Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

A minha fotografia
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Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

sábado, maio 30, 2009

Paraíso Perdido XVIII


César 8 e 80
Quem é o português que não gosta de ver os seus emigrantes homenageados por um governante? Obviamente, ninguém. Porém, as homenagens nem sempre são abonatórias para quem as faz. A visita do Governo Regional às Américas não tem sido pacífica nem consensual. Se o momento não foi o mais oportuno devido à crise e ao consequente mau exemplo que o governo regional dá às pessoas, Carlos César também não ajudou nalguns discursos que proferiu. Mas será mesmo inconveniente ou até proibido comentar essa viagem de uma forma menos positiva?

Nunca será demagógico defender que esta não é uma boa altura para tal extravagância, pois uma deslocação dessas não implica só fretar um avião da SATA. Há toda uma logística adicional que implica um esforço financeiro considerável. Nunca será demagógico dizer que certos discursos de Carlos César primaram pela redundância ou pelo estilo La Palisse quando o presidente se insinua a dar lições aos nossos emigrantes. Quem dá lições de vida e de empreendedorismo são os emigrantes, não os governantes de lá cima do seu pedestal. Sobre as reivindicações de alguns responsáveis pelas comunidades, como a possibilidade de os emigrantes elegerem dois deputados para os representar na Assembleia Regional (como acontece no continente) e de aumentar a frequência das ligações aéreas entre os Açores e as Américas nada foi dito. Assinaram-se memorandos de entendimento, ofereceram-se manuais e livros escolares, mas o que realmente interessava para os nossos emigrantes ficou na gaveta. Só lhes falta agora ter o Conselho de Ilha para que esta viagem seja igual às deslocações do governo pelo arquipélago.

Para culminar a visita, escolher o Canadá para defender o voto obrigatório foi um acto absolutamente ridículo. Bem se pode criar um movimento para isso, nem que ele seja militar. A abstenção em eleições só irá diminuir quando os eleitores se sentirem motivados para votar, quando eles sentirem que o seu voto pode mudar algo nas suas vidas, quando eles sentirem que a pessoa ou o partido em quem eles votam são dignos de confiança. Bem precisava Carlos César de ler O Ensaio sobre a Lucidez, de Saramago no avião quando regressar aos Açores.



Assembleia Nacional: repartição pública

Se há uma coisa que me irrita – não devo ser o único – é sentir que falo para as paredes. As novidades tecnológicas que foram instaladas na Assembleia Nacional são prova disso. Se dantes os deputados falavam por vezes para as paredes ou para o seu umbigo, agora falam para os ecrãs dos computadores.

O Parlamento português pode ser o mais moderno do mundo, mas chega a ser indecorosa a forma como, nos debates, muitos deputados estão completamente a leste do que se passa à sua volta. As imagens falam por si: quem vai a uma repartição pública ou à Assembleia vislumbra a mesma cena: funcionários públicos em frente a um ecrã.

A nova disciplina de Moral

A jornalista Helena Matos não deixa de ter uma certa razão: se nos anos 30 a disciplina de Religião e Moral, bem como o crucifixo eram obrigatórios nas escolas, agora temos a disciplina de Educação Sexual e os preservativos como alternativa.

Sinais dos tempos com certeza, sinais de que as prioridades do ser humano passaram a ser outras. Mas há, nessas duas versões, algo que defendo para ambas: quer em questões de sexo, quer em questões de religião a escola não deveria interferir e muito menos participar.

terça-feira, maio 26, 2009

Um português a querer dar lições a quem não precisa

Açoriano Oriental, 26 de Maio de 2009
Estas viagens às Américas fazem-me uma confusão. Em vez de serem consideradas "Acções de Formação para governantes verem como se faz", vêm eles tentar ensinar o Padre Nosso ao vigário.
E nem me refiro à redundância da frase.
O que vale são as reuniões marcadas com autoridades políticas luso-descendentes para fazer valer os interesses da região.

domingo, maio 24, 2009

Paraíso Perdido XVII


A megalomania

Dizem que vale tudo na política. Para alcançar ou manter-se no poder, recorre-se a todo o tipo de artimanhas, algumas delas no limite da legalidade, muitas outras para lá da imoralidade, roçando a sacanice. Há promessas e promessas. Há aquelas simpáticas e bem-intencionadas; e há outras demagógicas, inexequíveis ou financeiramente desastrosas que não respondem verdadeiramente às necessidades das pessoas.

