Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, março 11, 2012

A SATA e o embuste das tarifas promocionais


Falar mal da SATA transformou-se num desporto regional. Mas a culpa por isto suceder é de quem dirige a empresa e do poder político que manda nela: puseram-se a jeito. Em consequência, mais valia prescindir dos serviços do seu Departamento de Relações Públicas, pois, enquanto vigorar esta política de transporte aéreo para os açorianos, não há especialista em comunicação que lhe valha.

Lembro-me tão bem daquele dia em que Carlos César fez o anúncio das viagens aéreas a 100 euros para o continente. A surpresa foi total, não só para os açorianos, como para a administração da SATA. Todos acreditaram na boa-fé do Presidente do Governo Regional. Mas a realidade mostrou algo de muito diferente do que fora apregoado.

O tempo foi passando e dei por mim a pensar que era o único palerma da Região a nunca conseguir tarifas promocionais. Afinal, há outros; e muitos outros a queixarem-se do mesmo.

Noutras regiões ultraperiféricas da Europa, existe várias formas de bonificações para as passagens aéreas por forma a esbater os custos da insularidade. Nada disto é novo e há anos que se discute este tema por todo o arquipélago. Passados dois anos, desde o famoso anúncio, é tempo de nos perguntarmos se o atual regime de tarifas aéreas para residentes (com a novidade das promoções) trouxe de facto benefícios aos açorianos.

As tarifas promocionais são uma boa ideia. Contudo, o sistema em vigor permitiu que as tarifas para residentes fossem completamente adulteradas no seu princípio mais nobre que é o de estabelecer um preço único e baixo para qualquer residente nos Açores, independentemente da sua ilha. Ao longo dos anos, desde que a SATA Internacional existe, foram experimentadas várias modalidades, sempre com a premissa de que era preciso melhorar o serviço – pelo número de ligações ao continente, diversificando os destinos para além de Lisboa – e torná-lo, progressivamente, mais barato. Porém, o que temos agora é um autêntico retrocesso na política de transportes aéreos, porque viajar de avião tornou-se bem mais caro do que no passado.

É verdade que é possível viajar a menos de 100 euros para Lisboa ou para o Porto, mas a probabilidade de isso acontecer é diminuta. Pelo contrário, em vez de as passagens embaratecerem, há agora açorianos que chegam a desembolsar mais de 300 euros para rumar ao continente. Isto é, dentro de uma mesma aeronave, repleta de açorianos, os preços podem variar entre os 90 e os 300 euros. Isto é que é inconcebível.

Inconcebível porque se, dantes, a República subsidiava a TAP e a SATA, agora, são também os próprios passageiros a subsidiarem as passagens promocionais, compensando-as com o pagamento de tarifas altas. As Novas Obrigações de Serviço Público são, por isso, um autêntico embuste. A Tarifa Residente deixou simplesmente de existir. Deixou de haver uma tarifa de residente com um preço certo e inexcedível para dar lugar a um preço médio que varia conforme a antecipação da reserva e as decisões de quem estipula os preços. Pratica-se o low cost no seu pior: uma espécie de lotaria de tarifas promocionais que, em períodos altos (Natal, Páscoa e Verão), quase não existe.

O mais desconcertante é que, por ser tão recorrentemente polemizado, este assunto deixou de ter importância e as pessoas acabaram por se resignar. Por sua vez, os administradores da empresa alhearam-se da Região e, com soberba, vão abrindo novas rotas, algumas delas desastrosas em termos financeiros, como já foi comprovado. E é incrível que ninguém com responsabilidades governamentais não ponha cobro a esta estratégia porque a SATA nem sequer cumpre a sua missão primordial que é a de servir os interesses dos Açores e dos açorianos, nomeadamente os da diáspora.

Por causa das eleições e das respetivas promessas que os partidos vão anunciando, faz todo o sentido colocar este assunto na ordem do dia para que possamos ouvi-los e pressioná-los a mudar o atual regime de tarifas aéreas para residentes. E um dos primeiros pontos deveria ser o de estabelecer comparações com as subvenções de residência nas outras Regiões Ultraperiféricas. Verão que não é preciso inventar nada.

1 Comentários:

Blogger Carla Ávila disse...

Há duas críticas que quero deixar em relação á sata:
1. Tarifas mais baixas para os continentais virem aos açores, do que os açoreanos irem ao continente, isso acontece porquê?
2. Diz lá "Lisboa", "Açores", um contrasenso, deveria ser Lisboa Ponta Delgada. Por isso encontro pessoas do continente que dizem ilha do Açores a S.Miguel, não será reduzir os Açores ???
Obrigada.

4:55 da tarde  

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