Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, maio 05, 2013

As forças vivas da Terceira




            Os próximos tempos serão muito difíceis para a ilha Terceira. Não se vislumbra nenhum fim nem nenhuma esperança relativamente à crise que assola o país. Por isso, a crise das Base das Lajes veio na pior altura possível: duplica a incerteza e o sofrimento das famílias terceirenses. Atrevo-me a dizer que o impacto da soma das duas crises será comparável aos efeitos de um sismo de grande amplitude. 

            Não se pretende aqui lançar o pânico, mas também não se deseja dar falsas esperanças. O processo de emigração (há quem lhe chame de abandono) já está a ocorrer um pouco por todas as ilhas. Na Terceira, já é uma realidade dura que, por enquanto, é encoberta pelo facto de muitas famílias optarem por uma emigração ilegal graças aos familiares que as recebem. São já muitas as crianças que têm anulado a sua matrícula escolar para acompanhar os pais rumo a uma nova vida. 

            Por causa disso, revejo-me nas palavras do Presidente da Câmara da Praia da Vitória, Roberto Monteiro, quando manifesta a sua preocupação pelo facto de a República ainda nada ter definido sobre o destino da Base. Urge saber se vai haver ou não contratos celebrados com empresas americanas para dinamizar a economia da Terceira. Urge compreender se tudo isto é mesmo a sério ou se não passa de uma artimanha para disfarçar a incompetência de quem manda na diplomacia portuguesa. 

            A História mostra que a Terceira consegue ultrapassar com sucesso as dificuldades com que se depara. Da política à cultura, das associações cívicas aos empresários, as forças vivas da Terceira, não obstante padecerem de momentos de apatia, fazem-se ouvir nos momentos cruciais, à volta de causas que ultrapassam a guerrilha político-partidária ou o mero despique intelectual. Este é um dos momentos que marcará a nossa história. Momento, esse, que obriga as pessoas a unir-se em prol da sua terra. Ninguém deve ficar de fora desta luta.

10 anos para ultrapassar a crise

            Por volta de 2002, Gerard Shröeder, então Chanceler da Alemanha, criara a Agenda 2010, com o objetivo de reerguer o país, tornando-o mais competitivo. O programa de reformas económicas e sociais teve a vantagem de ter nascido a partir de um objetivo político interno e não por causa de pressões externas ou numa situação de emergência – como acontece atualmente com Portugal. 

            Este programa redefiniu o funcionalismo público, aumentou a idade da reforma, flexibilizou o mercado de trabalho (baixando o custo do trabalho), reformou o acesso à saúde e tornou o regime fiscal mais atrativo. Contudo, foram precisos 10 anos para obter resultados. E agora os resultados estão à vista. A Alemanha é o único motor da Europa.

            É normal que, perante o sucesso alcançado, a Alemanha se sirva do seu programa para o “impor” aos países resgatados pela Troika. Contudo, há pressupostos que não permitem comparar as situações. A Alemanha não tinha uma crise de dívida e não era alvo de resgate externo. É verdade que é preciso que os países do Euro sob assistência externa encetem por reformas estruturais para se tornarem mais competitivos, mas não será suficiente para ultrapassar todas as dificuldades. As assimetrias fiscais, financeiras e políticas impedem toda a UE de progredir. E é impossível haver várias velocidades. A crise do Euro comprova justamente que esta “ginástica” é impraticável. 

            Falar neste momento em federalismo europeu é perigoso. O desespero pode levar a decisões que no futuro se revelem erradas. Nesta fase crítica, abdicar de mais soberania implica reformular a estrutura política de cada país, pois certos órgãos, como o Parlamento ou a Presidência da República, deixam de fazer sentido. Assim sendo, como é que se pode estar disponível para abdicar da soberania financeira e não política, sobretudo quando esta última deixa de ter qualquer utilidade na vida dos cidadãos?

1 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Esperava-se que propostas para a "nossa salvação" viessem dum PPD/PSD rejuvenescido, com gente nova e com ideias.
Puro engano.
Vem de gente fraquinha, sem ideias, atrasada e politicamente medíocre.
E não há mais ninguém, a não ser um CDS, feito de dois ou três leves de juízo, que militam oportunisticamente no descontentamento de alguns.

A Terceira está num desastre por isto: quem é sério e quer trabalhar, não se quer caldear com gente desta.

8:08 da tarde  

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