Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, janeiro 01, 2012

A nostalgia de um Natal que nunca existiu



Falar do Natal depois de ter ocorrido parece despropositado. Mas tendo em conta que a maior parte das notícias fala de coisas tristes e sombrias, detenho-me num aspecto curioso deste período festivo de carácter cada vez mais universal.

Na sua mensagem tradicional Urbi et Orbi, Bento XVI lamentou o espírito consumista da época natalícia. Compreendendo que o Natal moderno ofusca a celebração do nascimento de Jesus Cristo, dei por mim a tentar saber como era esse Natal saudoso de que tantos falam, mas que nunca vivi desde que me lembre de o festejar.

Como nasce a figura do Pai Natal? Como surge a actual tradição natalícia?

Na década de 1820, em Nova Iorque, também conhecida na altura por New Amsterdam por causa da grande vaga de imigração originária da Holanda, o professor universitário, especializado em estudos religiosos, Clement Clarke Moore escreveu um poema para os seus filhos “Uma visita de São Nicolau” que foi responsável pela forma como concebemos actualmente a figura do Pai Natal (um velhinho, vindo do Pólo Norte, que entra pelas chaminés para dar prendas às crianças bem comportadas e que é puxado no seu trenó por renas voadoras). Perante o sucesso do poema junto das pessoas, os comerciantes da cidade apreenderam essa figura para promover os seus produtos, incitando as pessoas a comprá-los. Devido à sua diversidade étnica e religiosa, Nova Iorque nunca deu particular destaque à celebração de Cristo. Ao invés, a “cidade nova” criou, sem o saber, a sua própria tradição ligada ao momento de fulgor económico e demográfico por que passava.

Em 1886, saiu na revista americana Harper’s Weeklys uma caricatura de Pai Natal, da autoria de Thomas Nast, famoso cartoonista por ter criado os símbolos do Elefante para o Partido Republicano, do Burro para o Partido Democrata e a figura do Tio Sam. Esta caricatura do Pai Natal seria a versão definitiva que conhecemos hoje (velho de barba branca com vestes vermelhas e brancas) - o que acaba por contrariar o mito de que foi a Coca-Cola a criadora da figura do Pai Natal. Na verdade, o que aconteceu foi que a Coca-cola usou, em 1931, a imagem já criada por Thomas Nast e fez uma grande campanha publicitária no Inverno para aumentar as suas vendas naquele período do ano. A Coca-Cola não inventou o Pai Natal; oficializou a sua imagem para o mundo.

Os países da Europa, nomeadamente católicos, adoptaram entusiasticamente a figura do Pai Natal porque esta celebra o amor pelas crianças e consequentemente da família. Aliás, o que é extraordinário é perceber como uma tradição popular moderna se fundiu tão “naturalmente” com uma tradição religiosa ancestral: para nós e para as nossas crianças, Pai Natal e Jesus Cristo complementam-se. Em Dezembro, nenhum deles faz sentido sem o outro. O Natal é a celebração das crianças; é a glorificação da família.

Países de outros continentes, como a China, aderem com o mesmo entusiasmo porque o amor dos pais pelos filhos é universal. E reconheçamo-lo sem preconceitos e sem receios, apesar de relevante, não é o lado material do Natal que irá despertar o egoísmo das pessoas.

A tradição natalícia reflecte o sentido de união das pessoas e não implica o desprezo ou o abandono de outros rituais existentes em certas regiões do país. A troca de prendas depende do poder económico das pessoas e por isso é proporcional a elas. Algumas famílias desenvolvem os seus próprios rituais, mas nunca abdicam do principal: a união familiar. O cinema, a televisão, a música, as luzes e, claro, o comércio encarregam-se de lhe atribuir uma certa magia que, à luz dos olhos de uma criança, é parecido com um conto de fadas.

Provavelmente, o sentimento de nostalgia que se manifesta em muitos adultos no período natalício vem disso mesmo: recordações dos tempos de criança.

Por isso, ainda muito antes do tempo, e por saber o quão difícil será este ano, desejo um Feliz Natal para 2012.

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