Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, outubro 14, 2012

A vitória do PS: uma inevitabilidade


    Há quatro anos atrás, antes da campanha eleitoral para as eleições autárquicas, os munícipes de Angra assistiam a uma presidência da câmara paralisada, sem criatividade e envolta em várias polémicas das quais se destacou a falta de água e seu respetivo racionamento, condicionando a vida de todo o concelho. A irritação pairava no ar. Com as eleições à porta, o PS estava em maus lençóis.

    O PSD de António Ventura partia em vantagem e com uma dinâmica vencedora atrás dele. A poucas semanas das eleições, sentiu-se que algo estava a mudar; não era a intenção de votos, mas sim o desejo de deixar tudo na mesma. O PS acabaria por ganhar sem maioria e por isso fragilizado. Como sabemos, a presidente acabou por se demitir - as razões de teor pessoal invocadas ainda causam dúvidas-, e a governação da edilidade é agora da responsabilidade de Sofia Couto, a quarta da lista. A cidade património continua parada no tempo e as polémicas são recorrentes. Nada mudou.


    Com Berta Cabral, o mesmo aconteceu. Outra vez a dinâmica vencedora do início, uma lufada de ar fresco e até de esperança. Muitos, inclusive no PS, sentiram que era desta que o PSD voltava para o poder. No entanto, poucas semanas antes do ato eleitoral, o vento de mudanças rumou para o outro lado, o lado de sempre: o do deixar as coisas como estão. O PS venceu.


Realmente, nem com Berta Cabral o PSD consegue alcançar a vitória.


    Ao PSD sugeria-se agora um tempo de nojo político, de reflexão para perceber o que correu mal. Quais os erros cometidos; se foram promessas a mais; se a mensagem não foi clara; se a estratégia de campanha foi errada; se as escolhas das personalidades foram desacertadas; se a má governação da coligação PSD/CDS no continente prejudicou o partido regional, etc. Mas, às tantas, a razão da derrota é mais simples.


O PS ganha porque os Açores são socialistas. Não há volta a dar. Quer no caso das autárquicas, quer nas recentes legislativas regionais, não seria possível o partido que está no poder vencer. Por causa do desgaste do tempo e do cansaço em relação aos governantes, pelas trapalhadas e sobretudo pelo estado da Região com taxas de desemprego e de pobreza a dominar o lado negativo desta governação, isto é, pela lógica, não deveria ser possível.


Mas mesmo assim, os açorianos não deram hipóteses ao PSD.


Por seu lado, o PS pode apresentar o seu mérito, os seus valores, a sua estratégia como fatores determinantes na vitória. Nos “bastidores” pode ter havido um conjunto de promessas e favores que ajudaram a angariar votos decisivos e de que ninguém tem oficialmente conhecimento. Mas, no essencial, tudo estava predestinado: os Açores são eminentemente socialistas. O PS esteve dezasseis anos no poder procedendo a essa transformação social e ideológica. E numa terra conservadora como os Açores, o tempo não é composto pela mudança, mas sim pela permanência; os açorianos têm receio da alternância preferindo deixar tudo com está.


Com isto, não digo que venha algum cataclismo. Antes pelo contrário, pela renovação do PS, antevejo mudanças positivas - muitas delas impulsionadas (forçadas?) pelo clima de crise e pela austeridade que o país vive. O estado social que representa um monstro sorvedor dos cofres regionais terá de certeza profundas alterações, pois não é possível ter uma sociedade demasiado dependente de subsídios públicos. E acredito que haja mudanças nas políticas para o turismo e para os transportes aéreos e marítimos, bem como nas áreas da cultura e educação.


Porém, existe uma incógnita que não depende do governo açoriano. A saída da crise depende sobretudo de fatores externos, como a estabilidade e a retoma económica do país. Depende também da União Europeia e da sua estratégia para resolver a crise.


Por isso, os programas eleitorais (ou “prometório”) não valem nada. Na política, a esperança morreu. Nos Açores, mudam-se os tempos, mantêm-se as vontades.


Vasco Cordeiro é sem sombra de dúvida o nosso presidente.

1 Comentários:

Blogger Rogério Sousa disse...

Caro amigo,

Vários erros patentes neste teu artigo:

a) os Açores não são tradicionalmente socialistas. São social-democratas. É essa a razão por que Mota Amaral ficou tanto tempo no poder e por que Berta Cabral não apresentou uma estrutura partidária diferente. Porque fazem parte de uma matriz conservadora que assiste à raízes dos açorianos. Pelo menos os açorianos duas gerações acima de nós;

b) o problema do PSD/A não foi um de não ter fôlego para correr uma maratona como uma regional. De forma alguma, oPSD/A tem uma máquina partidária bastante bem oleada. E por isso não é uma questão de capacidade de continuar a correr, mas uma de se apresentar a correr. Isto é, ao naão ser capaz de se renovar, como o PS (com todas as excepções que queiras apresentar ) foi capaz de fazer, o PSD/A morre porque é conservador. O PS foi capaz de se apresentar como um partido que renova, que apresenta propostas novas mas exequíveis, e et cetera.

c) os açorianos não têm medo de alternar nem sequer de saber o que é a alternância. Os açorianos não querem é uma fórmula de austeridade nem de subserviência. Quando o PSD/A assumir um líder que nao ande a reboque nem sequer seja o cão-de-fila de velhos barões, nunca sairá da cepa torta. E mais, até te digo que muitos sociais-democratas que se assumem como tal acabam por votar no Partido Socialista. E porquê? Porque não têm confiança nem no líder nem na estrutura. Senão como justificar toda a dinâmica vencedora se resumir a um resultado, como hei-de dizer? Demolidor, para pensar no Demolition Man e tal...

Enfim, não me querendo alongar, acho que incorres num erro brutal. O PSD/A tem máquina para ser o que o PS é. Mas apenas quando for capaz de aceitar, como o PS aceita, a alternância interna, as novas vozes do partido, as novas caras, como a de Vasco Cordeiro e não a velha e gasta caricatura da Berta Cabral e os seus 15000 mil postos de empregos, só assim poderá o PSD ser o que o PS é.

E isto sem falarmos do facto de as pessoas estarem fartas de austeridade e acreditarem que de facto a solução da Europa e, consequentemente, da nossa situação nacional, passa por uma negociação que o governo da republica tem sido incapaz de promover. Imagina a desgraça de submissão que nao seria o PSD ganhar nos Açores? As pessoas percebem e os eleitores correspondem...

Abraço amigo
Rogério

12:26 da manhã  

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