Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, dezembro 13, 2009

Paraíso Perdido T2C16



Açores, um atraso de vida
Os Açores não são só reconhecidos pelas suas paisagens deslumbrantes. Também apresentam um panorama social digno de registo. Para além dos altos índices de pobreza, de muitas famílias economicamente dependentes do Estado, de um elevado número de toxicodependentes, o arquipélago dos Açores regista uma taxa de denúncias de casos de violência doméstica dois terços superior à média nacional. Depreendo que alguns vão passar um belíssimo Natal.
Será por causa dos ares da terra, do sentimento de insularidade ou simplesmente por causa de um atraso cultural repugnante que faz com que esta região tenha tanta gente a bater nos familiares só porque tem mais força? Não. Os Açores atrasados? Nem pensar. Basta olhar para as vias rápidas, para os hotéis de luxo, marinas, parque imobiliário, automóvel ou de embarcações para perceber que o arquipélago consegue a proeza de aliar o lado mais primitivo do Homem ao seu lado mais cosmopolita.



Porém, as autoridades regozijam-se com o aumento do número de denúncias por parte das vítimas; sinal de que o sofrimento já não é silencioso. O que não se conta com o mesmo entusiasmo é que essas mulheres e crianças acabam por retirar a queixa por medo e vergonha, continuando assim a colecção de nódoas negras e hematomas. O que vale, como diz uma jovem que conheço, é que quando o pai não bebe, ele até é porreiro. Aliás, não é o pai; é o padrasto.




O perigo socialista

A táctica usada pelo PS que consiste em vitimizar-se perante uma maioria no parlamento altamente hostil acabou no momento em que o Presidente da República disse que era perfeitamente possível governar em minoria e que não tinha nada que se intrometer nas querelas parlamentares.

Depois das eleições, os portugueses perceberam que os números do governo quanto às contas do Estado eram fictícios e que a situação é, na verdade, bem pior, aproximando-se do colapso económico. Pois bem, a oposição faz o seu papel de fiscalizadora da actuação do governo e de escrutinadora das contas públicas. A coligação negativa só existiu quando o PS se aproveitou da sua maioria para impedir os partidos da oposição de desempenhar a sua real e nobre função. Quanto ao aproveitamento político do PSD, ninguém é inocente e só o mais ingénuo é que entra na cantiga da virgem ofendida.

No princípio, espantou-me a reacção de certas figuras do PS ao manifestarem preocupação para com o futuro do PSD. Pensava eu que isto tudo não passava de hipocrisia, porque de um adversário só se almeja o pior. Mas agora, ao ver o governo de José Sócrates completamente desamparado e nervoso, continuando com as suas políticas ruinosas para o país, chego à conclusão que aqueles ilustres do PS desejam mesmo que o PSD atine novamente para em breve tomar conta do país. Provavelmente, prevêem que a era Sócrates vai acabar da pior maneira.




Os cínicos da paz

O prémio Nobel da paz, que é também Presidente dos Estados Unidos, aceitou o galardão apesar de ter perfeita consciência de que o seu país está envolvido em duas guerras e que o próprio decidiu reforçar, dias antes da entrega do Nobel, o contingente no Afeganistão com mais 30 mil soldados. Este prémio é sem sombra de dúvida polémico. A discussão sobre se ele o merece ou não desencadeia acesas discussões. O discurso de Barack Obama tratou de explicar por que razão o cinismo não pode ter lugar no mundo actual.

Há uns anos atrás, George W Bush iniciou os conflitos com o Afeganistão e o Iraque justificando-se com o conceito de guerra preventiva e a luta contra o terrorismo. No seu discurso em Oslo, o novo presidente defende o mesmo, mas embelezando com brilhantismo oratório. Tal como o seu antecessor, Obama defende a guerra preventiva e unilateral quando a segurança do país está em jogo. Tal como Bush, Obama alega que só com violência se pode lutar contra a al-Qaeda. Entre estas estranhas semelhanças, uma diferença: o primeiro é odiado por meio mundo e o outro adulado. Mas o mais estranho nisso tudo é que não só compreendo os dois como também concordo.

Não deixa de ser, no mínimo, paradoxal que um homem use 44 vezes a palavra guerra num discurso em deveria louvar a paz. Mas o mundo não pode continuar a viver na ingenuidade ou no cinismo. Para ganhar a paz é por vezes necessário fazer a guerra. A utopia da paz não passa disso mesmo.

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