Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

domingo, janeiro 27, 2008

Um paraíso em declínio


Ultimamente, à hora do telejornal, quando ligo a televisão no canal da RTP Açores, uma certa angústia cresce em mim. A notícia de abertura deixou de incidir sobre as novas apostas turísticas, as inaugurações de novos hotéis. Quando penso que se vai falar do mau tempo, com os aviões cancelados e os barcos que ficam nos portos, eis que uma nova realidade surge ante os meus olhos: casos de violência urbana e escolar; dominam a actualidade regional.



A violência tomou proporções preocupantes nos Açores. Alastra-se na sociedade como se de uma praga se tratasse. Desde os actos de vandalismo, como o incendiar de carros, à criminalidade mais violenta, que envolve assaltos em pleno dia, o arquipélago tornou-se uma das regiões mais inseguras do país. Dos responsáveis políticos não se ouve uma palavra que possa tranquilizar os açorianos. Confrontado com uma onda de violência que se verifica nas escolas da Terceira, o Secretário Regional da Educação, Álamo Menezes, limitou-se a dizer o óbvio: eram casos pontuais e identificados. O pior, nestas situações, é quando se espera que de casos pontuais se transformem em casos recorrentes para aí demonstrar alguma preocupação. Aos governantes não lhes ficava mal manifestar a sua preocupação e a sua vontade em resolver o problema. A questão da insegurança resolve-se com medidas eminentemente políticas.



Algumas autarquias decidiram criar um conselho para a segurança com o intuito de detectar a origem do problema e de o resolver. Chegaram à conclusão de que muito se deve à falta de agentes da autoridade. O próprio Presidente do Governo Regional interpelou o Ministro da Administração Interna para que destacasse mais agentes para o arquipélago. No entanto esta medida avulsa não resolve nada. A hipótese de criar uma polícia municipal para libertar os actuais agentes da autoridade para funções de campo e que tenham mais a ver com a ordem pública parece mais adequada, pois funções como as do controlo dos parquímetros, por exemplo, só menorizam os polícias.



Mas há uma questão mais delicada e mais difícil de resolver que explica, em grande parte, a razão do aumento da criminalidade nos Açores. A região tem um alto índice de pobreza. Apesar do progresso económico ser bem visível, apesar de ter um PIB muito alto para a média nacional, o arquipélago continua a ter gente em condições de extrema pobreza, a qual não se compreende nesta era socialista. Alias, cada vez que o governo socialista apresenta medidas para combater a pobreza e as desigualdades sociais, o efeito é contrário! Não faltam exemplos: rendimento social de inserção que tornou as pessoas mais dependentes e as conduziu à inutilidade; bairros sociais que se transformaram em guetos e refúgios para o tráfico de estupefacientes; combate à toxicodependência que, de certa maneira, legalizou o consumo sem diminuir o flagelo; oportunidades no ensino para os alunos problemáticos que só os isolou e os colocou à margem da sociedade.



Na minha opinião, o governo socialista não acerta uma em termos de políticas sociais. Prova disso é que agora o que se discute é o facto de algumas cidades como Nova Iorque serem mais seguras do que a cidade de Ponta Delgada. Essa dói. Dói, porque a população dos Açores não chega aos 400 mil habitantes espalhados em nove ilhas e não se vê forma de acabar com esta vergonha. Dói porque a região precisa do turismo e, com esta situação, mais vale parar de gastar dinheiro à toa em BTL ou outros eventos semelhantes. Dói, porque aqui toda a gente se conhece e sabe quem anda a dar cabo deste paraíso, transformando-o num inferno. Finalmente, dói porque os governantes preferem pegar numa pá e lançar a primeira pedra de um qualquer edifício ao invés de pegar num machado e cortar o mal da insegurança pela raiz.

domingo, janeiro 20, 2008

Maravilhoso mundo velho



Com o progresso da medicina e das tecnologias ligadas às ciências da saúde, a esperança de vida aumentou substancialmente. Porém, estes progressos não chegam a todas as pessoas; o mundo actual apresenta discrepâncias, algumas delas escandalosas, havendo países com uma esperança de vida ainda muito baixa. Nos países mais ricos, uma outra questão coloca-se: viver mais tempo não significa necessariamente viver melhor. Se dantes se falava na terceira idade, há quem defenda que actualmente exista uma quarta idade.