A técnica da ilusão implica pouca conversa e muito fogo-de-vista. Por outras palavras, nada melhor do que convidar a imprensa e ilustres para a apresentação de um projecto megalómano de encher o olho. Quanto custa? Quem ganha com isso? Em que é que isso contribui para a resolução dos problemas das pessoas? Estas são perguntas impertinentes que ficam para depois. O que importa é que as imagens do projecto em 3-D façam honras de primeira página no dia seguinte.

Mas, afinal, por que é que alguns políticos se dão ao trabalho de fazer isso se sabem que poucos dias depois alguém os irá confrontar com a verdade inconveniente?

Nos tempos que correm, conceitos como reabilitação, aproveitamento dos recursos existentes, sejam eles humanos ou materiais, transformação e actualização devem constituir as bandeiras dos políticos que se apresentam nas diferentes eleições. Tudo o que implique milhões de euros com retornos duvidosos tem de ser ponderado seriamente.

O desespero ou a falta de visão estratégica levam os políticos a cometerem o erro de se armar em ricaços irresponsáveis, porque na verdade o dinheiro que está em jogo é o dos contribuintes, mesmo daqueles que ainda não nasceram. Se eu pudesse ganhar o euromilhões, o que eu não faria…




Camisas nas escolas

Nas últimas semanas, a escola voltou aos grandes destaques da imprensa pelas más razões. Não falo daquela professora de Espinho. Apesar de alguma coincidência na temática, falo da polémica sobre a venda de preservativos nas escolas na sequência da implementação da educação sexual nos currículos escolares.

Continuo a achar que mais uma vez se foge à raiz do problema, ao cerne da questão. Não me vou perder em teorias e vou tentar ser pragmático: por um lado, em vez de ter alargado a escolaridade obrigatória até aos 18 anos, teria tornado os manuais gratuitos a todos os alunos, fazendo assim jus aos princípios em que se baseia a escolaridade básica em Portugal; por outro lado, em vez de permitir a distribuição de preservativos nas escolas, teria apostado num programa de educação sexual nas escolas que promovesse a abstinência sexual na adolescência. Sabendo do consenso que existe na minha primeira ideia, a segunda deverá, pelo contrário, enfurecer muitas almas por a considerar irrealista e disparatada. Tenho consciência de todas as suas implicações, mas não deixo de defender essa opinião, pelo menos até prova em contrário.

Da liberdade que conquistámos, depressa nos esquecemos da responsabilidade que ela também acarreta para viver numa espécie de libertinagem politicamente aceite. O verdadeiro problema na sociedade de hoje reside na desorientação em promover valores que inculquem nos indivíduos o sentido do respeito, do esforço, do mérito e da solidariedade.

Pensar que a venda de preservativos nas escolas possa contribuir para a redução do número de casos de SIDA ou de gravidezes na adolescência enquadra-se na mesma filosofia daqueles que defendem a legalização da cannabis como forma de diminuir o consumo de drogas.

Em tempos, conheci um toxicodependente que me disse que a droga era boa de mais para sequer ser provada. Para aqueles que estão enterrados nesta porcaria até ao pescoço, eles sabem do que eu falo.

sexta-feira, maio 22, 2009

E eu pensava que era um fã


Gosto de lá tomar um café no Verão.

