Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, junho 29, 2014

É sempre a mesma coisa com a Terceira




            Há situações que nunca mudam na Terra dos Bravos. Há problemas que, de tão recorrentes que são, já ninguém espera que sejam resolvidos, pois fazem parte da tradição local. Para citar aqueles mais mediáticos por dizerem respeito a um maior número de terceirenses: é o problema da SATA, da EDA, do centralismo micaelense, do trânsito em Angra e o problema das Sanjoaninas.

            O tempo vai passando, mas fica tudo como está. Fica-se pela crítica, singularidade bem portuguesa. Afinal, se os problemas fossem resolvidos, o que restaria para criticar? 

            Não há terceirense que não diga mal da SATA, a companhia de bandeira que em tempos foi orgulho dos açorianos. Não há terceirense que não tenha sido prejudicado pelos frequentes apagões da EDA, empresa pública cujo monopólio tem levado a abusos, e com complacência do Governo Regional. Não há mês em que a Terceira não é informada de que São Miguel é quem manda, sempre em nome do suposto desenvolvimento regional. Não há ano em que a polémica sobre o trânsito e a calçada de Angra não surja e não despolete um aceso debate, finalizado com a interrogação: “como tirar proveito do estatuto de cidade património?”

            Todos os anos, a tradição volta à linha. Festeja-se o São João e, claro, ouvem-se vozes a criticar o modelo das Festas das Sanjoaninas. Para não falhar ao expectável, o atual Presidente da Câmara sugeriu que era preciso rever o modelo das Sanjoaninas. Nada de anormal, a não ser a indelicadeza de proferir tais declarações ainda antes do início das Festas. Acabam e, como manda a tradição, faz-se discussão na Praça Velha ou através do principal jornal da ilha. Os anos passam e o resultado é o mesmo: blá, blá, blá, fica tudo na mesma (parece que este ano, sim, vai haver mudanças. Nos outros anos também foi assim).

            Provavelmente, deve ser defeito meu por não ter nascido nesta linda terra, mas já não tenho paciência para tais lamúrias. Participei nessas discussões, dei a cara e levei por achar que os problemas supracitados são reais e fundados. Aderi a movimentos e opinei sobre o assunto. De independente a militante partidário, não me resignei e lutei pelas minhas convicções por achar que a Terceira merecia mais e melhor. 

            Sempre acreditei – e ainda acredito - que estes problemas não surgiram do nada e que têm os políticos como principais responsáveis. Aqueles que nos representam a nível local e regional não têm servido convenientemente os interesses da Terceira. Por causa disso, usei o instrumento mais poderoso que uma Democracia pode fornecer aos seus cidadãos, a saber, o voto. No entanto, nada mudou. Os terceirenses, apesar das críticas e do desagrado que patenteiam ao longo do ano, preferem manter tudo como está no momento da ida às urnas. 

            Pelos vistos, impera um certo conservadorismo, na pior aceção da palavra. O receio de mudar sobrepõe-se ao descontentamento vigente. Prevalece o sentimento de que mais vale deixar no poder quem lá está do que dar oportunidade a outros. O sistema está inquinado, por mais abanões que se deem.

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