Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

terça-feira, janeiro 30, 2007

O erro da Igreja

Eu sei que a Igreja tem uma concepção filosófica e doutrinária que lhe obriga a repugnar o aborto, sobretudo o referendo do dia 11 de Fevereiro. Contudo, não deve alimentar radicalismos de posições. As ameaças que alguns "notáveis" da Igreja têm feito são absolutamente condenáveis.

Os laicos militantes, nomeadamente de Esquerda, ganham terreno e argumentos para acabar com a força e os privilégios de que os representantes do catolicsimo beneficiam em Portugal.

O círculo fechou-se


Boa prestação de Stallone. Poucas são as diferenças entre ele e a personagem.

domingo, janeiro 28, 2007

2008:o ano da verdade


As próximas eleições regionais estão à porta. O actual governo desdobra-se em obras públicas pelas ilhas com um calendário estrategicamente calculado. Em 2008, não faltarão inaugurações e festas de júbilo para mostrar aos açorianos o trabalho feito. Perante esta supremacia estratégica, pouco pode fazer a oposição senão dar contas das derrapagens, dos dinheiros públicos mal empregues ou de possíveis situações duvidosas no que respeita a aplicação de certos fundos. A política pura e dura é mesmo assim. Resta saber o que pensam os eleitores sobre a prestação deste governo, sobre a oposição existente e, em consequência, conhecer a sua inclinação de voto: PS ou PSD?

Havendo uma maioria de deputados do PS na Assembleia Regional, o que inviabiliza qualquer iniciativa legislativa por parte dos outros partidos, cabe ao PSD a missão de mostrar trabalho nas autarquias que lidera. Das principais câmaras municipais dos Açores, só a de Ponta Delgada é que é laranja. Á partida, parece que esta situação desigual complica as coisas; no entanto, este município é o mais povoado, possuindo um grau de desenvolvimento muito superior à de qualquer outra cidade da região. Muito se deve à actual presidência da câmara. Contudo, o governo tem a sua quota-parte de responsabilidade neste sucesso. No princípio, aquilo que parecia augurar uma relação conflituosa entre a autarquia e o governo acabou por favorecer o progresso da principal cidade açoriana, beneficiando assim os seus munícipes. Quem mais lucra com estas políticas de elitismo cosmopolita é a edil de Ponta Delgada, Berta Cabral. Muito se tem escrito sobre a possibilidade de ela se tornar presidente do PSD Açores e concorrer às eleições contra Carlos César. Não há dúvidas que este cenário é interessante. Com a emergência de mulheres candidatas à presidência em países como a França ou os Estados Unidos, a ideia torna-se ainda mais sedutora. A verdade é que, por enquanto, não há indicações para que tal aconteça – não quer isto dizer que não exista movimentos em São Miguel que estejam nos bastidores do partido a preparar secretamente uma possível sucessão ao actual presidente do PSD, Carlos Costa Neves.

Seguindo este prisma, o que levará este governo socialista a dar a possibilidade ao “inimigo” de ganhar a simpatia dos eleitores, prejudicando a sua imagem para as próximas eleições? Porque não escolheu apostar nas ilhas da Terceira ou do Faial, premiando assim os votantes socialistas? As câmaras da Ribeira Grande ou da Praia da Vitória, que passaram recentemente para as mãos de dirigentes locais do PS, não têm tido a devida atenção por parte do governo como seria de pensar. Porquê? Dir-me-ão que não se deve misturar poder local e poder governamental. Mas então não é isso que tem acontecido em Ponta Delgada? O facto de os dois poderes serem representados por forças políticas diferentes permitiu um salto qualitativo na vida dos habitantes da “capital” açoriana. Não será isto paradoxal? Por esta lógica, se os dois poderes fossem do mesmo partido, a situação deveria ser ainda melhor. Mas a realidade mostra-nos que não. Basta sondar os habitantes de Angra do Heroísmo para perceber a insatisfação que por lá se vive. Mesmo com o antigo presidente da câmara, Sérgio Ávila, promovido a vice-presidente do governo, a situação parece ter piorado. Agora, sabe-se que a câmara passa por grandes dificuldades financeiras o que impossibilita o cumprimento de muitas promessas eleitorais feitas pelo actual presidente. Pasme-se. A Terceira assiste incrédula ao desenvolvimento sem precedentes da sua cidade “arqui-inimiga” do grupo oriental. No passado, esta rivalidade, que considero em certos pontos saudável, permitiu uma espécie de jogo ao despique. Actualmente, por ter sido criada uma situação injusta, a arrogância de um lado anula completamente o outro. Quanto ao Faial, as coisas são bem piores. Quem vem de fora até pensa que a edilidade da Horta foi castigada. O PS do Faial, completamente subordinado, só lamenta, mas não contesta o PS Açores. Pasme-se.