quinta-feira, maio 21, 2009

Homenagem ao Arkipélago

Quando comecei o meu blogue, a minha intenção era arquivar os meus artigos de opinião publicados na imprensa para que ficassem para a posteridade cibernética.
Entretanto, conheci blogues de imensa qualidade que ainda sigo com regularidade.
O blogue "arkipélago", do Paulo Ribeiro, era um deles e é com alguma tristeza que recebo a notícia da sua extinção.
Ao contrário do que Paulo diz no seu último "post", acho que os blogs servem para tudo e para nada. Algumas pessoas se revelam pelo seu talento, outros aprendem a escrever, ainda outros divulgam a suas actividades ou opiniões por mais fúteis que sejam. Tudo é positivo e construtivo (para mim, os anónimos e os cobardes que se escondem por detrás de alcunhas não existem).
Sei - pelo menos quero acreditar - que o Paulo voltará à blogosfera com num novo formato. E Porquê?
Porque já tem o bichinho dos blogues.
Um abraço bloggie

quarta-feira, maio 20, 2009

The Joshua Tree revisitado


Aquela árvore, que fez a capa do álbum que lançou os U2, sempre me fascinou sobretudo por causa do cenário envolvente. Vá lá, um dos meus sonhos se concretizou.


Depois de Vegas, regressando à Califórnia, encontrei-a.

terça-feira, maio 19, 2009

Até que enfim que se oficializa o óbvio!

"Acabar com os bairros sociais seria uma medida “fantástica” para acabar com a concentração dos problemas sociais e com a “espiral de pobreza” que promovem, explicou ontem, na Praia da Vitória, o vice-presidente do Comité Português de Coordenação da Habitação Social, João Carvalhosa."

A União, de 19 de Maio de 2009
Entretanto, na Praia da Vitória enter-se na fase final da construção do _Bairro Social para substituir o famigerado "bairro dos Macacos". Não deixa de ser irónico para quem promoveu a I Semana Social da Praia.

sábado, maio 16, 2009

Paraíso Perdido XVI


A meia dúzia de preguiçosos
Aquando da campanha eleitoral para as Legislativas Regionais, Carlos César exaltara-se num comício por causa das constantes pressões que a oposição lhe fazia em relação ao Rendimento Social de Inserção (RSI). O então candidato declarou que pelo facto de haver “meia dúzia de preguiçosos” não se podia pôr em causa as virtudes de tal apoio social. Volvida meia dúzia de meses, desde a tomada de posse, ainda não se viu, por parte do agora Presidente do Governo Regional, nenhuma iniciativa que acabasse com os preguiçosos do RSI. E, já agora, haverá mesmo só meia dúzia de preguiçosos?

Os Açores são a região do país com mais beneficiários do RSI. Ao fim de dez anos, desde a sua criação, este apoio não resolveu absolutamente nada e até, pelo contrário, criou uma nova cultura de desleixo e irresponsabilidade perante a sociedade. Até agora, os sucessivos governos não conseguiram acabar com essa situação perniciosa que o RSI criou, tornando-se um autêntico empecilho para o país.

Acredito que não é a questão eleitoralista que tem condicionado a inacção dos governos na resolução deste problema. Acredito mais na impotência, na falta de criatividade e na falta de pulso dos governos, sejam eles nacionais ou regionais. Entretanto, em nome da justiça social, acumulam-se injustiças, pois já nem toda a sociedade olha agora para a pobreza em Portugal com comiseração, mas encara-a como uma forma de aproveitamento para viver do ócio, às custas do contribuinte.

Em nome da justiça social, constrói-se mais bairros sociais que concentram os supostos preguiçosos, que se até queixam por não ter garagem, com os verdadeiros pobres e todos acabam por ficar com a mesma e triste alcunha. Entretanto, a classe média que não consegue dar conta do empréstimo da sua casa que paga com o dinheiro ganho com o seu suor indigna-se perante um governo que oferece de mão beijada casas a quem não merece. Aparecem então os casos de polícia em bairros como os da Bela Vista e vem à baila, pela enésima vez, a conversa do social e da delinquência. Que ninguém se surpreenda quando acontecer o mesmo nos Açores porque o que se fez até agora foi preparar o terreno para que o mesmo aconteça. Porém, a RTP Açores não precisará de chamar os psicólogos, sociólogos e políticos de pacotilha para debaterem o que falhou nas políticas sociais. Bastará ir aos arquivos da cadeia de televisão nacional.

Neste caso, a culpa não é só da Esquerda. A Direita, que tanto critica o RSI, teve a sua oportunidade para corrigir os abusos cometidos mas não o fez. Se eu fosse o Bagão Félix, na altura, teria simplesmente acabado com o RSI e entregue todo o dinheiro a instituições particulares de solidariedade. Ao fim deste tempo todo, já se percebeu que o Estado não pesca nada de políticas sociais. E nunca precisámos de canas de pesca como agora.