Até onde a ciência irá no prolongar da vida – ou no adiar da morte –?



Enquanto adolescentes sonhamos em tornarmo-nos independentes, fazendo o que queremos sem precisar de dar satisfações às pessoas, nomeadamente aos pais. A realidade obriga-nos a respeitar e seguir regras que com o tempo e a chegada à vida adulta nos conforma e nos encaixa numa sociedade livre, mas acompanhada de direitos e deveres. A pressão social obriga-nos a estarmos constantemente a par das novas tendências culturais, das informações, das novas leis, das tecnologias de comunicação. O progresso tem um custo enorme e ainda não calculado em termos de stress que provoca sub-repticiamente nas pessoas. Quando uma pessoa pede algo, já a quer para ontem. Por isso, o provérbio “Nunca deixes para amanhã o que podes fazer hoje” é tão certeiro neste século da globalização.



Nas sociedades mais desenvolvidas, onde se cultiva o espírito carpe diem, o gozar cada dia como se fosse o último, há um consenso silencioso: quanto mais tarde vier a morte melhor. Todos nós temos medo das doenças; todos nós nos revoltamos com as mortes estúpidas em acidentes de viação; todos nós nos emocionamos quando um pai enterra um filho; todos nós temos medo de ficar velho e inútil. A morte, esta maldita personificada por Saramago, é aquela que queremos adiar não para amanhã, mas para sempre.



A eternidade sempre preencheu o imaginário de cada um. A medicina trata de curar males, como participa nesse adiar sine die da morte. Ao chegar à velhice, as pessoas voltam a uma segunda infância. Tornam-se dependentes novamente. Algumas já não são capazes de se alimentarem sozinhas como até precisam de fraldas. Quando nos contam que na sua juventude aquela pessoa era uma atleta, ou que trabalhou duro no campo, quase não acreditamos de tão debilitada que a vemos. Mas tem quase 100 anos; tem um século de vida! Não importa que já nem sequer reconheça a sua família. Tem um século de vida!



Olhando para o espelho, algumas rugas configuram a face, marcando a passagem do tempo. Cabelos brancos aparecem do nada. Análises médicas de rotina mostram que é preciso ter cuidado com a alimentação. Na televisão, faz-se a apologia do deitar cedo e cedo erguer, dos cremes rejuvenescimento e das dietas. Para quê? Simplesmente porque recusamos o único futuro que conhecemos de antemão: o da velhice. Recusamos o facto de que um dia possamos usar novamente fraldas. Recusamos que um dia possamos ser chatos como alguns velhos que conhecemos. Ao invés, sonhamos com viagens à volta ao mundo em excursões graças ao dinheiro da reforma merecidamente ganho. Esperamos que até chegar a nossa vez, a ciência tenha encontrado uma vacina milagrosa que nos permita viver mais um bocado.



Existe uma diferença entre aumentar a esperança de vida e a qualidade de vida. De que serve viver acamado para lá dos cem anos? De que serve uma medicina que prolonga a vida, mas cuja contrapartida seja o de estar ligado a uma máquina? Como aceitar que um dia alguém tenha que me dar comida à boca? Como conviver com o facto de que um dia nem sequer reconheça a minha filha ou os meus netos? Nem sempre a ciência contribui para a felicidade das pessoas.



Envelhecer pode ser triste se o associarmos ao medo de um dia termos de partir deste mundo. Aceitar a morte leva tempo, mas depende sobretudo da forma como aproveitamos a vida. Se esta for devidamente bem preenchida, se deixarmos quem prolongue a nossa memória e o nosso sangue, se tivermos amado o suficiente, sem deixar ódios ou ressentimentos minar o nosso percurso de vida, no final, quando a morte nos chamar, iremos sorrir para ela e dar-lhe a mão.

sábado, janeiro 12, 2008

As juventudes partidárias


Durante o seu périplo europeu, o polémico líder da Líbia, Khadafi, tentou dar uma lição às democracias europeias sobre os direitos do Homem. Farto de o questionarem permanentemente sobre as suas políticas ditatoriais, contra-atacou a imprensa ao interrogar-se sobre as razões que levarão jovens franceses oriundos da imigração a vandalizarem e a incendiarem carros. Nas periferias francesas, os jovens das “banlieues”aclamaram o discurso, fazendo de Khadafi um novo herói.



