Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

segunda-feira, novembro 29, 2010

Socialismo de merda

PS quer obrigar supermercados a fazer descontos a clientes que prescindam de sacos de plástico


Preocupação com ambiente? Não. Eis o Estado repressor de que os Socialistas tanto gostam.

domingo, novembro 28, 2010

A praga da Segurança Social



As hortênsias, que são consideradas uma imagem de marca dos Açores, não são uma planta endémica e, apesar da sua utilidade na divisão das parcelas de terrenos agrícolas e no embelezamento das estradas regionais, constituem uma autêntica praga que mata as verdadeiras plantas endémicas da região. As hortênsias crescem e alastram, aniquilando qualquer vegetação circundante. Por mais bonitas que sejam, estas plantas não deveriam existir nas paisagens açorianas. Tal como as hortênsias, a Segurança Social, por mais bem intencionada que seja na execução das decisões políticas, cria cada vez mais injustiças, aniquilando a esperança daqueles que mais precisam em tornar-se pessoas realmente donas de si próprias.


Graças à pujança económica da maioria das nações europeias, o combate à pobreza e exclusão social foi feito mediante o preceito católico que consiste em dar esmola ao pobre para atenuar a culpa moral por o país ficar rico de forma desigual. Este princípio encontrou na Segurança Social o modelo ideal de execução. Ao longo dos anos, vemos que a pobreza aumentou e até tomou contornos diversificados atingido classes médias e, por vezes, altas. Se o princípio defende um apoio imediato mas temporário, a realidade mostra um panorama bem diferente: pessoas que acumulam apoios sociais e que não saem da cepa torta. O vício está de tal maneira instalado que algumas famílias acham que, se tiveram direito a uma casa com renda social, é perfeitamente normal que os filhos também auferem o mesmo. Para estes, que não são poucos, a pobreza tornou-se uma estranha forma de vida.


A Segurança Social restringiu a perspectiva de futuro nessas pessoas tornando-as, até certo ponto, desonestas porque, para além de encontrar sempre maneira de enganar os responsáveis da instituição para não cumprir as regras estabelecidas, esses “subsidiodependentes” acumulam apoios de todo o género que faz com seja mais rentável ficar em casa do que procurar trabalho.


Culpar os pobres é demasiado fácil. Culpar a crise pelo aumento da miséria humana é também faccioso. Aliás, os mecanismos que foram criados para diferenciar os pobres na escola, no trabalho e na sociedade em geral, aumentaram os índices de exclusão social. Tal como a aristocracia, a pobreza passa de geração para geração.


As medidas de combate à desigualdade têm sido contraproducentes e ilusórias para os responsáveis políticos que acham que mais apoios à natalidade, mais bairros sociais e mais Rendimento Social de Inserção irão colmatar a diferença entre ricos e pobres. Em breve, quando os responsáveis pelo país se debruçarem seriamente sobre o assunto, será tarde de mais. Por um lado, reduz-se o número de funcionários públicos, por outro, aumenta o número de “subsidiopendentes”. Um Estado que não é sustentável, não tem futuro.


Apesar dos estigmas que alguma Direita tem criado relativamente a certos pobres, existe uma verdade incontornável que é preciso dizer neste preciso momento de crise: é inaceitável que o Estado permita que algumas pessoas com idade e saúde para trabalhar possam ser subsidiadas indefinidamente. Mas para que isto acabe, é preciso mudar toda uma filosofia socialista criada em torno da solidariedade social para o seguinte: Se alguém precisa de ajuda do Estado, deve dar algo em troca à sociedade; Se alguém precisa do Estado, deve ter consciência de que o apoio será temporário. Se alguém quer uma casa, deverá trabalhar para a obter, e não esperar que o Estado a ofereça. Ainda há poucos anos seria impossível fazer propostas destas. Agora, é o momento ideal.


