Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

A minha fotografia
Nome:
Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

domingo, março 03, 2013

Empreendedorismo e Agricultura Farmville




            Muitos se indignaram quando o Primeiro-ministro sugeriu a emigração como uma alternativa ao desemprego e à precariedade dos jovens. De facto, este governo tem sido exímio em declarações provocatórias. Há, contudo, políticos mais subtis. Quando um político desafia a juventude a ser empreendedora, no atual contexto social e económico, só está a reconhecer que nada pode fazer por ela. 

            Circula uma ideia errada acerca do que é ser empreendedor. Empreender não é só abrir uma empresa ou trabalhar por conta própria. Empreender é arriscar, é lutar pelos seus objetivos sem depender de alguém ou de uma entidade para os concretizar. Por isso, não há sombra de dúvidas de que quando alguém decide emigrar está a ser empreendedor. E esta geração é a mais empreendedora de sempre. Sair do país é uma decisão extrema que comporta riscos fáceis de imaginar. Mas basta um pequeno contacto no exterior, o domínio do inglês, e um CV bem elaborado, e a juventude portuguesa parte sem remorosos e, sim, com alguma esperança. “Mais vale a miséria de lá, do que a de cá”: este lema, cada vez mais repetido, ilustra bem a situação dramática a que chegamos. 

            Questiono-me se, mesmo sem crise, o movimento migratório que se verifica na juventude não teria lugar na mesma, pois a precariedade nos jovens tornou-se um fenómeno europeu. Esta geração, a mais bem preparada de sempre, não pode esperar por dias melhores para concretizar aquilo que sempre desejou ao longo dos seus estudos.

            Outra situação digna de registo é o chamado regresso à agricultura. O Ministério da Agricultura indica que mais de 200 jovens voltam para a terra todos os meses. Este é mais um exemplo de empreendedorismo que não espera pela sugestão de um político. No entanto, também aqui manifesto as minhas dúvidas. Haverá assim tanto jovem que de um momento para o outro se tornou especialista na arte de cultivar? Ainda há pouco, o que vinha logo à mente das pessoas quando se falava em cultivar era o jogo Farmville. Pela primeira vez, passou-se do virtual para o real, e não o contrário.

            O desespero e a impaciência têm levado a juventude portuguesa (e europeia) a tomar medidas difíceis e arriscadas. Muitas delas têm sido felizes. Infelizmente outra parte da juventude - de que ainda não se fala, mas que em breve será alvo de notícias - é aquela que saiu do país, mas que voltou de mãos a abanar. São cada vez mais as empresas estrangeiras, pressionadas pelos respetivos governos numa tentativa demagógica de controlar a xenofobia, a recusar trabalhadores estrangeiros qualificados. 

            Não consigo ver solução para este problema. Penso que a sociedade europeia- e, em particular, a portuguesa - está a sofrer transformações cujos resultados ainda não são percetíveis. Mas que Portugal não voltará a ser igual, isso não.

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial