Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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quarta-feira, dezembro 31, 2008

2009, o ano das não-reformas

Obviamente, nenhum governo europeu, muito menos o português, se atreverá em fazer reformas que impliquem a redução de funcionários, o despedimento e outras perdas de garantias anteriormente adquiridas.
Para esta condição, não só pesa o factor eleitoral, como sobretudo o factor da legitimidade moral. Depois de anos em que sucessivos governos alegavam que não havia dinheiro para aumentarem os salários, ou melhorar as condições ou os direitos dos trabalhadores, surgiram biliões aos pacotes para a banca.
Por mais que expliquem ao povo a necessidade dessas medidas, este não quererá entender e com razão. A economia real que este governo tanto preza está nos trabalhadores.
Esta conversa bem socialista poderá estar desalinhada com a minha ideologia, mas reconheço que estou chocado com os efeitos que a ganância dos banqueiros provocou pelo mundo fora.
Não. Em 2009, esquecam as reformas. Muito desemprego e conflitos dentro da sociedade que irão aumentar os níveis de insegurança. Está tudo traçado para que regimes autocráticos se instalem no poder.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

In Memoriam


Samuel P. Huntington

1927-2008


Uma coincidência extraordinária para mim, pois estava mesmo a redigir um trabalho sobre a sua obra Choque de Civilizações.


Mais do que um mestre, um visionário, mesmo para muitos que duvidam dessa tese.
(Sim, concordo com ele; sim, existe um choque entre civilizações, do qual se destaca a ruptura entre o Ocidente e o Médio Oriente).
Deixo aqui um muito pequeno excerto da minha análise:
"Com base na história das civilizações, passando por todas as os seus ciclos, a saber o crescimento, o apogeu, a expansão e o declínio, Huntington faz um apelo ao Ocidente, nomeadamente aos Estados Unidos e a Europa, para não abandonar aos seus valores morais em nome de uma pluricultura “laica” que ganha cada vez mais força. Segundo a sua perspectiva, os povos americanos e europeus, unidos, podem resistir à decadência interna e às ameaças externas. Seria uma forma de compensar a redução da sua influência no mundo (em termos económicos, demográficos e até militares). Para finalizar esse apelo, Huntington defende que “a responsabilidade dos dirigentes do ocidente não é de transformar nem de modelar as outras civilizações à sua imagem, mas tem o dever de preservar e renovar a sua essência enquanto civilização ocidental."

domingo, dezembro 21, 2008

Intervenção militar

A miséria que se vive no Zimbabué é insustentável.

É peciso ir lá e depor o tirano à força.

O dia em que o PSD perdeu as eleições


Na política, as sondagens servem de indicador para perceber as intenções de voto das pessoas, a simpatia para com um determinado político ou medida política. As sondagens têm por objectivo reflectir o pensamento dos cidadãos: elas são uma consequência do que os representantes da Nação fazem ou dizem. Confrontados com os resultados, que frequentemente não abonam a favor deles, os políticos recorrem à máxima de “as sondagens valem o que valem”. Por ser um país pequeno e por isso previsível, em Portugal, as sondagens raramente falham. Quando indicam que o PSD continua a cair nas intenções de voto, não se trata de uma suposição. Neste caso, é a consequência lógica de uma liderança destinada a um desastre eleitoral.

Há duas semanas que o PSD passa por provas de força de carácter e de liderança em que, à medida que os obstáculos aparecem, falha redondamente. Por causa da falta dos deputados, por causa da estratégia de voto para o estatuto dos Açores, por causa da escolha do candidato à Câmara de Lisboa, e até por causa da mensagem de Natal inoportuna, com um cenário ridículo. Em duas semanas, o PSD mostrou-se incoerente, titubeante e frágil perante pressões internas e externas ao partido. Num momento de crise tão dramática e recheada de incógnitas, ninguém votará num partido neste estado. A menos de um ano de eleições nacionais e por mais que me custe escrevê-lo, o PSD já as perdeu.


Analisando estes tristes incidentes. Não está em causa o facto de os deputados faltarem. O que está em causa é a falta de coordenação e sentido estratégico da liderança parlamentar laranja. O voto que obrigava à suspensão da avaliação aos professores podia ser um momento de choque para a maioria socialista que sofre actualmente fracturas internas graves. Muita da contestação que se vive podia ser resolvida na Casa da Democracia, utilizando os instrumentos dignos que ela disponibiliza para limitar a actuação prepotente do Governo. Não se fizeram as contas, não se fizeram os telefonemas e deu no que deu. Na votação sobre o estatuto dos Açores, a mesma coisa, a mesma idiotice. É-se a favor, depois é-se contra porque o Presidente da República tem dúvidas; chora-se porque a cooperação estratégica entre governo e presidente pode estar em causa. Mas o que é que o PSD perde se a cooperação acabar? Aliás, é melhor para o PSD: o PS, com essa teimosia, ter-lhe-á dado um enorme jeito. Sobre a escolha de Santana Lopes, não se compreende que a anterior atitude de Manuela Ferreira Leite fosse de algum desprezo para com ele e que agora o escolha como candidato a Lisboa como se todos tivéssemos memória curta, nomeadamente o visado. Pacheco Pereira, fervoroso apoiante e apelidado ultimamente seu “tradutor”, já se demarcou dessa iniciativa e provavelmente entrará em ruptura por sentir que, somadas as coisas, assim não se vai a lado nenhum.

