Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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sábado, outubro 06, 2012

Como este Governo deu cabo do resto que faltava


    Há pouco mais de um ano atrás, o Governo de Passos Coelho tomava conta de um país em bancarrota, que tivera de pedir ajuda externa in extremis, a tempo de os cidadãos receberem os seus ordenados, pensões e reformas. O PS de Sócrates transformava-se na razão de ser de todos os males dos portugueses. O engenheiro rumava para Paris e os socialistas preparavam-se para um longo período de nojo na oposição.

    Não restam dúvidas de que os portugueses aceitaram que a austeridade era um mal necessário. Não há dúvidas de que os portugueses sabem que o país tem sido mal gerido pela classe política, onde os favores políticos e a promiscuidade entre o poder económico e político são a praga que tem impedido Portugal de sair da miséria civilizacional em que está enterrado há décadas.

    Quando a Troika chegou, muitos portugueses acharam que era desta que o país se endireitava. E esta foi provavelmente a razão pela qual os portugueses aceitaram melhor do que qualquer outro povo a ajuda financeira vinda do exterior.

    Contudo, um ano depois, o governo não só está a falhar nas metas para reduzir o défice e reformar o Estado, como parece estar a piorar a situação, pois o desemprego e os índices de pobreza são assustadores.

    Um ano depois, o que parecia um dado adquirido e consentido – a presença salutar, mesmo que a custo, da Troika – tornou-se um pretexto para a convulsão social e para a guerrilha política. O país vai crescentemente rumando para o caos e para a revolta de rua.

    Os últimos dias serviram para acalmar a tensão existente entre o PSD e o CDS, mas é crível afirmar que, por causa das várias deslealdes cometidas, esta coligação está ferida de morte – ao contrário da anterior entre Durão Barroso e Paulo Portas – porque os ressentimentos virão ao de cima quando a pressão aumentar novamente. Ninguém sai bem na fotografia, nem nenhum é mais vítima do que o outro. E este governo só se mantém em funções porque qualquer outra alternativa pode lançar o país para uma situação ainda bem pior.

Não convém esquecer que uma coligação entre partidos é sempre uma missão arriscada, porque nela se encontram personalidades com egos muito vincados, desejo de protagonismo acentuado e, muitas vezes, cinismo e hipocrisia em doses inaceitáveis. O PSD e o CDS têm o mérito de pelo menos tentar essa possibilidade, mas, no final, a sobrevivência dos dois pode estar em risco. A Esquerda portuguesa tem revelado pouca credibilidade por se apresentar como sendo unicamente do contra e pelo facto de o PS gritar muito na oposição, mas chegado ao poder os portugueses suspeitam que irá fazer igual ou pior.

No entanto, a mágoa mantém-se. Para quem acreditou neste governo, a desilusão é total.
    Com este governo, muitos, como eu, acreditaram que a social-democracia, com pendor liberal, iria realmente vingar em Portugal. O objetivo para os próximos anos seria não só cumprir o memorando no curto prazo, mas seria, a médio e longo prazo, reformar a sociedade e o Estado de maneira a tornar o país mais competitivo, menos dependente do exterior, socialmente mais justo e empreendedor. Um Estado mínimo, mas eficaz e presente onde realmente tem de cumprir a sua missão.

    Infelizmente, o que se tem visto é uma agenda do Governo somente focada em medidas de cortes orçamentais, à custa do aumento brutal dos impostos e no condicionamento da vida das empresas. Achar, como alguns, que este governo é neoliberal, é absolutamente infundado e até insultuoso. Este governo chega a ser ultra-socialista nas medidas de cariz social e anacrónico nas reformas do Estado. Aliás, na verdade, nem sequer existe um caminho definido. Ninguém, por mais patriota que seja, consegue apoiar ou seguir um governo assim.

    É nesta mixórdia de errâncias, de contradições e de fragilidades que este governo se encontra. Há um ano atrás, parecia mais seguro de si, mais determinado e assertivo. O PS aproveitou este deslize e, de um partido moribundo, transformou-se numa espécie de Fénix renascida, completamente inocentado dos seus erros do passado mesmo que recente. O descaramento tem destas coisas. O populismo alimenta-se dos erros dos outros.

    Há urgência em que o PS se prepare para governar brevemente. A coligação não aguenta, o país já desistiu. Preferia António Costa, ao invés de Seguro.

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