Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

domingo, abril 28, 2013

Isto vai aquecer




Um novo período eleitoral avizinha-se. Por serem de cariz local, as eleições autárquicas levam o fervor partidário ao rubro. Na Terceira, como nos Açores, o domínio autárquico do PS é avassalador e sufocante. Será que a estratégia de culpar Passos Coelho por todos os males do país vai também ser utilizada pelos candidatos do PS para justificar os problemas das respetivas autarquias?

Na Terceira, já temos nomes. Relativamente ao candidato socialista para Angra, mais do que saber quem vai encabeçar a lista, importa conhecer os restantes elementos, pois, à luz da história recente, o principal candidato tem por hábito desistir da Câmara. Com isto, não está em causa a pessoa de Álamo Meneses, cujo currículo político fala por si. O que está em causa é o PS que, com os seus experimentalismos, tem demonstrado pouca consideração por Angra. Nunca será de mais relembrar que, ao longo dos últimos anos, o PS fez o quis com os seus candidatos eleitos, não tendo pudor nenhum em “afastá-los” do lugar quando as coisas corriam mal. Parafraseando o lema do Congresso do PS: “É tempo de mudar”.

Segundo a imprensa, António Ventura volta a candidatar-se à presidência da cidade-património pelo PSD. Apesar de não ser costume um candidato derrotado concorrer novamente, António Ventura é conhecido pela sua perseverança. Por isso, esta solução não surpreende. Se há quatro anos tivesse ganho, Angra teria sido bem servida, por isso não há razões para deixar de o ser em 2013. É a lógica da resiliência política. Do lado do CDS, o mistério ainda paira no ar. Mas, nas últimas eleições, Artur Lima fez um combate político aguerrido e conquistou uma parte substancial dos votos dos angrenses. A soma de votos dos dois partidos de Direita chegou a ultrapassar a votação socialista. Daí a imprensa adiantar a possibilidade de coligação PSD/CDS. 

Esta hipótese é um desafio extraordinário se atendermos às personalidades de António Ventura e de Artur Lima. Como consensualizar propostas e posições entre os dois? As coligações obrigam a uma flexibilidade na atitude e nas ideias bastante complicada. Mas não há dúvidas de que ambos são reconhecidos por serem acérrimos defensores da ilha Terceira. Assim sendo, se conseguem dirimir as suas diferenças e criar um programa eleitoral para uma única candidatura, só pode significar que os interesses de Angra serão colocados no topo das prioridades. 

Do lado da Praia da Vitória, o tabu foi criado à volta da recandidatura de Roberto Monteiro, que tem tido um final de mandato difícil (a última conferência de imprensa na qual ameaçou processar os órgãos de comunicação social que lhe fizessem frente foi muito infeliz). Perante esta indefinição, surge esta hipótese, mesmo que remota: o PS tem receio de apresentar uma alternativa, por isso irá reconduzir o atual presidente, conquistando mais uma vitória, para posteriormente o substituir. Na política, há modas que pegam.

Judite Parreira é candidata pelo PSD. Atualmente deputada na Assembleia Regional e presidente da concelhia dos laranjas na Praia, Judite Parreira é a candidata natural do partido. Isto porque o anterior candidato, Berto Cabral, terá declinado recandidatar-se, invocando razões pessoais.

Em conversa com a candidata, disse-lhe que o PSD não devia apresentar candidato nenhum tendo em conta o montante das dívidas contraídas pelo atual executivo. Mas entre o que uma pessoa acha e o que deve ser vai uma grande distância: Por isso, o PSD irá concorrer de cabeça erguida com o objetivo de superar o desaire das últimas eleições. E é bom perceber que se muita coisa foi feita na Praia da Vitória, não foi infelizmente possível incutir mais dinamismo económico e social ao concelho. Por mais que se tenha apostado em infraestruturas, os seus benefícios, nalguns casos, têm tido pouco proveito - sem falar das empresas municipais que se transformaram em autênticos bunkers do PS, onde grassa caciquismo do pior. Com a crise e o problema crescente da Base Americana, a política exige um novo paradigma para o desenvolvimento local, focando-se principalmente no combate ao desemprego e à pobreza, isto é a coesão social. 

Nos próximos tempos, muita tinta ainda vai correr e com isso muita guerrilha política. Esperemos que haja bom senso para que se gaste o mínimo possível em campanha. Os contribuintes depenados agradecem.

terça-feira, abril 16, 2013

Os atentados de Boston

Penso que é cada vez mais certo que se trata de atentados terroristas.

Só espero que não seja um novo grupo terrorista com um novo ideal até agora desconhecido.

 Mas que cheira a isso...