Também de nada serve pedir novamente eleições antecipadas. Não há tempo, não há paciência. O que resta é acreditar em milagres e rezar para que aconteçam. Em política nunca se diz nunca.


O PSD Açores também não tem muito de diferente em relação ao PSD Nacional. A nova presidente chegou tarde à festa e pretende ficar com os melhores restos, aqueles que supostamente Carlos César deixará quando sair do poder. Esta jogada é tão previsível e denota tanto amadorismo que só pode resultar no seu contrário. A jogada seguinte cabe ao PS Açores que tem a vantagem de ver as cartas que estão na mesa. Preparando-se para o próximo escrutínio eleitoral, quem será o seu candidato para a Câmara de Ponta Delgada? E a seguir, quem será o próximo líder do PS Açores?


O que vale para aqueles que simpatizam com ambas as lideranças laranjas e pode servir de consolo é que as minhas previsões costumam sair goradas. Já não digo o mesmo das sondagens.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

O sapato até podia ter piada

Nas notícias relativas aos sapatos que falharam o alvo (George W Bush), o mais interessante é ver como se tenta explicar a conotação cultural dada àquele acto, pois naquelas bandas atirar com um sapato tem um simbolismo muito forte de repúdio e até de ódio.
Parece que pelos lados do Ocidente, atirar um sapato a alguém não é assim tão grave.
Comentário técnico: Bush tem uns reflexos incríveis. Se olharem bem, o movimento é praticamente perfeito e ainda se ri. No segundo sapato, o atirador é mesmo lento e tem uma mira de meter dó.

sábado, dezembro 13, 2008

Livros cobiçados para o Natal




Diplomacia e Direitos Humanos


Na semana em que se comemorava com júbilo o sexagésimo aniversário da Declaração dos Direitos do Homem graças aos grandes avanços da Humanidade que a mesma declaração permitiu um pouco por todo o mundo, o Ministro dos Negócios Estrangeiros francês e fundador dos Médicos Sem Fronteiras, Bernard Kouchner, declarou que tinha cometido um erro ao criar, sob a tutela do seu ministério, a Secretaria de Estado para os Direitos do Homem. Com base nestes dois dados, em que pé ficamos?

Percebendo as proporções polémicas que a sua declaração tinha tomado, Bernard Kouchner justificou-se com uma declaração em que alegava que a defesa dos Direitos Humanos devia ser separada da política, tal como desejariam as ONG que tratam dessa matéria. Esta justificação acaba por ser frágil porque a Declaração Universal é um documento político e porque as maiores atrocidades feitas sobre seres humanos foram cometidas com anuência e até participação do poder político. A interpretação que se poderá fazer dessa suposta redenção é mais profunda, indo ao encontro do conceito que muitos teóricos das Relações Internacionais defendem como sendo a Real Politik. Quando se tratam de Direitos Humanos é deveras fácil acusar um país que abuse ou cometa crimes contra a Humanidade. Mas o mais difícil é quando dessa mesma Nação se dependa em termos energéticos ou económicos. Não faltam exemplos desse encolher de ombros embaraçado pelo mundo fora.


Quando o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, decidiu receber oficialmente o Dalai Lama, o governo chinês manifestou o seu descontentamento e até ameaçou com um boicote aos produtos franceses. A própria China, por deter interesses energéticos no Sudão, impede que uma resolução mais contundente seja tomada em relação ao conflito que se tornou um autêntico genocídio no Darfur. Portugal, ao manter uma relação estreita com Khadafi outrora considerado terrorista, também não foge a essa promiscuidade nas suas “ligações perigosas”. Na verdade, a diplomacia económica obriga a que os governos de todo o mundo acabem por seguir uma máxima famosa somente aplicada aos norte-americanos: “os americanos não têm aliados, mas sim interesses a proteger”. Deste modo, os interesses estão acima de tudo e, com alguma sorte e também criatividade diplomática, se as nações conseguirem pressionar para que certos Direitos Humanos até agora usurpados sejam repostos melhor. A diplomacia económica tem sido muito valorizada por todos os países e os corredores das Nações Unidas têm sido o palco permanente desse conflito secreto e abafado. Mas não convém esquecer que, conforme disse o Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “desde a aprovação da Declaração, avançamos enormemente”.