Pau mandado

As votações sobre a proposta para a legalização da Sorte de Varas foram caricatas para não dizer vergonhosas. Quem saiu de lá ferido com toda a situação foi a Assembleia Legislativa, a casa da Democracia açoriana. Mesmo que a proposta tenha sido chumbada, abriu-se a caixa de Pandora ou, em português, abriu-se um precedente.

Não havia pior maneira, para estrear o novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores, do que tentar fazer passar uma lei que dividisse os açorianos e que comprovasse as dúvidas daqueles que olham para as autonomias com desconfiança. Mas esta votação comprovou também outra teoria veiculada há meses atrás pelo antigo líder do PSD Açores, Costa Neves.

Desde a suposta retirada de José Pedro Cardoso à presidência da Câmara de Angra, da não continuação de Fernando Meneses na presidência da Assembleia Regional à recente “ausência” do deputado do PS, Guilherme Nunes, nas votações sobre a Sorte de Varas, o PS tem dado provas de asfixiar o sistema político regional sempre que algo não lhe convém. Há, contudo, uma pequena nuance a esta teoria, pois, desta vez, são os próprios elementos do PS a sofrer desta falta de oxigénio.

Sempre ouvi falar no lobby das armas, do tabaco e judáico. Nos Açores, temos o lobby taurino.

Muitos políticos querem comprarar-se a Obama. Até contratam a empresa que produziu a sua campanha eleitoral para se parecer com ele. Mas nenhum foi ou será capaz de dizer “I screwd up” como o disse o presidente americano numa entrevista televisiva quando cometeu um erro. Por isso, Obama não é preto: é brilhante. Raros são os políticos capazes de reconhecer os erros e emendá-los.

sexta-feira, maio 15, 2009

Uma votação vergonhosa

A Assembleia Regional foi palco de uma discussão acesa sobre a Sorte de Varas. Era expectável, pois mais parecem aquelas discussões Pró-vida, "ou estás connosco ou estás contra nós".
A votação foi o momento "no comment" a registar.
Há meses atrás, Costa Neves falava em falta de oxigénio na democracia açoriana. Houve liberdade de voto para os deputados, mas houve, igualmente, obrigação de falta para o deputado do Corvo eleito pelo PS.

terça-feira, maio 12, 2009

Apoio contra a Sorte de Varas

Exprimo aqui o meu apoio ao movimento "blogger" que se insurge contra a proposta de lei que poderá legalizar a tourada picada nos Açores.
Não quero alongar-me mais nos argumentos certeiros já explanados noutros blogues. Quero deter-me sobre o precedente que a região abre com esta lei.
Esta é a forma mais vergonhosa e repugnante de estrear o novo Estatuto Político-Adminsitrativo dos Açores. Em vez de se votar uma lei que traz benefícios à região, demonstrando a razão pela qual uma região insular merece a sua autonomia, vota-se, ao invés, uma lei para beneficiar um pequeno grupo de pessoas influentes para um proveito puramente pessoal e recreativo. Não faltará, no futuro, outros lobbistas a querem influenciar os deputados açorianos para que aprovem leis em seu favor.
Compreendo que com a última revisão constitucional, que acabou com o cargo de Ministro da República, esta lei já podia ter sido aprovada. No entanto, escolheu-se este momento, insinuando-se uma espécie de "revanche" contra o Presidente da República, Cavaco Silva.
Sugiro a todos que se opõem a esta lei que, caso ela seja aprovada, haja uma manifestação popular nos paços de todos os concelhos das ilhas para mostrar o descontentamento e o distanciamento face à Assembleia Regional que não olhou para o povo que supostamente deveria representar.