Pode-se argumentar que a ilha de São Miguel é aquela que mais habitantes/eleitores tem, daí a prioridade do investimento. Mas o governo, com esta política, poderá ter contribuído para a desertificação das outras ilhas. Resta deduzir que, pelo facto de os principais governantes serem de São Miguel, nomeadamente, Ponta Delgada, acabam, inconscientemente, por favorecer a sua terra.

Para quem não se resigna com a actual situação e acha que pode fazer melhor, deve então preparar eleições desta envergadura com muita antecedência, ponderação e organização estratégica. Na partida, a luta é desigual. Mas, pior do que isso, seria dar a sensação à população que, internamente, algo ainda não está completamente resolvido.

É de saudar o sucesso diplomático do governo regional na sua deslocação ao Uruguai e à Argentina. As palavras de Carlos César que enaltecem Portugal e os portugueses junto das comunidades emigrantes são salutares. Este “novo” papel de representante da república em terras sul-americanas acaba por sugerir a ideia de criar, tal como o governo autónomo da Catalunha que abriu uma representação “diplomática” em Lisboa, sedes de representação nos países onde existe uma maior diáspora açoriana, com vista à promoção empresarial, cultural e turística do arquipélago.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Heróis como nunca haverá


Já alguma vez sonhou em ter super-poderes?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

A manha da arte


Há alguns meses atrás, na cidade do Porto, fecharam-se no Teatro Rivoli dezenas de pessoas em protesto contra a privatização da gestão desse recinto, acusando o presidente da câmara, Rui Rio, de desprezar a cultura. O edil do Porto alegou que a câmara não podia financiar ou até mesmo sustentar todos os projectos ou infra-estruturas culturais, daí recorrer a privados. Num tom mais polémico, acrescentou ainda que não concordava que o dinheiro dos contribuintes fosse "alimentar" certas organizações culturais que promoviam espectáculos cuja audiência não chegava a uma centena de pessoas. Este ponto de vista, pertinente, é discutível. Terá o Estado, por mão das autarquias ou outras instituições públicas, obrigação de apoiar todos os eventos culturais desde os mais bizarros aos mais populares? Nos dias de hoje, qual o tipo de produção cultural merece ser subsidiada pelo Estado? Quem pode ser considerado um artista? Sendo Rui Rio presidente da câmara do Porto, tem todo o direito em aplicar a sua teoria. No seu ver, a cultura popular e os espectáculos que movem multidões adequam-se à sua política cultural para a cidade nortenha.

Dito isto, o que tem esta introdução a ver com o Art&manhas?

Durante o fim-de-semana, decorreu mais um Art&manhas, na Recreio dos Artistas. Organizado pelo Teatrinho, este evento cultural, que pretende fazer uma mostra de artes, recorrendo sobretudo a "artistas" locais, teve, no cômputo geral, uma adesão fraca tendo em conta a população de Angra, no entanto, do ponto de vista da organização, esta considerou-a satisfatória e fez um balanço positivo. Os factores divulgação, publicidade, ou cabeças-de-cartaz podem ter inviabilizado uma maior participação das pessoas e, consequentemente, o sucesso desta iniciativa. Caberá agora à organização tirar as suas ilações, pois se a divulgação da cultura é um dos objectivos principais do Art&manhas então os organizadores devem concordar que não foi alcançado. Para a sua concretização, o Art&manhas teve apoios financeiros de origem pública. Sendo a entrada livre e gratuita, não houve qualquer intenção em obter lucros monetários. Perante o voluntarismo de alguns e a boa vontade dos participantes, o dinheiro foi todo gasto na elaboração e produção dos diversos espectáculos que ali decorreram. Dito isto, valerá a pena continuar a patrocinar com dinheiro dos contribuintes açorianos eventos como este?

