Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, março 27, 2011

A educação pode não ser a solução


Com o agudizar da crise, muitos agentes políticos e personalidades portuguesas têm defendido que os jovens devem apostar na sua educação de forma a garantir o seu futuro.


Ao mesmo tempo, esses jovens vêem desfilar na televisão uma grande manifestação organizada por outros jovens adultos e maioritariamente licenciados que protestam por não ter um emprego adequado à sua formação. A geração mais nova interroga-se: “Afinal, em que ficamos? Se estudar não tenho emprego, se não estudar não tenho emprego na mesma!”


Este é o real dilema com que as sociedades modernas se têm deparado neste princípio de século. É verdade que esta questão ainda não foi debatida convenientemente pela sociedade, mas perante o inesperado aumento do desemprego e da precariedade laboral nas camadas mais jovens e qualificadas, alguns economistas e académicos têm-se debruçado sobre o assunto para perceber até que ponto o aumento da qualificação facilita a ascensão social.


Na verdade, ao promover e facilitar o acesso ao ensino, criou-se uma expectativa de progresso social que tem sido gorada à medida que milhares de estudantes se têm formado nas universidades portuguesas e europeias. A razão deve-se especificamente a dois factores: por um lado, o tipo de escolha que os estudantes planearam relativamente aos estudos. Por outro, a aposta por parte das instituições de ensino superior em cursos que divergiam das necessidades do país em termos económicos, técnicos e científicos. Assim, as áreas das Letras e das Humanidades foram as que predominaram no leque de ofertas. Com o tempo, percebeu-se que se o saber não ocupa espaço ele não é também sinónimo de emprego garantido.



Há vozes que defendem que quem tem um curso superior fica menos tempo no desemprego do que aquele que possui o 9º ano. Em termos de estatística pode ser verdade, no entanto, o problema não pode ser visto na óptica cruel dos números, mas sim na perspectiva humana porque afinal é disto que se trata. Neste caso, o problema tem que ver com a expectativa criada pela pessoa que estudou mais anos e que no final vê-se obrigada a aceitar um emprego precário e que exige poucas habilitações. Mais: esse jovem recém-formado aceita esse emprego pelo facto de não ser capaz de realizar outro tipo de tarefas por falta de competências.


Deste modo, conclui-se que estudar muito foi uma opção errada.


Mas o pior ainda está para vir, pois o mundo, no entretanto, tornou-se plano. Graças à globalização, os países emergentes não estão só a atrair as empresas que requerem empregos poucos qualificados, elas já atraem também empresas de tecnologias modernas justamente porque oferecem mão-de-obra altamente especializada. Voltamos então à dúvida inicial: qual o melhor? Ter ou não ter muitos estudos para obter sucesso profissional?


A actual aposta no ensino profissional parece ser a acertada, porque os cursos que oferece baseiam-se em tarefas não rotineiras e impossíveis deslocalização. De facto, os trabalhos de cariz manual voltam a ser valorizados, pois permitem aumentar os níveis de produção interna e consequentemente as exportações.



O problema é que muitos países já aderiram a esta nova filosofia educativa e multiplicam-se os contactos entre empresas e governos por forma a proporcionar mais formações e estágios profissionais. Deste modo, o futuro do ensino passa por uma maior especialização no ramo profissional e por uma maior aposta no domínio das competências ligadas às tarefas diárias do indivíduo. Sim, em breve, as escolas terão de ensinar não só história como também a cozinhar.



O empreendedorismo não nasce por Decreto-lei, mas graças à diversidade de competências que cada pessoa adquiriu no seu percurso escolar. Infelizmente, as universidades ainda não o perceberam porque continuam a oferecer pós-graduações e mestrados com nomes pomposos mas de fraca utilidade prática.


Ao inscrevermo-nos em massa nas universidades caímos todos nesse engodo. Multiplicam-se as pessoas com várias licenciaturas e mestrados, multiplica-se a inutilidade e a frustração.

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