No lado menos obscuro e mais positivo, Portugal, por uma vez, deu um sinal bastante revelador ao mundo. Ao aceitar que alguns presos na Base de Guantánamo fossem transferidos para Portugal, o governo português mostrou que criticar os Estados Unidos de nada serve se não se avançar com uma forma de os ajudar para acabar com este problema. Até agora, tem sido demasiado fácil dizer que deve ser a administração americana a acarretar com as responsabilidades dos seus erros. Alguns até se regozijavam com o impasse a que se tinha chegado. Neste caso e com Luís Amado, a diplomacia construtiva e criativa, felizmente, imperou. É de esperar que outros países sigam o mesmo exemplo e que Portugal possa tirar dividendos dessa iniciativa, pois acima de tudo estão os interesses de cada um.



E quais são os interesses de Portugal relativamente aos Estados Unidos? O reforço da união transatlântica com a entrada da nova presidência de Barack Obama e a melhoria dos acordos em vigor entre as duas Nações, nomeadamente o famigerado acordo da Base das Lajes. Quando se trata de Política e Relações Internacionais, os Açores estão sempre presentes.

domingo, dezembro 07, 2008

Um governo aos recuos


Professores, professores, professores. Eis a palavra de ordem das últimas semanas. O país tem muitos mais problemas para além desse, num momento tão dramático como aquele em que vivemos à volta da crise financeira mundial. No entanto, verdade seja dita, a vida dos professores acaba por influenciar a vida de qualquer cidadão português. Mas mais do que isso: a união impressionante dos professores contra o governo é o sinal visível da tempestade que o governo semeou no início do seu mandato em 2005. Mais cedo ou mais tarde, os socialistas irão pagar caro a atitude prepotente e desprezível com que assumiram a governação de Portugal.


A guerra entre sindicatos, professores e a Ministra da Educação veio provar aos mais cépticos que os movimentos sindicais estão bem vivos e não antiquados nas suas formas de luta como muitos defendem. O que interessa é a mobilização e não há dúvidas de que, mesmo que ainda subsista a dúvida nalguns políticos com compromissos partidários, quando mais de 100 mil profissionais protestam veementemente contra uma medida política, não resta alternativa senão revê-la. Acusar os professores de não quererem ser avaliados torna-se demasiado simplista e até desonesto. Para alguns, algo está mal na governação, mas não era difícil perceber o que se avizinhava quando, para fazer as suas reformas, o governo optou pela estratégia do fomento da inveja social e do vilipêndio por certas classes profissionais. Essa estratégia voltou-se contra si. A Ministra recuou em todos os aspectos, fragilizando-se a um ponto que somente José Sócrates sabe explicar por que razão ainda a mantém no cargo. Nesta e noutras questões, a divisão do Partido Socialista só não é mais visível porque está no poder e os seus quadros-militantes, por comodismo e apego a lugares políticos, aceitam sujeitar-se a um silêncio incomodado.




Ao fim destes anos todos, as ditas “reformas” - palavra usada até à exaustão pelo Primeiro-ministro - são elas também muito discutíveis. Mas, devo reconhecê-lo, não se pode acusar somente o governo português pela má prestação económica do país. A crise veio mostrar que há um modelo europeu que se tornou insustentável por não ter trazido qualquer benefício para os seus cidadãos. Como é que a ideia de que a contenção salarial, o aumento de horas de trabalho e da idade da reforma com a perda de direitos adquiridos, somados a uma inflação alta, taxas de juros brutais, salários e prémios de produtividade indecentes a gestores e bancários de instituições públicas e privadas permitisse o progresso equilibrado, pacífico e sustentado de um país? Aliás, a pergunta deveria ser: como é que esta ideia tornada realidade aguentou tanto tempo? Quem defende a tese de que governar contra o povo no interesse da Nação é, por vezes, necessário revela insensibilidade e estupidez. Afinal, não foi difícil para o Banco Central Europeu baixar drasticamente as taxas de juros permitindo uma folga aos cidadãos endividados. Só que essa medida já veio tarde e se a crise se acentuar em 2009, os políticos terão esgotado quase todas as possibilidades de a enfrentar. Em tempos de prosperidade é que se perceberia que os impostos aumentassem e reformas mais austeras fossem tomadas. Mas não, tal como qualquer pessoa perante adversidades, os governantes quiseram apertar o cinto em tempo de crise. Só não anteviram que a mesma pudesse tomar estas proporções. Tantos estudos, tantos especialistas, mesmo assim não conseguiram…


A História mostra-nos que a Guerra ajuda a repor a normalidade - após ter decorrido, claro. Será essa a solução ideal?

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Adenda ao artigo "Para que serve viver nos Açores?"

Se ainda vivêssemos nos 50 ou 60 do século XX, diria que a Terceira era a zona mais desenvolvida de Portugal.
Ver uma foto com Sinatra ainda jovem na Ilha Terceira enche os terceirenses de orgulho e alivia-os daqueles maldizentes que só vivem do presente e pensem no futuro. Viver do passado? É o que a Terceira tem feito e mal até, porque nem sabe aproveitar devidamente o seu património histórico.