Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, dezembro 18, 2011

A grande jogada do PS



Em tempo de contenção, as autarquias optam por poupar em tudo o que podem. Angra não é excepção. No entanto, se a cidade património se conteve com os gastos na colocação de luzes de Natal, apostou fortemente no folclore político, provavelmente, com o intuito de animar as suas ruas e os seus munícipes. O problema é que a brincadeira pode sair cara aos cidadãos.

A telenovela sobre a câmara de Angra dará certamente bons enredos para os bailinhos de Carnaval e, de facto, nada melhor do que rir para esquecer um pouco as vicissitudes do dia-a-dia. Só lamento que, ao invés de serem comediantes, sejam políticos a protagonizarem tal situação.

Já o tinha dito: só a estabilidade poderá trazer paz ao concelho. E só há duas soluções: ou se deixa o PS governar ou se procede a eleições intercalares. Contudo, a estabilidade tem um preço e parece que ninguém está disposto a pagá-la, nem os socialistas, nem a oposição.

Por mais admiração e respeito que nutro por certas pessoas directamente envolvidas nesta contenda, considero que ninguém sai bem na fotografia. Independentemente da forma desastrosa como o Presidente da Assembleia Municipal de Angra, Ricardo Barros, apresentou a proposta do PS, misturando o plano partidário com o digno cargo que ocupa na autarquia, ele não deixa de ter razão: ou as duas condições propostas são aceites pela oposição ou o PS não governa. Ao manter o actual impasse, não há obviamente condições para continuar.

A oposição, PSD e CDS, bem pode indignar-se perante a chantagem apresentada, mas em nome da estabilidade da câmara, as condições exigidas pelo PS fazem todo o sentido. Contudo, estas deviam ter sido negociadas no recato dos gabinetes da edilidade e não no meio da Praça Velha. Todos estes políticos têm clamado pela dignidade dos cargos que ocupam mas têm feito muito pouco por ela. A Câmara de Angra transformou-se numa partida de futebol. Neste jogo político, a bola passa para a oposição. E o que tem a ela a propor?

Muito pouco. À partida, recusa o Orçamento que irá ser proposto pela nova presidente, Sofia Couto, porque é o mesmo que a ex-presidente ia apresentar. Também critico esta inflexibilidade da nova presidência que deveria, por uma questão de humildade, ouvir primeiro a oposição. Mas, como é notório, Sofia Couto será mais uma figura decorativa do que propriamente a presidente da câmara de Angra. Ricardo Barros diz, Sofia Couto executa.

Há uma solução que considero exequível e que poderia entalar de vez o PS, conferindo ao PSD e CDS uma nova dignidade de que Angra precisa mas, sobretudo, merece.

Os dois partidos deveriam ter a astúcia de se unir não só para demitir a presidência da Câmara, como também com o fim de se apresentar em coligação nas eleições intercalares. Deveriam convidar uma personalidade consensual para os dois partidos e, deste modo, concorrer enviando uma mensagem forte aos angrenses: estabilidade e competência. Não haveria candidato do PS que pudesse vencer contra tal colosso e o caso ficaria arrumado de vez, não só até 2013 como para lá desse ano. Angra respiraria de alívio e de júbilo.

Mas isto não passa de um desejo.

A haver eleições antecipadas e a manter-se cada partido no seu canto, o resultado poderá dar o mesmo das últimas autárquicas, com a agravante de haver uma abstenção maciça, pois os angrenses estão fartos de intrigas políticas. Obviamente que a campanha irá cair muito mal porque os sacrifícios exigidos aos açorianos não se coadunam com comícios e jantaradas. Espero que o bom senso pese na decisão dos nossos políticos.

Aproveito para manifestar a minha perplexidade pelo facto de o Conselho da Ilha Terceira não ter proferido nenhum comentário relativamente a esse assunto. A sua ausência neste processo deve corresponder, provavelmente, à sua utilidade.

1 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Para além da conversa e intriga politica fica o que foi feito.
A nível do ambiente, área da minha formação, congratulo-me com a resolução dos seguintes problemas:
- aumento da quantidade da água disponível;
- melhoria da qualidade da água no centro histórico de Angra;
- fim dos maus cheiros da ETAR da Grota do Vale, que duravam há séculos;
- inicio do processo de encerramento do aterro sanitário e estudo do tratamento dos residuos na Terceira;
- quantificação de consumos de água e da produção de residuos no concelho, o que permite planificar e estudar os processos;
- criação de uma empresa intermunicipal com poderes para gerir água e residuos ao nível da ilha;
- colocação de contentores de lixo funcionais e esticamente interessantes;
- aparecimento de novas viaturas para recolha de lixo;
- colocação de caixotes do lixo no centro de Angra, porque os que lá estavam eram enfeites;
- e, já agora, a criação de um logotipo interessante e apelativo para os serviços.

Conhecendo o responsável por este trabalho como conheci - meu mestre a quem muito devo - não podia esperar outra coisa.

O resto, a luta politica porca, os mexericos, as intrigas e os golpes de baixo nível, ficam com quem as fez e com quem as consome.

Nelson Luis Fortuna de Souza

6:56 da tarde  

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