Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, janeiro 26, 2014

Os políticos não criam empregos





                    É mais do que sabido que quem cria emprego são as empresas e os empresários. Porém, vivemos tempos excecionais. Nestes tempos conturbados, as empresas regionais vão fechando em catadupa, lançando milhares de pessoas para o desemprego. A crise chegou tarde aos Açores, mas chegou com uma força avassaladora. O Governo Regional tem tentado de todas as formas atenuar os efeitos da crise, mas o setor privado dos Açores encontra-se moribundo.


            A recuperação económica de qualquer país ou região passa pela dinamização das suas empresas, nomeadamente quando produz bens exportáveis, e, em consequência, pela criação de emprego. Há demasiado tempo que os Açores têm dependido exclusivamente das iniciativas do Governo para dinamizar a sua economia. A não ser algumas famílias abastadas que dominam certas áreas no mercado regional, qualquer outra empresa privada não consegue vingar ou resistir à atual conjuntura. Mesmo em termos de criação de emprego, se não fosse com o apoio do governo, através dos vários programas de incentivo à contratação, o flagelo do desemprego teria repercussões ainda mais dramáticas. 


            Para qualquer político, há um verdadeiro dilema: por um lado, sabe que não cabe ao governo ou às autarquias criarem emprego; por outro, tem consciência de que se não der um empurrão, as empresas fecham e a crise agudiza-se.


            Presentemente, passamos pela fase em que o Governo Regional dá o tudo por tudo para proteger as pessoas da miséria. Nos próximos tempos, veremos centenas de pessoas envolvidas em programas sociais para exercerem funções nas secretarias regionais, nas autarquias, nas juntas de freguesia e IPSS. Como se percebe, nada será produzido para ser exportado. Teremos uma espécie de economia “zombie” em que as pessoas trabalham, auferem um ordenado, mas pouco consomem a não ser o orçamento da Região. 


            Por isso, estes programas são uns meros paliativos. Pelo seu caráter temporário (duração de um ano), grande parte das pessoas que forem contratadas não exercerão uma função essencial. Será uma forma de as manter ativas, garantindo-lhes assim um “salário” ao fim do mês. Até lá, espera-se que algo aconteça que permita relançar a economia da Região, mas sempre com a mão do Governo.


            A economia dos Açores é demasiado focalizada na oferta pública, dependendo assim do poder político e sujeitando-se, deste modo, ao perigo da demagogia eleitoral. Em tempos de vacas gordas, não se conseguiu alicerçar uma economia sustentável, baseada no setor produtivo, como o agroalimentar ou o turístico. Chegamos ao ponto em que é praticamente necessário começar tudo de novo. E pior ainda, o atual poder político vê-se obrigado a renegociar direitos laborais que os trabalhadores perderam - como as 35 horas - ou a alargar a remuneração compensatória, por forma a abrandar a estagnação do consumo interno. 


            Torna-se difícil culpar quem quer que seja pelo que está a acontecer. São louváveis as iniciativas do Governo Regional em apoiar funcionários públicos e famílias que se encontram em situação difícil, mas ao mesmo tempo, com essas ações corre-se o risco de o setor público substituir-se ao privado, matando de vez a já tão débil economia açoriana.

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