Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, abril 22, 2012

As Primárias do PS Açores



            No PS, o incómodo aumenta à medida que o PSD vai explorando ao facto de o candidato Vasco Cordeiro ter sido nomeado à porta fechada por um conjunto de ilustres do partido, ao invés de ter sido dado voz aos militantes. Entre o tabu de Carlos César, prolongado por demasiado tempo, e a solução encontrada para empossar o candidato às próximas eleições, o PS Açores tem revelado falta de visão estratégica, o que irá certamente penalizá-lo em Outubro.

            Tudo podia ter sido diferente. E para melhor. Mas Carlos César optou por alimentar o tabu sobre a sua provável recandidatura ao ponto de ter fragilizado qualquer candidato à sua sucessão. Depois, a reunião que nomeou Vasco Cordeiro. As bases do PS não foram ouvidas. O Presidente – do PS e do Governo – imiscuiu-se no futuro do seu partido, impôs a sua vontade, impedindo o que já muitos partidos socialistas fizeram e fazem na Europa: Eleições Primárias.

            Erro básico de perceção política. Erro fatal. 

            Basta imaginar a força que teria a atual candidatura se tivesse sido sufragada por todos os militantes socialistas. Basta imaginar a possibilidade de notáveis como Sérgio Ávila, José Contente e, claro, Vasco Cordeiro terem concorrido democraticamente para a liderança do partido, cada um apresentando as suas ideias para o desenvolvimento da Região, abrindo o debate para a sociedade açoriana. Como os partidos da oposição - nomeadamente o PSD - ficariam ofuscados pela transparência do PS. Partido que sempre se vangloriou de ser democrático e pluralista.

Mas não. A soberba do poder imperou e os erros vão-se sucedendo. De repente, em véspera do Congresso do PSD, Vasco Cordeiro, num súbito laivo de ética política, demite-se do seu cargo de Secretário Regional da Economia supostamente para se dedicar a tempo inteiro à sua candidatura, mas afinal retoma o lugar enquanto deputado na Assembleia Regional, provocando a fúria de muitos deputados por se sentirem enxovalhados e o descontentamento dos cidadãos, porque a sua atitude condiz com a lengalenga “os políticos são todos iguais”. Logo após a sua saída, a Secretaria da Economia informa de que anda há seis meses a negociar com a companhia aérea Low Cost Easyjet a possibilidade de ligar São Miguel e Terceira ao continente. Tudo o que muitos açorianos desejam, mas que parecia, ainda há pouco tempo, impossível de alcançar. Isto tudo a seis meses de eleições. Para quem vê de fora, até parece que alguém dentro do PS anda a prejudicar propositadamente a campanha de Vasco Cordeiro.

Ao contrário das outras vezes, esta campanha está sujeita à conjuntura de crise que o país atravessa. Mais do que em qualquer outra altura, o partido que está no poder tem de prestar contas aos eleitores. Porém, o Governo ainda vive em estado de negação. Diz que a culpa é dos outros. Aqui, estava tudo bem, até os outros fecharem a torneira dos milhões. Pensando bem, se não fosse esse pormenor, a Grécia, a Irlanda e Portugal continuariam a viver bem, tal como antigamente.

A oposição aproveita esta desvantagem para reforçar o apoio junto dos eleitores, mas todos sabem que as promessas não podem ser vãs, muito menos demagógicas. E de facto, todos os partidos têm pautado por uma certa contenção no discurso programático, adequando-o à realidade. E a realidade é que ninguém sabe ao certo o que irá suceder no final deste ano, muito menos em 2013. Não há campanhas perfeitas. Por isso, é escusado os comentadores lamentarem de cada vez que um candidato tem um deslize ou faz acusações desajustadas. Na verdade, tudo se jogou quando de Carlos César quebrou o silêncio. “Ó tempo, volta para trás” devem cantar alguns. Como contribuinte, resta-me exigir que haja bom senso nos gastos com a campanha. Desta vez, Tony Carreira deverá ficar de fora.

Costuma-se dizer que em eleições não há propriamente um vencedor; o candidato ou o partido que está no poder é que as perde. O PS, impotente perante a crise, sem estratégia para a campanha eleitoral, desistiu da luta. Cumpre calendário para daqui a uns meses tirar a mesma conclusão. Um partido não pode ter dois líderes: um que ainda lá está, mas que se tornou um empecilho e outro que foi nomeado pelo seu superior, mas que não tem margem de manobra.

1 Comentários:

Blogger Carla Ávila disse...

Eu digo que a mentira tem perna curta, um dia vem-se a descobrir...é o que demonstra o PS, que perdeu toda a credibilidade.
Precisamos de alguém credível, e esse irá ser o resultado em Outubro.

5:00 da tarde  

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