, vêem programas, filmes pouco recomendados para as suas idades, porém, não cabe à televisão vigiar as casas dos portugueses, mas sim os pais ou quem as educa.

No caso dos Açores, não há rigorosamente nenhuma diferença de comportamentos. Contudo, a televisão dos portugueses do continente não é a mesma que a televisão dos portugueses dos Açores e da Madeira, pela mesma ocasião. Quando se compra uma televisão nas regiões autónomas, tem-se direito a dois canais: a RTP Açores, ou Madeira, e o primeiro canal da RTP. Nalgumas zonas, existe problemas de recepção no segundo canal citado. Para se ser igual aos portugueses do continente, adere-se à televisão por cabo e assim, obtemos o segundo canal da RTP, que ainda é público, a SIC e a TVI, que são canais em sinal aberto, isto é, gratuitos.

Este discurso, mais que sabido para quem reside numa das regiões autónomas é descabido porque sempre foi assim. Mas para quem vem do continente já não se pode dizer o mesmo: é surpreendente. A isto chama-se português de segunda, o país é o mesmo, os direitos diferem. Há uns anos, atrás, houve uma batalha vencida pelas regiões que incidiu sobre a uniformização dos preços da imprensa nacional. Solicita-se agora uma nova batalha e não existe argumentos que possam altercar sobre o direito a aceder aos mesmos canais do continente de forma gratuita.

A RTP Açores tem tido um percurso de sucesso, evoluindo para uma autonomia de programação que orgulha os açorianos interessados naquele canal. Com a vinda de outros canais, nunca a estação estará posta em causa. Os seus profissionais, cada vez mais conhecedores da arte de fazer e produzir televisão, só devem ficar mais motivados pela diferença e originalidade que possui a RTP A.

Considero que no continente, a televisão por cabo deveria integrar no seu leque de canais a RTP A e a RTP M para todas os açorianos e madeirenses que se encontram fora da sua região.

Todavia, na actualidade, a discussão é outra. Na remodelação da televisão pública que decorre, considera-se, a saber, os protagonistas desta reforma, que os canais regionais devem pertencer totalmente aos governos regionais. O Governo Regional dos Açores está reticente: mais despesas e o problema de gestão de algo tão poderoso quanto complicado faz torcer o nariz do Presidente do Governo Regional. Mas isto pode constituir um novo desafio para a região. A sociedade civil pode empenhar-se para utilizar este meio supremo de comunicação para divulgações nos âmbitos da cultura, da ciência, do lazer, etc.. O potencial dos Açores é enorme. Grandes personalidades açorianas destacaram-se a nível nacional em diversas áreas; porque não agora na televisão?

Das falas esperançadas à prática vai um longo caminho. A posição do Governo Central ainda é dúbia, não sabendo exactamente o que pretende. O Governo Regional aguarda, não tomando desde logo uma iniciativa que esclarecesse a opinião pública açoriana. Passar de RTP Açores para, por exemplo, Canal Açores seria, de facto, um sinal crescente no caminho para uma maior autonomia da região. Porque não criar um grupo de trabalho que analisasse os prós e os contra desta proposta do Governo Central?"

2003

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