Onde para o Diretor Regional da Cultura?

O roubo dos canhões serviria de motivo para ouvir aquele que chefia o pelouro da cultura nos Açores. 

Mas nem isso. O facto de a nomeação em si ter tido contornos poucos claros ajuda a perceber a quase inexistência desse senhor. 

segunda-feira, abril 15, 2013

Com slogan destes...


"Fazer férias é constitucional"


Eis o nível de promoção turística a que os Açores chegaram.

Fantástico


Emigrante cria bolsas para alunos da UAç



"Foi assinado um protocolo de cooperação entre a Universidade dos Açores e o engenheiro Armindo Louro, luso-americano nascido em Pombal e empresário de sucesso do setor da construção civil no Estado de Massachusetts, nos Estados Unidos da América, para criação de bolsas de estudo Dr.ª Conceição Araújo Oliveira Louro, para apoiar alunos dos primeiro e segundo ciclos do ensino superior com dificuldades económicas e premiar o desempenho académico dos estudantes que se distinguirem com média de dezassete valores."

Açoriano Oriental de hoje

domingo, abril 14, 2013

Os grevistas da SATA




            Até há pouco tempo atrás, condenava a data que os funcionários da SATA tinham escolhido para fazer greve. Condenava até ver as manchetes do Açoriano Oriental dos dias 12 e 13 deste mês. Agora, apoio os grevistas e acho até que deveriam prolongar os dias de greve.

            Num texto que mais parece um artigo de opinião encomendado pela administração da SATA ou, pior, pelo próprio Governo Regional, o jornal, ostentando o título “grevistas da SATA ganham ordenados de luxo”, indica os salários dos funcionários com o único objetivo de incendiar a opinião pública, “esquecendo” o motivo da greve e esta coisa absolutamente inacreditável que é uma companhia aérea regional não acatar um memorando de entendimento assinado pelo Governo da República e as restantes companhias aéreas nacionais justamente por causa do tipo de serviços que fornecem à Nação. A manchete do dia seguinte: “População indignada com a greve”. Meia dúzia de pessoas ouvidas transforma-se em todos os micaelenses (as outras ilhas não contam, como é hábito) revoltados com a “chantagem” dos grevistas. Para o linchamento público não existe melhor método.

            O GACS já existe para a propaganda do governo. Não havia necessidade de um dos melhores jornais açorianos alinhar num golpe tão baixo que consiste em virar a população contra os trabalhadores.

sábado, abril 13, 2013

Como perdoar caloteiros




Da Câmara Municipal de Angra nasceu uma ideia brilhante que irá revolucionar as políticas públicas de ação social. Até os partidos de Direita apoiaram a iniciativa, não pelo valor em si, mas pelo embaraço que significaria a sua reprovação. A isto se chama demagogia. Lamentavelmente. Na verdade, a iniciativa de substituir o pagamento de rendas sociais em atraso pela prestação de trabalho comunitário é incompreensível à luz do respeito pelos princípios básicos de solidariedade social e sobretudo da decência. 

            Obviamente que o que escrevo não passa de uma opinião. No entanto, não deixo de condenar esta iniciativa e de me distanciar dos meus companheiros de partido. Quando a Câmara estabeleceu contratos de arrendamento social, fê-lo como se faz com qualquer contrato de arrendamento. Em caso de incumprimento por qualquer uma das partes, haveria consequências devidamente previstas na lei. O problema, que não só abrange Angra como grande parte das autarquias a nível nacional, é que, pelo facto de as rendas serem tão baixas (entre 5 e 100 euros) e pelo facto de essa franja da população ser relevante no momento do voto, nunca houve intenção de punir quem deixasse de pagar. E é público que alguns inquilinos não pagam há anos. 

            Se as câmaras tivessem sido rigorosas desde o início no cumprimento do contrato, não teriam chegado a tal situação - em Angra, a soma das rendas em atraso rondam os 300 mil euros. A Câmara de Angra deveria ter procedido a um plano de pagamento de rendas em atraso com a cooperação do Governo Regional e da Segurança Social - pois muitas famílias beneficiam de subsídios -, mas nunca ter recorrido ao perdão (porque é disso que se trata) em troca de trabalho comunitário. O trabalho comunitário não substitui o dinheiro que uma autarquia deve auferir por este tipo de apoio social. Não há moralidade nenhuma em usar o dinheiro dos contribuintes para construir casas e, a seguir, deixar pessoas lá viver à borla em troca de uns biscates. 