Do meu ponto de vista, sim. Mas com algumas objecções. Nos Açores, a iniciativa privada é fraca, fruto de uma cultura de risco pouco implementada e uma dependência do governo demasiado castradora. No domínio das artes, ainda é pior. A gestão cultural dos maiores recintos de espectáculos das cidades e vilas do arquipélago pertence às autarquias e ao governo. E isto é grave porque supõe que é o Estado que define o que é bom para a população em termos de cultura. O Estado deve facultar as infra-estruturas à população, recuperar e conservar o património histórico local e nacional, apostar na formação, mas não deve decidir o que a população merece ouvir e ver.

Não basta atribuir subsídios com base numas contas manhosas sobre o quanto se deve dar e com a respectiva assinatura do superior, a partir do gabinete. Algum representante dos dinheiros da cultura se deslocou ao Art&manhas para dar um incentivo moral aos jovens que se desdobram penosamente entre trabalho e família por acreditarem no que fazem? Que eu tenha conhecimento, não. Será que a Terceira, que se diz capital regional da cultura, tem assim tantos eventos que impeça um elemento da Direcção Regional da Cultura de comparecer à Recreio das Artistas, por falta de tempo? Podem alegar que não foram convidados, mas a porta esteve aberta a todos.

Mas estas dúvidas podem ser alargadas a todas as ilhas. A par do patrocínio, é preciso incentivar, "dar a mão" a organismos culturais independentes. Já que o Governo, pela mão do seu presidente, se "apoderou" da cultura nos Açores, deveria então criar a figura de produtor cultural. A sua função seria a de verificar in loco se o dinheiro é bem aplicado, com a possibilidade de apresentar sugestões às organizações empreendedoras. Outra função atribuída seria a de ser aquilo que na gíria do futebol se chama por "olheiro". Ao descobrir alguém com talento em qualquer área artística, teria de encetar contactos e lhe fazer propostas para divulgar o seu trabalho; por outras palavras, fazer de mecenas público.

A cultura é um assunto muito sério que não está devidamente discutido entre a população e os agentes políticos. O Estado perde demasiado tempo em discutir quanto deve dar, em vez de discutir a quem o deve dar e com que contrapartidas. E esta é também uma questão de gestão de recursos, não humanos, mas de talentos.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Qual a diferença entre o aborto e um telemóvel?

Nutro muita estima pelo João César das Neves, mas na conferência que deu no dia de ontem, acabou por ter uma tirada muito infeliz. O "sim" agradece.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

O professor tutor

Muito se tem criticado o presidente americano por não acertar uma no seu plano para o Iraque. O mesmo se pode dizer do actual Ministério da Educação.
Professor tutor? com as funções pretendidas? Por amor de deus!

Já que acumula assim tantas responsabilidades, por que não dar-lhe a responsabilidade de, no fim do dia, varrer a sala, limpar o quadro e encerrar a escola?

Mais uma vez, que vejam o cargo de professor tutor nos Açores. Mesmo nome, funções bem diferentes mas muito mais pertinentes.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

O que se ouve por aqui


Scenes from a memory, dos Dream Theater é provavelmente o melhor disco de rock progressivo imaginado em finais do século XX (1999). É um álbum conceptual, o que significa que contém uma história que se vai desenvolvendo ao longo das músicas, fazendo com que elas sejam interligadas. Para além da história, muito interessante, a parte musical é absolutamente extraordinária. Todas as músicas giram à volta de uma melodia que aos poucos se vai desvendando à medida que se ouve o álbum. Consoante a sequência da suposta acção, a música, tal como num filme, adequa-se aos momentos mais fortes, violentos ou até românticos que giram à volta das personagens.

