Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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sábado, maio 10, 2014

Cartão amarelo para Vasco Cordeiro




Sempre me fez confusão misturar a gíria futebolística com a oratória política. No entanto, vou tentar demonstrar como a declaração de Berto Messias (a de que os açorianos deviam mostrar um cartão vermelho a Passos Coelho) é tão absurda como achar que a crise termina no dia seguinte à saída da Troika.

            Por óbvias razões, não disponho da mesma cobertura mediática que o líder parlamentar do PS, Berto Messias. Contudo, aproveitando a indignação do deputado, vou fingir que os açorianos são uma cambada de atoleimados e pedir-lhes para que nas próximas eleições europeias deem um cartão amarelo, mas desta feita, ao Governo Regional dos Açores.

            António Guterres, enquanto Primeiro-ministro, cometeu a insensatez de se demitir devido ao mau resultado do PS nas eleições autárquicas de 2001. Abriu um precedente grave, porque uma democracia madura não mistura as consequências resultantes de umas eleições, muito menos as transforma em referendo. A não ser na ótica dos partidos mais radicais, ou então na de Berto Messias.

Fica mal a um político supostamente responsável acusar os outros de fazer politiquice e vir depois atiçar as pessoas para que sancionem nas eleições europeias um governo ou uma determinada política. O sufrágio deste mês de maio tem o simples propósito de eleger deputados europeus - no qual faz todo o sentido discutir, isto sim, a Europa e o seu desígnio. Tudo o resto não passa de um embuste, porque, na verdade, mesmo que o PSD e o CDS percam estas eleições, Passos Coelho não se demitirá. E ainda bem.

Depois do sacrifício dos portugueses, sabendo nós que, independentemente da saída “limpa” do Programa de Assistência Financeira, a Europa e os mercados manter-se-ão vigilantes em relação a Portugal, pergunto: faz sentido despoletar uma crise política neste preciso momento? 

Como disse atrás, cada eleição tem um objetivo preciso. E uma democracia madura, no quadro da sua Constituição, não pode contribuir para a instabilidade de quem obteve um mandato para cumprir até ao fim. Não obstante essa premissa, provocar eleições antecipadas deitaria por terra todos estes anos de sacrifícios. 

Mas vamos partir do princípio de que sim, de que os açorianos são bem capazes de cair na artimanha do cartão vermelho. Já que as eleições europeias servem para avaliar o governo, avaliemos então o nosso governo: o de Vasco Cordeiro.

Nos Açores, está tudo bem? O emprego, a precariedade, a mobilidade, a pobreza? Todos os problemas da Região são da única e exclusiva responsabilidade de Passos Coelho? Nada a apontar ao Governo Regional? Parece-me que sim. E acredito que não faltam açorianos zangados com Vasco Cordeiro. Vamos então castigar os socialistas nestas eleições. Já agora, caros leitores, aproveite este sufrágio para mostrar cartão ao seu presidente de Junta de Freguesia ou ao edil da sua Câmara Municipal. 

Pois; só se quisermos transformar a Democracia numa palhaçada…

Por isso, tenho um problema de consciência. Acho exagerado apelar ao cartão vermelho. O Governo Regional tem muita coisa má, mas também alguma positiva. Por isso, peço um cartãozinho amarelo, nem que seja para tirar do cargo o atual líder do grupo parlamentar socialista. A seriedade agradece.

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