Quando era pequeno, acreditava na existência do Pai Natal. Para muitos adultos, este até existe incarnado na figura da Segurança Social. Para outros com responsabilidade política, o Pai Natal chama-se Estado Social.


sábado, novembro 20, 2010

A nova geração de políticos

A eleição de Berto Messias para líder parlamentar do PS na Assembleia Regional não só surpreendeu a mim como a muitas pessoas atentas à vida política açoriana. Para outros, sobretudo os que estão próximos do círculo do deputado, o resultado desta eleição foi previsível, pois Berto Messias tem tido um percurso político relevante no contexto regional. Dou por mim a pensar nesta nova geração de políticos que aos poucos se vai afirmando no contexto regional. Como chegou ela ao poder? Será diferente da mais antiga?

Presentemente, dois jovens políticos estão em destaque nos Açores: Berto Messias e Francisco César. O facto de serem do PS não é alheio ao seu desempenho: com a maioria parlamentar socialista torna-se mais fácil aprovar qualquer iniciativa proposta pelos dois. Há pouco, entrou em vigor uma medida legislativa, da iniciativa dos dois políticos, que visa incutir o espírito empreendedor nos jovens açorianos desde tenra idade. De repente, dei por mim a ver qual o currículo de Berto Messias e de Francisco César. Segundo consta de documentos oficiais, o primeiro é licenciado em Relações Internacionais. O segundo frequenta o curso de economia, o que significa que por enquanto só tem o 12º ano de escolaridade. A nível profissional, nada é referido sobre alguma profissão em concreto antes de se terem tornado deputados, nem na Função Pública, nem no sector privado. Em termos associativos, a filiação na juventude socialista é o que se destaca no currículo. Na verdade, é possível afirmar que pertencer à JS foi decisivo para as suas vidas. E, no caso do segundo, ser-se filho de Carlos César foi determinante - para o bem e para o mal.

Não querendo ser suspeito, se olharmos para o currículo do líder da JSD regional, o resultado será o mesmo e a recente polémica em torno da sua eleição só confirma a desconfiança que os eleitores têm nutrido face às verdadeiras intenções e competências dos políticos.

Obviamente que a partir daqui seria fácil expressar o meu descontentamento sobre o fenómeno dos boys na política portuguesa. Porém, antes pelo contrário, acho que se deve pensar no que será melhor para a política portuguesa: jovens com alto currículo académico ou com um percurso profissional diversificado, ou jovens que fazem carreira nos partidos? Qual o mais importante: o traquejo político ou a competência técnica e científica?

A segunda opção parece a mais correcta. No entanto, a realidade mostra-nos o contrário: há cada vez mais políticos profissionais. Não faltam casos flagrantes de cunhas políticas, mas também não faltam políticos profissionais sensíveis à causa pública, competentes e cumpridores. Aliás, não convém esquecer nunca de que quem os coloca no poder é o povo.

Os partidos políticos estão de facto a tornar-se autênticos bunkers que dificilmente aceitam quem vem de fora e que protegem ferrenhamente os que, lá dentro, servem o partido de forma leal, roçando a subserviência.

Com uma taxa de desemprego jovem a bater todos os recordes, talvez tenha chegado o momento de encarar a política partidária como uma boa saída profissional.

Nota 1: No dia 4 de Novembro, em França, uns pais agrediram o director duma escola, pelo facto de a sua filha ter tido sido suspensa temporariamente por motivos disciplinares. Dia 16 de Novembro, o pai - e agressor - foi condenado a dez meses de prisão; a mãe teve pena suspensa, ambos obrigados a dar uma indemnização de mil euros à vítima.

Nesse mesmo dia 16 de Novembro, houve uma tentativa de homicídio na Praia da Vitória. Veremos quanto tempo demora a justiça portuguesa a tratar desse caso e que pena será aplicada ao criminoso. Aproveito para manifestar publicamente a minha preocupação e a de muitos praienses relativa à tibieza com que algum corpo judicial do tribunal da Praia tem encarado o grave fenómeno da violência doméstica. Não me parece que o arquivamento desse género de processos seja o procedimento mais adequado.

