Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

sábado, janeiro 24, 2009

Paraíso Perdido II

Somos todos afro-americanos

A ascensão de Barack Obama ao cargo de novo presidente dos Estados Unidos não é só um momento único para a História, como também constitui um aviso sério aos ditadores e políticos incompetentes que abundam por esse mundo fora. Sim, é possível superar as adversidades da vida quando se é preto numa nação de brancos; sim, é possível criar esperança nas pessoas num momento particularmente difícil para todos; sim, é possível unir os povos para um mesmo ideal; e sim, é possível chegar ao topo pelo seu próprio mérito.

Por mais desajustadas que sejam as expectativas quanto ao próximo presidente americano, afinal ele não passa de um simples ser humano, vale a pena pensar que o sucesso de um político não depende só do seu carisma ou da sua fotogenia. O mais importante factor de sucesso, infelizmente menosprezado nos últimos anos, é o domínio intelectual de um político. Obama é, intelectualmente, brilhante e, num mundo cada vez mais corrompido pelos interesses pessoais, disfarçado por um discurso hipócrita sobre o mérito individual, saber que ainda é possível vencer graças ao próprio esforço e talento transmite ao mundo uma sensação de segurança e confiança necessárias num período tão conturbado.

Governo Regional vs. Ponta Delgada

Se há competição mais interessante nos Açores é aquela protagonizada pela Câmara de Ponta Delgada contra o adversário poderoso que é o Governo Regional. Se um aposta na dinamização cultural, o outro trata logo de fazer o mesmo com iniciativas que elevam a fasquia para um patamar nunca dantes visto. Se um aposta na construção de habitações, o outro trata de fazer estradas e rotundas sem fim à vista. Se um constrói um parque de estacionamento, o outro trata logo de fazer outro mesmo ao lado, numa tentativa de atiçar o adversário para uma guerra que parece interminável.

Não há dúvida de que a população de Ponta Delgada assiste a esta luta de titãs com um sorriso cúmplice no canto da boca, sempre ansiosa por assistir aos próximos desafios. Tudo isto não constituiria nenhum problema se esta região não tivesse nove ilhas, todas elas habitadas. Porém, isto não passa de um pormenor ou de uma dor de cotovelo. Como diz o povo: “E o resto é paisagem”.

Deputados-comentadores

Nos principais jornais da região, há um pequeno grupo de deputados, alguns deles futuras promessas dos respectivos partidos, que tem o privilégio de expor os seus pensamentos a uma arraia-miúda açoriana ansiosa por saber dos seus dizeres. Esses artigos de opinião representam o que de melhor se faz em termos de inovação intelectual. É vê-los a defender que os jovens devem ser activos numa sociedade global, que a actual crise deve obrigar os governos a reformular os critérios de transparência e fiscalização das instituições financeiras, que votar é importante para que a democracia se mantenha saudável, enfim toda uma gama de reflexões inéditas que só me faz pensar que devia existir um prémio para recompensar estes deputados. E que tal chamá-lo de Prémio La Palisse?

domingo, janeiro 18, 2009

Paraíso Perdido

O Presidente da Ilha
O Presidente do Conselho da Ilha Terceira, António Maio, deu uma entrevista ao Diário Insular. Para além do espanto que a sua existência provoca, pois existir um Conselho de Ilha ou não existir não é uma questão, mas sim a mesma coisa, António Maio foi particularmente indelicado e até boçal nas suas palavras, o que justifica em boa parte a razão da ineficácia deste órgão consultivo. Tal como um professor que faz o balanço do comportamento dos seus alunos, o presidente, alegando não querer entrar em “politiquices”, fazia as apreciações sobre quem se portava bem no Conselho e lá dizia que os conselheiros do PSD Aurélio da Fonseca e Humberto Machado primavam por uma postura exemplar, ao contrário dos deputados do PSD e do PP (Clélio Meneses e Artur Lima), com assento no mesmo Conselho, que não sabiam honrar esse cargo. Para quem esperava uma análise sobre os problemas da Terceira e sobre as opções que o Conselho iria propor ao Governo Regional, bem pôde virar a página do jornal, porque nada disso foi abordado.
Por um lado, compreendo o Presidente. OO que vale é que os cidadãos percebem que essas individualidades nada trazem de novo ou de positivo, por isso optam por tomar as suas próprias iniciativas. Nada Conselho de Ilha não devia ter nenhum político no seu órgão. Mas a Ilha Terceira não merecia também um presidente do Conselho como o actual. melhor que uma crise existencial para que a sociedade civil ganhe uma nova vitalidade.


Onde pára Álamo?
Novo governo, vida nova. No verão passado, foi aprovada com a maioria do PS, a legislação sobre a avaliação aos professores dos Açores. O ex-Secretário, Álamo Meneses, tinha sido seu arquitecto e, segundo os sindicatos da classe, nas negociações era uma pessoa de trato difícil e intransigente. Contudo, os deputados da maioria socialista, muitos deles professores de profissão, aceitaram o modelo de avaliação. O mesmo partido, com o mesmo presidente, ganhou as eleições e agora o processo de avaliação, mesmo que nunca aplicado, já não se adequa ao novo perfil deste governo. Incoerência ou medo das possíveis manifestações? Talvez seja simplesmente o reconhecimento de que o anterior modelo de avaliação era penalizador, injusto e mal elaborado. Ainda bem que, de vez em quando, há eleições para dar uma luz de bom senso aos políticos. Quem não deve ter gostado dessa brincadeira é o novo Secretário do Ambiente. Vá lá, agora é que está a desempenhar as funções para quais é mesmo entendido, palavras do presidente Carlos César.

“Isto é que é a América!”
Durante a campanha para as eleições regionais, o candidato do PS, Carlos César, dizia que um dos seus amigos de infância, agora emigrado, se espantava com o progresso que os Açores tinham alcançado na última década. “Isto é que é a América!”, declarava ele com entusiasmo. De facto, quem vive nas grandes cidades da região e sente já algum receio de sair à noite ou passe de carro pelos inúmeros bairros sociais, observando jovens adultos que não fazem nada durante o dia, com crianças ao colo, a trocar objectos suspeitos entre si, só pode estabelecer comparações com os subúrbios de Filadélfia ou de Chicago. Mas desta América ninguém a quer, nem mesmo os americanos. Por cá, parece ser sinal de progresso.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Um outro mundo


O ano de 2008 parecia vazio em termos de estreias cinematográficas com qualidade. Este filme é simplesmente fabuloso e um sério candidato aos Óscares para Melhor actor, melhor actriz secundária, Argumento, realização, caracterização/maquilhagem (não sei qual o termo correcto).




Um ano em grande para o casal Brad Pitt e Angelina Jolie.