domingo, maio 10, 2009

o que se ouve por aqui


Chuck Wicks, Starting Now

Dream Theater, Black Clouds & Silver Linings

Grande contraste eu sei, mas o country e o metal são as minhas preferências musicais. O dos Dream ainda não saiu mas conheço o primeiro tema (A nightmare to remember é um tema de 13 minutos com muitas variações e até confusão de estilos, início gótico, rock pelo meio que é a melhor) Quando se é fã de uma banda é como ser-se fã de um club de futebol: podemos não gostar mas não o admitimos.
O Chuck tem aquela voz típica de country com temas bonitos e comerciais. Quando o ouvi pela primeria vez, imaginei um cowboy quarentão, mas afinal é um jovem que poderia pertencer a uma boysband. Tal pena, mas melhor para ele. "Stealing Cinderela" é o tema de eleição. Ver esta excelente versão acúsica em:

Paraíso Perdido XV

Money for nothing

Quem não gosta do dinheiro? Acredito que pelo menos 80% da concretização dos nossos sonhos dependem do dinheiro. Há uma máxima que diz “o dinheiro não traz felicidade”. Tenho uma, no entanto, mais realista que contraria a anterior politicamente hipócrita: “O dinheiro só traz felicidade para quem souber usá-lo”. A crise financeira que abala as economias mundiais é bem prova disso, pois a ganância pelo lucro transformou-se em medo e revelou o conceito mais básico que define o universo das finanças: o dinheiro só vale aquilo que o outro está disposto a dar por ele. Volto a repetir: não é quem vende que define o preço; é o mercado, por isso esta é a lição que a crise nos ensina.

O dinheiro só vale aquilo que o outro está disposto a dar por ele.

Uma reportagem televisiva dava conta das iniciativas de particulares americanos para venderem as suas casas. A mais original consistia na venda de rifas, com o respectivo sorteio, em que, tal qual um jogo da lotaria, qualquer pessoa estava habilitada a ganhar uma casa por uma soma irrisória. Na reportagem em causa, via-se bairros tipicamente americanos em que todas as casas ostentavam cartazes de empresas imobiliárias. Estas últimas organizavam excursões de autocarros com potenciais clientes para adquirir as casas a preço de saldo. Por fim, via-se em Miami, naqueles prédios muito altos com vista para o mar, apartamentos luxuosos à venda por 200 mil euros. Isto aconteceu no princípio deste ano nos Estados Unidos. Para o ano, a Europa passará pela mesma situação e Portugal não será excepção.

Arrisco-me a este exercício de futurologia porque não vejo outra solução possível. A especulação imobiliária não é como a bolsista. Ao contrário desta última, que se baseia em instrumentos financeiros abstractos, o mercado imobiliário lida com bens concretos, não podendo, por isso, desaparecer de um momento para o outro. Nesta área em particular, a inflação nos preços dos imóveis deixou de acompanhar o poder de compra e a riqueza produzida dos respectivos países. É verdade que a concessão de crédito ajudou para que isto acontecesse. Construíram-se milhares de casas e condomínios, com base na expectativa e não na necessidade do mercado. A bolha aumentou, até rebentar. A primeira fase da crise, que agora vivemos é financeira. Os bancos estão a ajustar os seus mecanismos de intervenção e de concessão de créditos com a ajuda dos governos, tornando-se mais restritivos e selectivos. Dentro em breve, será o imobiliário. A pujança económica de Espanha levou a que passasse por esta fase mais cedo dos que os outros, mas não falta muito para que os restantes países europeus a sigam. Os proprietários venderam habitações bem acima do seu valor e agora, por não vislumbrar possibilidade de lucro, vendem-nas ao preço do custo. Para o ano, venderão abaixo do seu valor. Uma casa poderá então valer metade do que vale agora. É isso ou deixá-la apodrecer de velha, tornando-se um autêntico empecilho para os donos. A mim, cheira-me que o governo ou o poder local irá meter o nariz. Para alguma coisa servem as expropriações, nomeadamente quando a habitação fica localizada nos centros urbanos e históricos. O mercado de arrendamento é uma alternativa interessante e credível. Contudo, há notícias que relatam situações em que senhorios se aproveitam da crise para aumentar as rendas. Mais uma vez, a ganância impera. Teriam de se pôr à cautela porque mesmo que a justiça até seja bem clara quando o inquilino não cumpre as suas obrigações, os processos demoram uma eternidade e, durante esse impasse, quem fica a ganhar é o morador/ocupante. No entanto, acredito que o mercado tratará de romper com essa ganância, pois para o ano não faltarão habitações por arrendar.