Com esta crise, quantos açorianos já tiveram de entregar as suas casas ao banco por não aguentar com as prestações de crédito; quantos terceirenses tiveram de mudar de casa por não suportar a renda contratualizada; quantas famílias de Angra tiveram de emigrar para pagar as suas dívidas? Angra criou um precedente grave: por um lado, temos alguns cujo dever é cumprir, custe o que custar; por outro, temos outros abençoados pela legalização do calote. 

            O mais ridículo nisto tudo é que, se as eleições autárquicas não estivessem à porta, esta solução nunca existiria.

quarta-feira, abril 10, 2013

Nem tudo corre mal com este governo


Um emigrante de sucesso:


Oprah e Diogo Morgado partilham cachorros quentes

domingo, abril 07, 2013

Lições de empreendedorismo da América




1. Não deixa de ser irónico que o Governo Regional que tanto tem pugnado pelo empreendedorismo dos jovens veja agora um conjunto de empresários americanos a dar-lhe dicas de como aproveitar os seus recursos para a criação de emprego.

            O que mais custa e irrita relativamente ao grupo de empresários americanos que estudou o potencial económico da Terceira foi ter tirado as mesmas conclusões já tecidas por académicos e empresários açorianos. Em 2004, o economista Mário Fortuna falava sobre o potencial dos Açores para o teletrabalho, nomeadamente os call centers, que não depende de distâncias geográficas. Há anos que empresários do turismo e a Câmara de Comércio de Angra falam no subaproveitamento do potencial turístico norte-americano. E não se referiam somente ao turismo da saudade já de si tão mal explorado. 

            É bom que este assunto, tão importante para o futuro da Terceira, seja acautelado diretamente pelo Presidente do Governo Regional, pois, segundo as conclusões do relatório, o impacto positivo das medidas apresentadas até pode extrapolar a Terceira, fomentando emprego e dinamismo económico noutras ilhas. Esperemos que a Região crie uma comissão de acompanhamento constituída por políticos, empresários e académicos de modo a que a República não interfira demasiado no processo. 

            Todas as outras medidas são um contributo interessante que devem ser aproveitadas porque não existe alternativa. Muitos dos atuais trabalhadores mais antigos da Base serão devidamente compensados com boas indemnizações e muitos outros manterão os seus postos de trabalho, mas a maior parte irá para o desemprego. O relatório apresentado pelo grupo BENS pode dar um novo fôlego à economia da Terceira, indo para lá do mero ressarcimento financeiro por causa da redução de efetivos militares na base americana. Aproveitemos esta janela de oportunidade.

            Quando, em 2006, os americanos desativaram a sua base sediada na Islândia, para além das indemnizações aos 900 trabalhadores islandeses, não consta que tenha havido por parte da Administração americana grande preocupação em acautelar o futuro daquela ilha.

2. A metafísica dos comentadores políticos

            Há muito que a “ciência” da comunicação social concluiu que não existe independência ou imparcialidade total no jornalismo. Há sempre uma perspetiva ou abordagem da notícia feita, consciente ou inconscientemente, pelo jornalista. Nos últimos anos, a proliferação de empresas de comunicação social, por via da imprensa, rádio e televisão, veio enriquecer o panorama do jornalismo como também a sua qualidade - ao contrário do que se diz por aí. A nova moda dos políticos-comentadores vai ao encontro dessa evolução.

            Por uma questão de moral e até de credibilidade dos canais de informação, há quem conteste a aposta dos canais de televisão em contratar políticos para comentar a atualidade política. Contudo, o impacto e as audiências desses mesmos comentadores junto da opinião pública revelam o contrário. Afinal, as pessoas precisam de os ouvir. Os seus comentários tornam-se motivo de notícias e são replicados pelos outros canais de informação, tornando-se a seguir tema de debate por comentadores e jornalistas (não haverá surpresa quando, daqui a uns tempos, Miguel Relvas incluir o rol de comentadores). Os partidos perceberam que esta é outra forma mais subtil, mas poderosa, para fazer combate político e promover a sua mensagem.

O jornalismo político evoluiu. Ainda bem. E não se trata de um fenómeno exclusivamente português. Noutros países, o mesmo acontece. É uma questão de moda, mas sobretudo de necessidade, desde que o número de canais televisivos de informação por cabo aumentou por todo o mundo. 

No entanto, os órgãos de comunicação cometem o mesmo erro ao querer fazer-se passar por pluralistas. Ninguém irá ouvir políticos-comentadores para formar uma opinião sobre determinado assunto, muito menos para aceder a contraditórios. As pessoas irão ouvir o que lhes interessa e concordar com quem se identificam. Com uma opinião relativamente formada, os telespetadores usarão os argumentos do político-comentador para dar maior sustento às suas ideias previamente concebidas. Nesse aspeto, a política e o futebol têm muitas semelhanças.