Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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domingo, abril 13, 2014

Looking for a job


Sempre desconfiei das jotas. Lamento. Um partido político deve ser abrangente: não precisa de uma secção especial para jovens, para trabalhadores ou, pior, para mulheres. Qualquer partido que se preze é formado por pessoas de todas as faixas etárias, com os currículos  mais variados, vivências diversificadas e ambições de todo o género. Enquanto alguns elogiam o dinamismo das jotas, eu suspiro: nos tempos que correm, quanto mais se ouve falar delas, mais se percebe o desespero da juventude e da sua falta de esperança.

Como é que um adolescente ou um jovem adulto  tem já uma ideologia formada, uma pensamento político estruturado para afirmar com toda a certeza que se revê num determinado partido de Esquerda ou de Direita? A juventude faz falta à sociedade civil, não aos partidos políticos. 
 
A atividade política sempre se pautou pela guerra pelo poder, pelas manigâncias das alas, pela promoção individual a coberto de declarações pomposas sobre o interesse comum. Não sejamos ingénuos, muito menos hipócritas. A política é um combate de lama sobre um lençol de seda. 
 
Contudo, a política é essencial para a vitalidade de uma democracia que ser quer livre e esclarecida. Os partidos políticos continuam a ser um dos pilares da democracia. E a democracia ainda se mantém como o melhor regime político. Assumo-o: não gosto de jotas, mas aprecio e valorizo muito a política e os partidos.
 
Perguntem aos jovens que se iniciaram nas jotas e que agora são estrelas dos seus partidos se já estiveram inscritos num centro de emprego; se já mandaram currículos para empresas; se alguma vez foram a entrevistas, para além daquelas em que criticam os adversários e bajulam o líder. Perguntem-lhes se já sentiram na pele a angústia da precariedade. Como Portugal já tem quarenta anos de democracia e, consequentemente, atividade partidária, assistimos ao ingresso dos filhos de políticos, numa espécie de aristocratização da política, onde impera a casta e o nepotismo. As jotas puseram-se a jeito ao longo dos anos. Por mais que se queiram associar a iniciativas nobres, já ninguém acredita. Cheira a oportunismo bafiento.
 
Às jotas é dado todo o direito de se pronunciar sobre políticas para a juventude e as chamadas questões fraturantes. Mas ai daquele que se atreva a falar de temas de política geral ou que extrapole o seu raio de ação. Leva logo uma advertência dos mais velhos: "põe-te no teu lugar". 
 
Por isso, emociono-me quando vejo grupos de jovem integrados em associações desportivas, culturais ou até religiosas. Claro que a política está sempre presente e também existe rivalidades, por vezes pouco sadias. Contudo, o objetivo é simples e genuíno, desde organizar concertos,  iniciativas de solidariedade social ou até campeonatos de futebol. A boa-vontade, o espírito de companheirismo e o lado voluntário, sempre com a pitada de irreverência e de bom humor.
 
Numa sociedade aberta como a nossa, ninguém fica impedido de debater a política e os atores políticos. Numa sociedade aberta como a nossa, a sociedade pode ser melhorada fora do âmbito partidário, sem o recurso a jogatanas ou à facilidade das cunhas. 
 
Não faltam pais a incentivarem os filhos a enveredar pelas jotas com o propósito de arranjar um tacho, de alcançar uma vida mais fácil. Nem me atrevo a culpá-los, pois compreendo perfeitamente as suas razões.  
 
Na ânsia de angariar novos talentos, é ver os partidos a tentar aliciar jovens dinâmicos a ingressar nas lides partidárias. Desde o convite como orador numa conferência a um lugar numa lista eleitoral, ao jovem é-lhe sugerido abrir um blogue para dar as suas ideias e, claro, "bater" no adversário. Por fim, é-lhe dada a grande oportunidade de conhecer o líder e até fica com o seu número de telemóvel. Chega a casa feliz, perante o orgulho dos pais: "tem lábia o rapaz. Há de ir longe!"

A minha visão é assumidamente enviesada. Mas estes exemplos não são fruto da minha imaginação, antes pelo contrário, refletem uma prática muito comum em Portugal.

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