Em resumo, é preciso fazer um ajuste na ordem económica internacional, mas é fundamental ajustar o preço dos bens ao valor do dinheiro e da produtividade nacional. Já que os melhores economistas não previram o que se ia passar, posso atrever-me a fazer estes prognósticos.

sábado, maio 09, 2009

Paulo Casaca, Ser discreto em Ponta Delgada.
O candidato à Câmara de Ponta Delgada, Paulo Casaca, escreve um artigo de opinião no qual responde às críticas que lhe foram dirigidas por causa da sua proposta no que respeita à implementação de línguas estrangeiras no ensino básico tais como o russo, o mandarim ou árabe.
Os argumentos apresentados não me convencem porque apesar de as propostas de Paulo Casaca se basearem num compromisso europeu, não quer dizer que todos os países o tenham implementado nas suas escolas. Quando Bruxelas é referido como exemplo, a mim não me surpreende se olharmos para as comunidades emigrantes que lá residem.

A novidade do artigo tem que ver com a criação da natação como matéria obrigatória nas escolas. De facto, esta é uma ideia interessante, e penso que o candidato ganharia se, para além disso, propusesse a criação de parcerias com clubes navais da cidade para que o mar fizesse parte do currículo escolar. Nos açores, o mar, mesmo assim tão perto, ainda é um privilégio só para alguns.

Mais ainda, acho que as propostas que faz são mais da competência da Secretaria Regional da Educação do que de uma Câmara. Digo isto, porque em Janeiro apresentei um projecto empresarial para rastreios escolares à Secretaria da Educação e à da Saúde que considero inovador e que aliviaria os centros de saúde. A resposta, que só agora recebi da Directora Regional da Saúde, Sofia Duarte, é que este trabalho era “da competência dos Centros de Saúde e Unidades de Saúde das Ilhas”. Apresentei este projecto, sabendo que os centros de saúde não conseguiam dar a resposta e baseei-me nos serviços de saúde mais desenvolvidos no mundo que apostam na medicina preventiva e não curativa como aqui.

Apesar de a tendência ser cada vez mais incentivar os privados a entrar na esfera da concessão de serviços tradicionalmente públicos e até do próprio Governo Regional, pela voz de Carlos César, defender que a “empresarialização” dos serviços públicos traz maior rigor à sua gestão, eu levei com o pé.

Por isso, mesmo que seja uma Câmara, só por ser candidato socialista, não me parece bem que haja uns cujas ideias são aceites e outros não.

Partilho muito do que Paulo Casaca defende sobre o Médio Oriente. Considero crucial o conhecimento civilizacional e linguístico de países como a China ou a Rússia, mas acho que deviam existir centros de línguas como existe para o Inglês onde qualquer pessoa, livremente, as pudesse aprender. A escola já tem muitos problemas aos quais não consegue responder. O alagamento do ensino obrigatório até aos 18 anos é mais um e, pela sua experiência sobretudo com os países nórdicos, o ainda eurodeputado sabe muito bem que o nosso país não está minimamente preparado para tal avanço.

terça-feira, maio 05, 2009

Semana Cultura Francesa


De 4 a 10 de Maio, na Escola Secundária Vitorino Nemésio, em parceria com a Câmara Municipal da Praia da Vitória.

domingo, maio 03, 2009

Paraíso Perdido XIV



Brincar às mamãs
De vez em quando, há notícias que abalam os meus ideais e, em certa medida, os meus preconceitos. O estudo publicado pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra acerca da “Gravidez e Maternidade na Adolescência” é, infelizmente, uma delas. Diz o estudo que as adolescentes açorianas que engravidam são as campeãs do país, pelo facto de alcançar o dobro da média nacional. Pelos vistos, na minha ingenuidade, pensava que este dado fomentaria preocupação junto das autoridades. Contudo, na explicação das razões por haver um número tão alto de grávidas adolescentes açorianas, percebi que a questão é principalmente cultural.

