Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, setembro 09, 2012

A Decadência dos Povos Ocidentais


    Ao observar a crescente preocupação dos políticos das nações mais desenvolvidas perante uma crise com um desfecho improvável e ao ouvir a satisfação daqueles que proclamam “eu bem vos disse” relativamente ao suposto fracasso do capitalismo, e defendendo o regresso do socialismo puro e duro, mais vale desligar a televisão e rasgar os jornais: os arquivos das bibliotecas públicas darão a verdadeira resposta sobre o que efectivamente se passa no mundo de hoje.

    Com base na queda do muro de Berlim, em 1989, Francis Fukuyama, filósofo americano, escreveu o Fim da História, proclamando o fim do conflito de ideologias, graças à vitória da democracia enquanto regime político universal. Contudo, décadas antes, o historiador inglês, Arnold Toynbee, em O Estudo da História (1936-1954), defendeu que o fim da história aparece pelo menos uma vez em cada civilização. Isto significa que quando uma civilização atinge a universalidade, o seu povo atinge a “miragem da imortalidade”. Por outras palavras, esta tese sustenta que quando uma sociedade defende que a sua história chegou ao fim é, normalmente, uma sociedade cuja história está próxima do declínio.


    A civilização ocidental poderá ser diferente das outras civilizações na medida em que a sua influência no mundo é muito mais vasta e a mais cobiçada de todas. No entanto, esta razão não é suficiente para que se defenda que o Ocidente ultrapasse facilmente a crise actual ou que continue a dominar o mundo no futuro. Aliás, o ressurgimento islâmico e o dinamismo económico da Ásia são a prova de que as outras civilizações estão bem ativas. A China está a atravessar a maior e mais rápida ascensão ao poder mundial que qualquer país atravessou – nem mesmo os Estados Unidos.


    Caroll Quigley, outro historiador americano, fez a descrição dos sintomas que indiciam o fim de uma civilização. Segundo o referido autor, é um período “de grave depressão económica, diminuição dos níveis de vida, guerras civis ente os diferentes grupos de interesse e crescente aumento da iliteracia. A sociedade torna-se cada vez mais fraca. Para este processo de desgaste, legisla-se em vão. Mas o declínio continua. Os diferentes níveis religiosos, intelectuais, sociais e políticos de sociedade começam a perder em grande escala a confiança da população. Começam a alastrar na sociedade novos movimentos religiosos. Há uma crescente relutância em lutar pela sociedade, ou mesmo apoiá-la, pagando os impostos.” Esta transcrição bastante inquietante, por ser o espelho do que actualmente se passa, foi escrita em 1961 – se ainda não há registo de guerras civis é porque as consequências da crise ainda não chegaram maciçamente às pessoas. O Ocidente encontra-se mais do que nunca fragilizado e incapaz de se defender perante uma possível ameaça externa. Este bem pode ser o momento ideal para despoletar atentados terroristas de larga escala, como para permitir que nações de outros continentes possam aproveitar-se dessa fragilidade para dar azo às suas ambições imperialistas. Apesar do crescimento da economia do Ocidente estagnar e do crescimento demográfico ser negativo, o autor considera que o declínio moral e a desunião política são os problemas mais importantes e reveladores da tal decadência civilizacional.

    A história das civilizações indica que tudo é possível, mas mostra também que, perante as adversidades, elas podem renovar-se. Será o Ocidente capaz de travar ou inverter este processo interno de decadência?

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