A introdução começa com a voz de um hipnoterapeuta que tenta, pelo método da hipnoterapia, voltar ao passado do seu paciente, Nicolas, para tentar perceber um passado enigmático e trágico. Durante os temas, de grande execução técnica e vocal, percebe-se todas as referências às grandes bandas rock como Pink Floyd ou Queen. O recurso a um coro de Gospell dá ainda mais aquela sensação angélica e constitui um marco que no concerto dado em Nova Iorque por ocasião da gravação do DVD, subsequente ao disco, prova a capacidade criativa dos elementos da banda.

De todos os temas excelentes que constituem o álbum, destaco "The spirit carries on" pela música que passeia entre o blues e a guitarra de David Gilmor (Pink Floyd), mas sobretudo pela letra simples e inspiradora:
"If i die tomorrow/
I´ll be alright
Because i believe
That after we're gone
Spirit carries on"


O que é interessante é que a banda estava a passar um mau bocado com a editora e interrogava-se sobre a sua continuação. Apostaram tudo neste álbum o que lhes valeu um sucesso comercial incrível e deram um salto na fama como banda rock (claro que estamos a falar de um grupo restrito de admiradores deste género musical, mas que perfazem milhões pelo mundo fora).

Numa entrevista dada a uma revista de música, Mike Portnoy, baterista, já dizia que nunca conseguiriam fazer melhor do "Scenes from a memory". Esta afirmação, que poderia ser somente Marketing, é uma verdade, pois até agora os posteriores trabalhos são bons mas não chegam à excelência.

domingo, janeiro 14, 2007

Os filhos da Alemanha

Para inaugurar o novo ano, o governo alemão decidiu entregar um prémio de 25 mil euros a todas as suas concidadãs que, a partir de 2007, tivessem um filho. O objectivo desta medida consiste em voltar ao número de nascimentos igual à taxa que a Alemanha tinha logo após a Segunda Guerra Mundial. Actualmente, o gigante europeu encontra-se numa grave crise demográfica em que os índices de reposição da população nacional se encontram muito baixos. Quase que se pode dizer que os alemães estão em vias de extinção! Obviamente, o problema não é em nada igual à de certas espécies animais, pois o problema é de carácter socio-económico. Para muitos, esta medida é sedutora, no entanto, servirá os propósitos do governo da chanceler Angela Merkel?

Este problema não é sintomático da Alemanha, mas de todos os países europeus, inclusive Portugal. As actuais famílias optam por uma nova filosofia de vida, em que o sucesso pessoal é atingido com a ascensão profissional, com a obtenção de bens materiais e já não com a perpetuação de gerações. Se dantes os pais trabalhavam arduamente para que os filhos tivessem um futuro melhor, agora interessa o presente e a auto-satisfação; significa que é possível melhorar a própria vida e não resignar-se a ela e ao rumo que segue. Não se trata aqui de criticar esta perspectiva de vida; trata-se simplesmente de a constatar. As mulheres fazem parte da força laboral, artística, desportiva, científica, empresarial e política do mundo. A sua emancipação levou a que o conceito tradicional de família fosse redefinido. O próprio aumento dos divórcios, das famílias monoparentais ajudam também à reformulação deste conceito.

O Estado, que tem uma visão mais distante e prospectiva, reconhece que o actual caminho dado à satisfação unipessoal pode dar origem a problemas demográficos graves. Como substituir a presente força trabalhadora se não há crianças suficientes? Como pagar as futuras reformas se não houver trabalhadores suficientes? Muitos países, como o nosso, escolheram aumentar a idade de trabalho (dizem que é de reforma), sob o pretexto que as pessoas vivem mais. É uma verdade indiscutível. No entanto, em que condições estarão pessoas com 65 anos para desempenhar os actuais cargos que ocupam com os actuais 35 anos de idade? Uma coisa é recorrer à medicina para prolongar a vida, outra é recorrer às leis. A primeira tem efeitos paliativos; a segunda pode ter efeitos depressivos. Esta é uma opinião muito discutível, pois não há dúvidas de que na sociedade a utilidade é um sentimento que reforça os laços com a vida e entre as pessoas.