Ao contrário do que se pensa, as nossas ainda crianças açorianas encaram a gravidez como uma alternativa à escola; uma forma de vida que quanto mais cedo acontecer melhor. Sempre se viu meninas a brincarem com as suas bonecas imaginando-se ser mamãs, mas estas jovens levaram esta brincadeira mesmo à letra. Eu pensei que a gravidez na adolescência era uma tragédia para todos: para a grávida, para a família, para a sociedade e principalmente para aquela criança que nasceria num contexto sempre difícil. Isto era um preconceito meu, porque afinal eu estava redondamente enganado.

Mas, pensando bem, quem está enganado? Sou eu ou estas jovens e famílias que agem desta forma? Pelo privilégio que tenho em lidar com adolescentes, por causa da minha profissão, sei que, na generalidade, as jovens açorianas não são diferentes das do continente e do resto do mundo: querem curtir a vida, querem ser independentes e querem também criar uma família, mas mais tarde e com as condicionantes típicas de quem sabe as responsabilidades que isso acarreta.

Este é um problema cultural muito específico dos Açores que se conjuga com as altas taxas de pobreza económica e social que a região também possui. E acho que as políticas de apoio social que existe no arquipélago só têm contribuído para acentuar esta diferença, pois alimentam a ideia de que as pessoas podem ser irresponsáveis porque sabem que haverá sempre alguém para tomar conta delas e resolver os seus futuros problemas.


Ou estudas ou ficas na escola

Quando tinha 16 anos, decidi ir trabalhar na construção civil com o meu padrinho durante as férias de Verão. Não era castigo, muito menos imposição dos pais. Decidi ganhar uns trocos e sentir o que significava trabalhar. Admito que, depois de ter começado, podia ter procurado primeiro algo de mais leve e menos cansativo. Escolhi o mais fácil: falar com o meu padrinho para me arranjar um “tacho” na empresa dele como servente.

Durante um mês, ajudei a construir uma casa dos alicerces até ao telhado; perdi 5 quilos, as minhas mãos ficaram rijas e calejadas e o meu cabelo completamente loiro. É verdade que fiquei com uma força incrível para um magricelas como eu, mas o que ficou na minha memória foi o ter chegado à conclusão que aquela não era a vida com a qual sonhava. Restava a alternativa da escola, onde podia prosseguir os estudos para conseguir o que realmente pretendia profissionalmente. Ao contrário do meu pai, que não teve outra hipótese senão fazer somente a quarta classe e começar logo a trabalhar com 14 anos, eu dava-me ao luxo de ser dono de mim próprio.

Não estou a fazer nenhum exame de consciência, nem pretendo escrever as minhas memórias, mas estas recordações ocorreram-me depois de o Governo ter anunciado o alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. Tendo em conta a minha profissão, só deveria ficar satisfeito com esta decisão. Mas, infelizmente, não estou tão seguro quanto ao sucesso desta medida. A escolaridade obrigatória até ao 9º ano foi uma decisão “natural”, tendo em conta a idade dos adolescentes e o perigo de os colocar no mundo do trabalho com aquelas idades. No entanto, volvidos estes anos todos, ainda há graves problemas porque a taxa de abandono escolar continua elevada, por isso é difícil falar em sucesso. Deste modo, prolongar por mais anos a escolaridade obrigatória é dar um salto em frente sem ter resolvido o que faltava.

Quando tinha 16 anos, pude escolher; ninguém me obrigou a nada, muito menos o Estado. A única coisa que lamento do meu tempo é que as escolhas em termos de cursos eram muito limitadas. O sucesso desta medida, anunciada pelo actual governo, só será alcançado quando todos os jovens sentirem que a escola lhes dá algo de verdadeiramente proveitoso para o seu futuro. Assim, não será necessário obrigá-los a frequentá-la pois, irão de livre vontade.

sexta-feira, maio 01, 2009

Declaração de Interesse

Para quem ainda tinha dúvidas, assumo aqui a minha escolha para as próximas eleições autárquicas em Angra.
Se tudo correr bem, estreia hoje o site oficial de António Ventura.
Eis, por enquanto, "un aperçu":