Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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segunda-feira, março 11, 2013

A Cimeira Atlântica – 10 anos depois



Estava uma manhã ventosa e fria no Domingo 16 de Março de 2003. A pista da Base das Lajes tinha ainda pouco movimento, contrastando com a azáfama vivida nos seus bastidores, mais concretamente no Clube dos Oficiais Americanos, local onde se reuniriam os líderes da Cimeira.

Às 11h30, chegava o Falcon da Força Aérea, vindo de Lisboa que transportava o Primeiro-ministro português. As cerimónias protocolares, à chegada de cada líder, foram apressadas e simples. Os quatro líderes da Cimeira levaram poucos minutos a fazer o trajeto entre o avião e o Terminal Militar. O último avião a aterrar, o Air Force One, chegara a horas (15H50). A meio caminho entre o Terminal Militar e o avião presidencial, estava Durão Barroso para receber George W Bush como o fizera anteriormente com José Maria Aznar e Tony Blair.

Durante o trajeto, George W Bush acenou para os manifestantes que se situavam fora da base, a cerca de 500 metros do local onde se encontrava. Ainda no exterior, nas escadas de acesso ao edifício, os quatro líderes cumprimentavam-se, possibilitando uma breve “foto de família” que iria imortalizar o dia da Cimeira.

Os quatro líderes reuniram-se à porta fechada com os seus principais colaboradores. George W Bush iniciou as conversações resumindo as razões por que se encontrava nos Açores: “Talvez se faça luz e Chirac concorde com a nossa resolução apadrinhada conjuntamente, mas não haverá negociações”, disse ele. O presidente americano deixava assim claro a sua posição de que a guerra era inevitável e teria início numa questão de dias. Tinha perfeita consciência do risco da sua decisão: “A opinião pública não ficará mais favorável e até piorará nalguns países, como no caso da América.” Tony Blair tomou a palavra informando os presentes de que Chirac através de uma entrevista dada à CBS, no programa 60 MINUTES, que iria ser transmitido nessa mesma noite, pediria que fossem dados mais 30 dias no Iraque aos inspetores de armas da Nações Unidas. Bush recusou veementemente, justificando que era uma tática de protelação. Segundo ele, a França recorria a todos os meios para adiar a guerra. Na sala, todos pareciam concordar. Fazendo um balanço dos esforços diplomáticos feitos até então, os quatro líderes concordaram em dar mais 24 horas à diplomacia embora tivessem consciência de que qualquer progresso nesse sentido seria muito improvável.

Reviram a Resolução 1441 da ONU para decifrar um ponto que lhes desse legalidade na entrada em guerra e consideraram que, em caso de incumprimento das suas obrigações perante a organização mundial, o Iraque sujeitava-se a sofrer “graves consequências”, o que, neste prisma, lhes dava autoridade em optar pelo conflito bélico. Em seguida, consideraram a hipótese de a França ou a Rússia apresentarem uma contra-resolução para adiar a sua proposta de guerra. Tony Blair estava incomodado, pois, segundo a sua perspetiva, um país que apresentasse uma nova resolução com essa pretensão só podia encarar esse ato como diplomaticamente hostil. Bush sorria porque nada o deteria das suas intenções e o encontro só servia na verdade para informar os seus parceiros mais chegados de que a decisão já tinha sido tomada. Para ele, o trabalho diplomático fracassara e até adiantara-se dizendo que seria preciso planear o futuro do Iraque após a guerra com as ajudas humanitárias e aproveitando o programa da ONU “oil for food”, que, como agora sabemos, foi um autêntico desastre com atos graves de corrupção no país e na própria organização. O encontro caminhava para o fim George Bush encerrava a discussão finalizando: “Temos de construir um consenso internacional para o Iraque, um novo Iraque, em paz com os seus vizinhos, e regressaremos às Nações Unidas para uma nova resolução, depois da guerra. A ONU pode ajudar em muitos aspetos mas não deve governar o país.” Deixava assim claro que seria a coligação a gerir o Iraque depois do conflito. “Vou ter de discursar”, continuava, “Vou ter de lançar um ultimato a Saddam”. O ditador teria assim 48 horas para deixar o Iraque.

A guerra durou nove anos. Depois da morte de 4.500 soldados americanos, 30 mil feridos, pelo menos 100 mil iraquianos mortos e um número incalculável de vitimados pela guerra por outras formas, em outubro de 2011, o presidente Barack Obama declarou o fim do conflito e anunciou a retirada dos soldados americanos ainda remanescentes.

Presentemente, o Iraque ainda continua instável e perigoso, mas já não é problema da América.

            Naquele dia, todos os olhares se fixaram na Terceira com a transmissão de emissões em direto nos principais canais de televisão do globo. Numa altura de profunda consternação por causa da redução da presença americana na ilha, evocar este acontecimento dez anos depois serve sobretudo para relembrar a importância geoestratégica dos Açores, nomeadamente da Ilha Terceira. 

1 Comentários:

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6:11 da manhã  

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