Nota 2: Num dos bares da nova marginal da Praia da Vitória, às quatro da tarde, uma cerveja custa um euro e meio. Nas Portas do Mar, em Ponta Delgada, às dez da noite, uma cerveja custa noventa cêntimos. Acho que não preciso de acrescentar mais nada para perceberem onde quero chegar. Provavelmente, não entendo nada do assunto. A Terceira deve ser uma terra de ricos.

domingo, novembro 14, 2010

As redes sociais



Depois de ter visto o filme “The Social Network”, de David Fincher, reitero as minhas conclusões sobre as redes sociais: não, afinal, não estamos a caminho da criação de um mundo alternativo e virtual. Parafraseando Henrique Raposo: as redes sociais são ferramentas da realidade e não uma realidade paralela.


Não faltam estudos e ensaios sobre a temática das redes sociais. Esta nova forma de interagir ciberneticamente com outras pessoas ainda se encontra nos primórdios, por isso é difícil de fazer prognósticos quanto ao seu futuro. Mas há uma conclusão que é cada vez mais consensual ente os curiosos e estudiosos da coisa: quanto mais as pessoas estão conectadas, maior é o seu desejo do contacto real. Este paradigma é novo porque vai de encontro ao pensamento ainda recente de que o virtual se ia sobrepondo ao real.


A Internet trouxe igualmente um novo paradigma na relação Homem e ecrã. Ao contrário da televisão ou do cinema que torna o espectador um mero elemento passivo, na Internet, qualquer pessoa torna-se um agente participativo, um actor na construção e evolução da rede cibernética. Através dos sites, dos blogues e das redes sociais, esta interacção trouxe mais dinamismo e, por consequência, é mais atractiva. No entanto, o cinema ou a televisão não se encontram ameaçados; há, digamos, uma complementaridade entre estes elementos. E, de facto, é interessante notar que as redes sociais, como o Facebook, oferecem uma nova forma de percepcionar as qualidades e o imaginário de um indivíduo que dantes só eram atribuídos às estrelas de cinema. Por outras palavras, todos nós podemos ser como as “estrelas de cinema” graças às redes sociais. Pelas fotografias que lá pomos, pelos comentários que lá colocamos, pelo número de “amigos” que adicionamos - muitos deles totalmente desconhecidos e até residentes noutros países -, atingimos uma nova forma de estrelato. Aliás, as verdadeiras estrelas é que são compelidas a abrir uma conta no Facebook para não se sentirem excluídas desta sociedade hiper-moderna.


Nos homens é comum colocarem fotografias em ambientes de natureza diversificada, como que a quererem demonstrar o seu espírito aventureiro. O feminismo e a sensualidade são critérios que, de forma consciente ou não, predominam nos respectivos perfis das mulheres e raparigas adolescentes. Mas todos – de ambos os géneros - gostam de exibir a sua felicidade e sua sociabilidade ao colocar fotografias com muitos amigos e familiares e ao descrever de forma sucinta para onde foram de férias ou no fim-de-semana. O negativo, a tristeza ou os infortúnios não são aspectos bem-vindos na rede social, apesar de constarem da vida quase diária de cada um de nós.


Tal como no cinema, o faz-de-conta impera nas redes sociais. Contudo, a realidade carne e osso encarrega-se de nos recordar todos os dias que a vida também tem o seu lado negro e cinzento. E ainda bem.

sábado, novembro 06, 2010

A Cimeira da NATO



Na próxima semana, Lisboa irá receber uma cimeira decisiva da NATO. Esta cimeira é crucial porque nela será aprovado o novo Conceito Estratégico da organização e serão abordados temas como a Guerra no Afeganistão, o futuro das relações com a Rússia e o novo sistema de defesa antimíssil.


