Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, maio 27, 2012

A mulher que não queria ser presidente



1. Sofia Couto, a atual Presidente da Câmara de Angra, deu há tempos uma entrevista que passou despercebida para a maior parte das pessoas. No entanto, teve o mérito de expor uma pessoa que está em vias de extinção: políticos que não estão apegados ao poder.

            É verdade que Sofia Couto tornou-se Presidente da Câmara por um mero acaso. É verdade que nas atuais circunstâncias Angra do Heroísmo, enquanto município, interessa a muito pouca gente. E eu já desisti de achar que a cidade está mal gerida. Acho, pelo contrário, que Angra está amaldiçoada. Já desisti de achar que a Cidade Património não tem políticos à altura. Angra está amaldiçoada e pronto. Mais vale meter um bruxo na presidência.

            Na entrevista em questão, Sofia Couto disse que pretendia cumprir o seu mandato até ao fim, mas que não se recandidatava. Alegava a sua falta de tempo para a família, o que revela uma sinceridade louvável, qualidade muito rara que só falsamente aparece nalgumas bocas de políticos para justificar um mau perder: “perdi as eleições para a presidência, não ocupo o cargo de deputado ou de vereador, prefiro voltar para a minha família”. Pelos vistos, a febre do poder não chegou a Sofia Couto. Ainda bem.

            Muitos considerar-me-ão ingénuo, porque dirão que, na verdade, Sofia Couto antecipou-se a uma nega que o seu partido, o PS, irá dar-lhe na altura da preparação para as próximas eleições autárquicas. Supostamente, ao dar a entrevista, Sofia Couto antecipou-se ao vexame de se ver rejeitada por um partido que já se mostrou muito ingrato e traiçoeiro para com os seus, justamente para se manter no poder a todo o custo. 

Como não conheço Sofia Couto, acredito na palavra dela, tal como quero acreditar na palavra de José Pedro Cardoso que deixou Angra para ir para a reforma, tal como quero acreditar em Andreia Cardoso que abandonou Angra por causa da tragédia pessoal. Como já disse e repito, não se trata de Angra ter políticos incompetentes; trata-se de Angra estar amaldiçoada. Agora resta saber se é Angra mesmo ou se é o PS de Angra quem está realmente amaldiçoado. 

As próximas eleições poderão elucidar-nos sobre o assunto.

2. Muitos têm ficado impressionados com a nova Secretária da Economia, Luísa Schanderl. Uma autêntica desconhecida aparece de rompante com um espírito combativo e uma atitude política pró-ativa, o que é de louvar. Claro que é sempre fácil valer a sua opinião ou manifestar a sua impotência acusando o Governo da República por todos os males da Região, mas não há dúvidas de que ninguém ficou indiferente com a sua presença.

            Será que Luisa Schanderl é mesmo assim, o que prova a boa escolha de Carlos César, ou que a Secretária reagiu ao estímulo positivo dado pelo deputado Berto Messias quando a desvalorizou ao compará-la com o ex-Secretário Vasco Cordeiro? Como não a conheço, vou acreditar nas palavras e nas atitudes da Secretária. 

            Resta saber se Luísa Schanderl tem ambições políticas ou se também ela, tal como Sofia Couto, pretende somente cumprir a missão que lhe foi confiada e voltar para o anonimato.

3. Discordo da opinião do jornalista Armando Mendes relativamente à polémica sobre o padre Caetano Tomás. 

Para mim, não houve delito de opinião nem cobardia por parte dos políticos. O texto polémico que o Padre escreveu não foi censurado, aliás, foi publicado num jornal insuspeito, “A União”, e despoletou na altura um forte debate de pontos de vista sobre a matéria que não é pacífica tendo em conta a forma como o padre aborda o tema da homossexualidade e da pedofilia. Houve, e ainda há, total abertura para quem concorde ou discorde do padre e possa dar livremente o seu parecer. 

Para mim, a polémica prende-se com duas eternas questões, sendo a primeira até onde pode ir a liberdade opinião e, a segunda, a de saber quem realmente merece ser condecorado em eventos tão nobres como o são o dia dos Açores ou o 10 de Junho. Daí a hesitação dos partidos. E nisso, Armando Mendes concorda comigo: há medalhas a mais para tão pouca gente excecional e à prova de qualquer controvérsia.

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