Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Gli italiani sono stupidi?




            Na Europa, instala-se o temor relativamente às eleições legislativas de Itália. O fantasma de Berlusconi paira no ar e as sondagens alimentam o medo de ele ganhar as eleições e tornar-se assim Primeiro-ministro de Itália; uma vez mais. A campanha jornalística contra “il cavaliere” está ao rubro, mas acredito que o alvo está errado. Afinal, em democracia, quem é que escolhe os seus governantes?
            Este é que é o verdadeiro problema. Toda a vida de Sílvio Berlusconi é do conhecimento público, mesmo a mais sinistra. Não há segredos para a opinião pública; e, se os há, só podem ser piores do que aqueles que conhecemos. Em abono da decência, o empresário italiano não deveria voltar à vida política. Mas legalmente pode. Assim sendo, a moral transformou-se numa questão irrelevante. Sabendo os problemas legais e criminais que Berlusconi enfrenta, sabendo o tipo de empresário que é, o cargo que pretende ocupar permite-lhe tornar-se inimputável e, por isso, intocável. Se os italianos não percebem isso, não vale a pena culpar Berlusconi. Se ele vencer, quem deverá lamentar o sucedido serão os próprios italianos.
            Aliás, o mesmo acontece em Portugal. A polémica sobre a recandidatura de políticos que já cumpriram três mandatos à frente de uma autarquia apresenta algumas semelhanças com o que acontece em Itália. A lei sobre a limitação de mandatos em eleições autárquicas e regionais faz todo o sentido e é salutar para a nossa democracia. No entanto, querer estendê-la a todo o país é, no meu ver, errado. Mesmo que se critique a lei por ser dúbia, ela nunca deveria impossibilitar alguém de concorrer a uma autarquia onde não tenha exercido nenhuma função política, mesmo que tenha completado três mandatos consecutivos noutro concelho. 
            Em democracia, não se pode infantilizar os eleitores, tirando-lhes quaisquer responsabilidades sobre os seus atos, para garantir supostamente transparência e renovação políticas. Os eleitores devem ser levados a confrontar estas situações, pensando pelas suas cabeças: se aquele político pode fazer tão bem ou melhor do que no concelho anterior; se, numa questão mais bairrista, há legitimidade moral para este candidato, não pertencendo ao concelho, o poder chefiar; se deve dar oportunidade a outros candidatos mais novos e com menos experiência política. Estas são algumas das questões que os munícipes devem equacionar, decidindo com base nas suas respostas e inclinações políticas. 
A democracia deve responsabilizar os eleitores. Nas boas e nas más decisões. Uma boa democracia só funciona com um povo informado, instruído, esclarecido mas sobretudo livre para fazer as escolhas que entender. 
Nota: saúdo a resposta de Maria Teresa Amaral e Hermano Oliveira, no artigo do dia 8 deste mês, publicado no DI. Não sendo detentor da verdade absoluta, estava à espera que refutassem o meu artigo com dados concretos sobre o programa Oportunidades: absentismo, casos de sucesso e de reintegração social. No entanto, não passou de um texto repleto de bons princípios, cuja realidade trata de demonstrar que nem tudo o que idealizamos se concretiza. 
O princípio de tratar diferente quem é diferente nem sempre resulta. O Ensino Especial é de facto uma medida acertada para quem realmente é diferente. No caso dos “OP”, a diferença tem que ver com a situação socioeconómica e/ou familiar do aluno. Assim, a estratégia passaria por criar igualdade de oportunidades e não diferenciação que acentua ainda mais a situação dos alunos já de si desigual face à restante sociedade. Por isso, a DRE, para criar um programa que respondesse realmente ao problema desses alunos, precisaria de uma equipa multidisciplinar, com assistentes sociais, psicólogos e IPSS habituados a lidar com famílias carenciadas ou problemáticas. E, sim, o ensino vocacional é mesmo indicado para alunos com pouca consideração pela escola. Mas para isso, é preciso dar condições às escolas e orientações precisas sobre o que se pretende.
Tirar os jovens da rua é louvável. Porém, trazer os problemas da rua para a escola não resolve nada: de um problema passa-se a ter dois.

1 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

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