É sempre entusiasmante saber que Portugal estará no centro das atenções do mundo mediático por receber altas figuras de Estado como o Presidente americano Barack Obama ou da Rússia Dimitri Medvedev. As medidas de segurança serão impressionantes e, por isso, merecem uma despesa adicional nas contas públicas, pois o prestígio e a imagem do país estarão em jogo. Podemos até dizer que se trata de um investimento diplomático que trará notabilidade ao país, precisamente num momento em que Portugal está deprimido devido à crise.


Definir o futuro da NATO e o seu relacionamento com o mundo será o ponto essencial da reunião dos seus 28 membros e é possível adiantar que este futuro não é risonho. A participação da NATO na guerra no Afeganistão após o 11 de Setembro foi inédita porque esta se deu fora do seu âmbito geográfico e ao abrigo do artigo 5º que não só legitima o uso da força contra um inimigo externo, como implica uma solidariedade bélica por parte dos outros membros. Como se sabe, a guerra encontra-se num momento alto de intensidade, mas baixo em termos de progressos em favor dos aliados, acabando por desgastar a organização e virar contra si a opinião pública. A pacificação do país parece impossível, ainda para mais com provas de corrupção no seio do governo afegão. Esta guerra perdeu credibilidade e muitos países envolvidos, como Portugal, já pretendem uma retirada definitiva.


As recomendações do Grupo de Peritos, que foi convidado para elaborar o relatório para a Cimeira, confluem com a nova estratégia dos Estados Unidos. Assim, os Estados Unidos pretendem ter um papel menos preponderante e activo no sistema internacional e desejam que as regras de ordem internacional regressem aos valores pós-1945. Na verdade, existe um desejo disfarçado da primeira potência mundial em reduzir a relevância da NATO. Se olharmos para o actual mapa do mundo e para as novas forças de poder emergentes é fácil entender esta mudança de paradigma.


As novas potências emergentes, como a China, a Índia ou o Brasil não podem ser somente avaliadas em termos económicos. São, sem sombra de dúvidas, novos actores na política internacional cuja influência não pode ser menosprezada. Tal como o jornalista americano Fareed Zakaria defendeu, encontramo-nos actualmente num “mundo pós-americano”. Na verdade, prefiro a expressão pós-hegemónico do que pós-americano. Isto porque os Estados Unidos ainda continuam a ser a primeira potência mundial em diversos domínios, mas na política internacional já não podem actuar sozinhos como o fizeram nos tempos de George W Bush. Pelo menos, assim definiu a Administração Obama. Como vemos, esta perda relativa do poder americano é deliberada face à nova conjuntura internacional. Se é verdade que há valores que aproximam os membros da NATO, como a Democracia e a Liberdade, muitas das potências emergentes são também democracias consolidadas que partilham esses valores. As únicas diferenças residem nas prioridades geopolíticas. Com Obama, o unilateralismo acabou; bom para o mundo, mau para a Europa que sempre se acomodou ao poder militar da América e da Inglaterra.


Na verdade, a NATO depara-se com o problema da sua perda de relevância no contexto internacional. E é bom sublinhar que os países da NATO sempre se submeteram à agenda dos Estados Unidos. Havendo um retraimento da América, os restantes membros ficarão diminuídos. Provavelmente, muitos deles agradecem.


Por isso, a nova Estratégia passará para um sistema internacional “mais flexível e polarizado” segundo a estudiosa Diana Soller. Isto significa que o interesse já não será na inclusão de novos membros, mas sim numa maior projecção da ONU, esta sim uma organização de âmbito planetário na qual estão incluídas as novas potências. Percebe-se que qualquer missão de carácter bélico só terá verdadeira legitimidade mediante a aprovação da ONU e com a anuência de países como a China ou a Rússia.


Em suma, é interessante verificar que o futuro da NATO está intimamente ligado à história da Base das Lajes: a progressiva perda de relevância no contexto geopolítico. O centro político do mundo já não se situa no Atlântico norte.