Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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sábado, janeiro 21, 2012

O Ministro Álvaro, Pedro Bicudo e a Geração à Rasca



À primeira vista, nada poderia juntar estas três entidades. Mas, na verdade, existe um ponto em comum que as aproxima mais do que poderiam imaginar. Quer o Ministro, quer o Director da RTP Açores são emigrantes bem sucedidos nas Américas. Quanto à Geração à Rasca é simples: apesar de viver em Portugal, essa geração sente que o seu futuro passa por viver fora do país.

Na História de Portugal, não faltam emigrantes que deram um grande contributo para o progresso da Nação. É verdade que estas personalidades nem sempre se colaram à realidade porque criaram uma certa visão idílica do país, fruto dessa distância. Mas muitos mantiveram um contacto frequente, o que lhes permitiu ter uma perspectiva acertada e assertiva sobre a Pátria. O facto de conhecer duas culturas distintas possibilitou-lhes uma visão alargada e crítica que os nativos muitas vezes não conseguiam.

Para além da maioria que partiu por razões económicas, alguns portugueses tiveram de se exilar por razões políticas; outros abandonaram o país com amargura por não se sentirem devidamente valorizados.

Portugal sempre foi um país de emigrantes, por isso não é de estranhar que, actualmente, haja tantos portugueses a rumarem para o estrangeiro. A diferença é que desta vez a emigração insere uma juventude altamente formada e ambiciosa que se vai embora porque o seu país não lhe permite vislumbrar um futuro risonho.

Fala-se muito naqueles que emigram, mas muito pouco naqueles que regressam. O ministro Álvaro Santos Pereira e o jornalista Pedro Bicudo voltaram a Portugal com o intuito de ajudar o seu país. Não é comum convidar-se “emigrantes” para ocupar cargos públicos de responsabilidade e prestígio. Por isso, é com grande interesse que tenho observado a reacção dos notáveis da praça pública sobre estas duas personalidades.

Infelizmente, o que dantes eu suspeitava acaba por se confirmar: há muita gente a quem custa engolir que pessoas de fora possam ocupar cargos tão importantes e com tanto poder, porque existe a ideia preconceituosa de que apesar de serem portugueses já não “pertencem à pátria” e, assim, “perderam” o direito de intervir nos problemas da Nação. Para muitos, estes senhores não conhecem o país e a sua gente. No caso em concreto, quer “o Álvaro”, quer “o Pedro” não são avaliados somente pelas decisões que tomam, são também pressionados pelo facto de serem estrangeirados.

Nota-se que este sentimento resulta de um misto entre a inveja e o rancor. Não é fácil perceber esta amálgama de estados de alma porque muita gente admira o êxito de um português no estrangeiro, mas não admite a mesma situação dentro de portas.

Presentemente, não faltam vozes a desejar que o Ministro da Economia e o Director da RTP Açores sejam afastados dos seus cargos, não por razões de incompetência, mas por outras razões mais mesquinhas. Um emigrante que regressa tem sempre muitas dificuldades em reintegrar-se no seu país.

Por isso, muitos dos milhares de jovens, que de há alguns anos para cá foram saindo do país, têm como objectivo regressar mais tarde à Pátria. Muitos deles, pelo seu currículo, pela sua experiência de vida e pela sua ambição terão um papel fundamental no desenvolvimento de Portugal. No entanto, antevejo não só um regresso difícil como uma reintegração complicada. Não é fácil mudar as mentalidades dos portugueses de Portugal.

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