Esta reacção mostra o quanto estes jovens andam alheados da história moderna e o quanto são influenciáveis perante o primeiro demagogo que apareça a defendê-los. Deviam pensar que se vivessem na Líbia os seus actos de delinquência seriam provavelmente condenados com penas muito mais graves ou que, aliás, nem teriam lugar pois, naquele país, a liberdade é como a água: há falta dela.



Pensando na juventude europeia, nomeadamente a portuguesa, também não se pode dizer que, apesar de dispor de todos os meios tecnológicos possíveis, ande muito informada nem que seja mais culta do que a juventude libiana. E quando se fala em política ou intervenção cívica o distanciamento ainda é maior. Contudo, alguns jovens são politica e civicamente muito activos pertencendo ou a partidos políticos, ou integrando-se em associações culturais e humanitárias. Mas quando vejo jovens com bandeiras em punho, ao lado de um político de renome, a gritar pelo partido tenho um sentimento de desconfiança que me leva a interrogar-me sobre as juventudes partidárias e sua razão de existir.



A primeira dúvida reside na ideologia política. Ela existe e define todo o pensamento de um indivíduo. Desde os ideais comunistas aos dos democratas-cristãos, a visão do mundo e do cidadão é bem diferente. Como se pode ter esta visão do mundo já definida quando os jovens ainda se encontram numa fase aprendizagem, de formação de personalidade? Alguns deles revelam uma paixão clubística por um partido como se se tratasse de um clube de futebol. Com o tempo, acabam por mudar de partido por simplesmente ter encontrado o seu verdadeiro “eu” político. José Sócrates é testemunha directa dessa vivência e mudança de posição.



As juventudes partidárias têm tido um papel bem definido dentro de um partido, mas muito limitativo em termos de força de expressão e liberdade de intervenção. Às juventudes, supostamente, cabe-lhes a irreverência e os temas adequados a um discurso dito fracturante. Por isso, tornou-se comum vê-los falar sobre a legalização do aborto, das drogas, dos casamentos homossexuais, etc. São questões relevantes mas não são as essenciais, reduzindo assim a pertinência da sua acção cívica. A educação, o emprego, a habitação, a globalização são temas que passam ao lado do discurso juvenil e, quando abordados, têm pouco impacto junto das pessoas. Exemplo disso foi quando a Juventude Socialista defendeu o referendo popular relativamente ao Tratado de Lisboa. José Sócrates não gostou de tal impertinência e tratou de dar um puxão de orelhas. Como se vê, há mais disciplina num partido político do que numa escola; sinais dos tempos.



Deste modo, as juventudes partidárias acabam por ser instrumentalizadas; boas para distribuir panfletos e fazer barulho pelas ruas aquando das campanhas eleitorais. A verdadeira discussão política, programática dos jovens, quando ela existe, é completamente abafada e quando se torna inoportuna ou ameaçadora para o partido é anulada por promessas de lugares em cargos públicos. Não é propriamente num partido político onde se aprende o que é a Liberdade. O que se aprende é o lado mais negro da democracia: influência dos votos, luta pelos lugares, jogos de bastidores e, por vezes, sacanice que alguns pretendem apelidar de determinação ou ambição política.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Uma reportagem na SIC mostra que os discos com música infantil vendem mais do que os artistas musicais nacionais e internacionais.
A jornalista explica que as crianças querem os CD's originais, pois não gostam de pirataria. Reconheço que uma caixa de CD com um livrinho colorido no seu interior possa atrair uma criança. Aliás, basta dar-lhe uma rolha para que se tenha dez minutos de descanso com ela ocupada a manejar o dito.
No entanto, quem compra são os pais e a verdadeira diferença consiste unicamente no preço. A diferença entre um CD de Vicky, o golfinho e de Pedro Abrunhosa é abissal.
Falo com conhecimento de causa.

