Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, abril 03, 2011

O bom, a má e a convencida



1. Carlos César anda preocupado. Anda preocupado com o futuro da única SCUT que existe no arquipélago e que por acaso está a ser construída em São Miguel.


Não tenho problemas em dizer que as SCUT são uma das inúmeras aberrações que o socialismo criou. Por todo o país, já se percebeu que essas estradas devem ser portajadas, porque as discriminações positivas só levam a mais desigualdades (apesar da justificação oficial apontar para a crise). Contudo, nos Açores o PS defende a sua dama, sustentando que quem as usa não deve pagar, porque o Sr. José da Serretinha na Ilha Terceira, que nunca irá passar por aquela estrada, vai contribuir com o seu dinheirinho da pensão. Como se diz na gíria SCUT: sem custos para os utilizadores, com custos para todos os açorianos.


Podem chamar-me demagogo, mas em termos de demagogia quem ganha o prémio é justamente Carlos César quando defende que com ele as SCUT nunca serão cobradas, acrescentando que já não pode dizer o mesmo do PSD Açores se este ganhar as eleições. Apesar de não ser porta-voz do PSD, faço a seguinte afirmação: o Sr. José bem como todos os açorianos podem ficar descansados, continuaremos a pagar a SCUT porque o PSD Açores nunca se atreverá a colocar portagens numa estrada em que é também autorizada a circulação de vacas.


2. A nova Secretária Regional da Educação, Cláudia Cardoso, entrou a matar. Percebeu que só haveria sucesso nas escolas se o poder político se reconciliasse com os professores. Porém, como portuguesa que é, saltou do oito para o oitenta.


Quando anunciou que iria multar pais que não participassem na educação dos filhos, o meu primeiro instinto foi o de querer bater palmas. Para mim, alguns pais até mereciam prisão por serem tão negligentes para com os filhos. Mas isso sou eu. Pensando bem e a frio, multar os pais é como atirar a toalha ao chão. É desistir da luta que o reforço da autoridade dos professores implica para o bem das escolas e dos próprios alunos.


Ainda para mais, quando a Secretária Regional diz que as sanções devem ser definidas e aplicadas pelos Conselhos Executivos. A mim, parece-me que, para além de desistir, o poder político queira sacudir a água do capote (expressão muito em voga).


O reforço da autoridade não se resolve com coimas. Até chegar a esse acto de rendição, ainda existe muitas alternativas. Em termos disciplinares, o problema das escolas é similar. Tem de haver uma concertação entre as direcções de maneira a actuar em conjunto e de forma coerente, informando e formando os professores e auxiliares para tal.


Um exemplo. As escolas têm falhas de segurança graves que propiciam a indisciplina e potenciam a violência. Os acessos aos espaços escolares têm de ser controlados para impossibilitar a entrada de estranhos e a saída de alunos menores em tempo de aulas. Não se compreende que uma escola (como acontece em todas elas) tenha nos intervalos crianças a entrar e sair do recinto como se fosse a coisa mais natural do mundo.


Não, Senhora Secretária, a autonomia das escolas não pode servir de argumento para explicar esta situação. O governo que se dê por feliz por nunca ter acontecido algo de grave como um rapto ou um acidente mortal. Mais vale agir por precaução.


Em 2004, lutei para que o tabaco e o fast food fossem banidos das escolas. O bom senso acabou sempre por prevalecer.


3. Se a minha consideração pela Secretária Regional da Solidariedade Social, Ana Paula Marques, fosse cotada por uma agência de rating, seria considerada lixo, e acrescento tóxico.


Num dos últimos debates que ocorreu na Assembleia Regional, a Secretária afirmou que as políticas sociais dos Açores são das melhores do país e até da Europa. A presunção foi sempre considerada um defeito, mas nos políticos é uma confirmação de carácter. Depois do episódio da bolsa do filho, com esta última tirada dá para comprovar o tipo de pessoa por quem Carlos César nutre toda a confiança.


Se eu fosse do PS, andaria mais preocupado com uma crise que se adensa e cujos efeitos, neste início de 2011, demonstram que vai perdurar nos Açores por mais uns anos. Toda a estratégia para as eleições de 2012 tem de ser revista.


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