Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, maio 04, 2014

"Nós não nos enganámos, fizemos de propósito"




            Esta frase é da autoria do deputado socialista, Francisco Coelho, e foi proferida aquando do debate parlamentar para justificar a dedução das horas extraordinárias no âmbito da remuneração complementar. Após veemente contestação dos trabalhadores da EDA e perante a pressão crescente de outros setores profissionais, o Governo Regional pretende reavaliar a norma considerada injusta por toda a gente, menos pelo PS. Fica mal a arrogância do deputado, como fica mal a forma errante como o Governo Regional tem conduzido os Açores.

            Nos últimos tempos, a prepotência do Governo Regional e do PS só tem resultado em trapalhadas monumentais, provocando tensões perfeitamente dispensáveis entre os trabalhadores da administração e das empresas públicas regionais. 

            Do malogrado concurso de professores à polémica sobre a remuneração complementar; da ilegalidade de um diploma à falta de bom senso de um artigo (para não dizer má-fé), o PS falha nos aspetos mais básicos da governação, e, perante as evidências, custa-lhe admitir o erro. Após quase duas décadas no poder, esta atitude de prepotência não é de estranhar. O que é estranho é o sentimento de orgulho ferido, de ressabiamento, cada vez mais patente nas declarações e nas atitudes de certos socialistas no momento de dar o dito por não dito. 

            Não deve ser fácil para o deputado histórico do PS, Francisco Coelho, engolir este sapo, mas este Governo vai perdendo qualquer pingo de credibilidade na sua relação institucional com a oposição e com os parceiros sociais, porque assemelha-se cada vez mais a uma agência de seguros: doravante, todos os intervenientes deverão ler com redobrada atenção qualquer proposta de lei apresentada pelo PS. O princípio da boa-fé morreu e o diabo esconde-se nos detalhes.

            Perante estes recorrentes ziguezagues, como pode o PS afirmar que os outros é que estão impreparados? Como pode o PS achar que tudo o que faz está certo e que os outros estão errados? Como pode o PS sujeitar-se a si e ao governo a este vexame que é o de afirmar que tem sempre razão e depois corrigir o erro, mas nunca admitir que se enganou? 

            Num momento crucial para o futuro dos Açores, os açorianos já não confiam na palavra do seu governo. A situação é tão dramática que se chegou a um ponto em que a receita de atirar dinheiro para resolver os problemas já não serve. Não deixa de ser extraordinário observar que quanto mais o governo apoia as pessoas e as empresas, mais aumentam o desemprego e a pobreza.

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