A Associação dos Professores de Francês agradece ao senhor ministro Mário Lino por ter mais contribuído para a divulgação da língua francesa do que a embaixada francesa em Portugal:

Alcochete jamais!

terça-feira, janeiro 08, 2008

Gostava de ver Barack Obama e Hillary Clinton juntos a proclamar ao mundo que Obama será candidato a presidente tendo Hillary como vice-presidente.
A vitória dos democratas seria retumbante.
Como colocar uma mulher tão forte e tão carismática em 2º lugar? É possível se de facto eles acreditam nos americanos e nos seus objectivos políticos que são em grande maioria similares.
Quanto à guerra do Iraque. Ou Hillary teria de se resignar face à posição de Obama quanto à retirada das tropas, ou então Obama teria de impor um timing preciso no processo de retirada (o que seria bem melhor e mais responsável). Uma espécie de meio-termo que não deixasse o país tão mal visto como o é actualmente.

domingo, janeiro 06, 2008

Um presidente em apuros


A cidade de Angra do Heroísmo deve ter sido das únicas cidades do mundo em que fogo de artifício começou uns bons minutos antes da meia-noite. Podia tratar-se de uma falha técnica, de um erro de timing, mas quando sabemos que 2007 foi um “annus horribilis” para a presidência camarária, chegamos à conclusão que o verdadeiro objectivo foi o de despachar o ano que findou com esperanças de que 2008 seja bem melhor para a Câmara Municipal de Angra, nomeadamente para o seu presidente.



Como prova desse desejo imperioso de mudança, o Presidente da Câmara de Angra, José Pedro Cardoso, deu uma entrevista bastante honesta mas pouco recomendável para um político que pretende continuar nos desígnios de uma Câmara. Ao fazer o balanço dos seus dois primeiros anos de mandato, José Pedro Cardoso praticamente desculpou-se pelo facto de Angra se encontrar num regime de autogestão, sem apresentar obras significativas, nem novidades em termos de políticas para fazer progredir a cidade. Aliás, ao fim destes anos todos, só agora é que a edilidade vai pensar em como capitalizar o potencial turístico da cidade enquanto Património Mundial da UNESCO. Se olharmos para o centro da cidade, para os prédios devolutos, para aqueles edifícios que vão sendo roídos aos poucos pelas térmitas e cujos preços no mercado imobiliário não valem nem metade do que é pedido, é de reconhecer que há um enorme trabalho a fazer para que Angra não só seja um atractivo turístico como também não perca o seu estatuto no seio da UNESCO.



A cidade de Angra, tal como as outras, tem imensas dívidas que estão a ser pagas aos poucos. É óbvio que uma câmara endividada é um mau exemplo para a sociedade e prejudica o desenvolvimento local. No entanto, ser-se eleito mediante promessas eleitorais que não são cumpridas, actuando como um mero gestor, sem carisma, que não transmite uma ideia forte de liderança aos seus munícipes, só pode resultar num fracasso político que será penalizado nas próximas eleições autárquicas. Se não fosse assim, então para que serviria um presidente de câmara?



Enquanto pessoa, José Pedro Cardoso tem o mérito de ser frontal e humilde ao reconhecer que as coisas não lhe estão a correr de feição, valendo-lhe assim uma certa empatia por parte das pessoas. Mas na vida política, há “tubarões” sempre à espera de deslizes como esses para preparar a sua sucessão.



Há uns meses atrás, escrevi que haveria a possibilidade de ocorrer uma espécie de golpe palaciano em Angra, por causa de um deputado socialista que, de certa forma, tinha retirado a confiança política ao presidente. Enganei-me; o presidente mantém-se no lugar. Contudo, o que está a acontecer leva a imaginação a pensar o pior. Deixar a câmara neste impasse político, fará com que a reeleição se torne difícil, daí o PS estar a preparar-se, nos bastidores, para uma sucessão forçada. Nas próximas eleições autárquicas, o PSD/Açores tem uma oportunidade de ouro para conquistar esse lugar há muito perdido. Dependerá de quem for escolhido para representar o partido. Não há dúvidas de que o candidato laranja terá de ser alguém que simbolize a ruptura com os padrões políticos em todos os sentidos. Só uma “lufada de ar fresco” poderá acabar com o marasmo em que Angra se encontra.



No entretanto e bem distante destes problemas locais, Carlos César fará esta semana, em Angra, o anúncio oficial da sua recandidatura ao cargo de Presidente de Governo Regional. Será interessante ver a aclamação dos seus súbditos terceirenses, uns com a esperança de se manter no lugar atribuído, outros sonhando com uma futura promoção pela sua devoção ao partido socialista. No meio, talvez apareça um potencial candidato a candidato do PS para a câmara para o respectivo beija-mão. Mas isso está no silêncio dos deuses do Palácio de Sant’Ana.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Tem sempre o seu lado simbólico o facto de ter sido uma jovem de dezasseis anos a ter o primeiro bebé português do ano 2008.