Contudo, a política encetada pelo governo alemão pode não corresponder àquilo que este deseja. Isto por uma razão simples. Não é com dinheiro que se moverá uma mulher ou um casal de prescindir das suas ambições pessoais. Se a possibilidade de ter um ou mais filhos diminui a hipótese de subir na carreira profissional, de ter um carro de alta gama ou uma casa melhor, então simplesmente não haverá filhos. Pode parecer duro, mas é assim que as coisas estão para o lado ocidental. Nunca o egocentrismo foi levado tão à letra!

O modelo nórdico que consiste em apoiar as mulheres durante e após a gravidez, permitindo-as trabalhar menos horas – sem prejuízo de salário ou do emprego – e passar mais tempo com a família é o caminho certo a seguir. Assim, consegue-se compatibilizar os dois pontos de vista: o pessoal e o nacional.

Mais uma vez é interessante reparar que a Alemanha e outros países se desdobrem em acções legislativas para estimular o nascimento de crianças e que Portugal esteja a votar a possibilidade de anulá-lo com o próximo referendo ao aborto.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Uma pergunta de dífícil resposta

«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»

As próximas semanas vão dar que falar. Já fui a favor, já fui contra, porque os argumentos para ambas as posições são válidos. Mas não há dúvida de que o "sim" tem um peso maior. Só o facto de se comparar a nossa legislação com a de outros países mais ricos e mais desenvolvidos do que o nosso pressiona mais as pessoas para que adiram à causa da despenalização. A mania de usar os rankings também pode servir para esta situação. De igual modo, se o Estado pretende responsabilizar mais os cidadãos pelos seus actos, não interferindo com as suas escolhas pessoais, este passo será significativo nesse desejo de emancipação social.

Para os defensores do "não", os argumentos serão os mesmos de sempre. Mas há um interessante e que me seduz. Encarar o aborto como mais método de contracepção perturba-me e acaba por pesar na consciência das pessoas. Uma coisa é impedir que o espermatozoíde fecunde o óvulo, outro é matar o feto.

Poderei passar por ignorante - e até sou - mas quando vi, há uns meses atrás, no ecrã da máquina de ecografia o coração da minha filha a bater que tinha na altura 10 semanas, as coisas ficaram mais confusas. Decidir não é fácil.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

O impasse iraquiano

E se George W Bush tivesse dito que retiraria as tropas americanas por achar que os iraquianos e o seu governo não estão a trabalhar devidamente para a estabilização do Iraque?

E se o presidente norte-americano tivesse dito que retiraria as suas tropas porque a situação piorou e que já estava a gastar demasiado dinheiro e a perder muitas vidas?

A situação é grave. Retirar, como já escrevia há meses atrás, é pior e sobretudo moralmente inaceitável. A firmeza é o único sinal para mostrar às forças insurgentes, rebeldes, terroristas ou o que quiserem chamar que elas não vão vencer.

A diplomacia regional e uma maior responsabilização do Estado iraquiano são dois novos factores a ter em conta para a estabilização daquele país.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

C'est une palhaçade!

O Presidente francês defendeu, na mensagem do novo ano, a implementação de uma lei universal para a habitação. Com base na carta social europeia, disse que o Estado deve assegurar alojamento para todos os cidadãos.
O princípio é salutar mas a realidade é sempre outra. O desfasamento entre a boa vontade e a moralidade de certas medidas pode levar a grandes injustiças.

Se, para além do Estado, existe ONG's, associações de solidariedade que ajudam os sem-abrigos e pessoas com poucos rendimentos, como explicar que agora todos têm direito a casa, mesmo que não precisem de trabalhar como muitas famílias de classe média, média-alta que se endividaram até ao fim dos seus dias para ter um lar?
Será que se vão aumentar os impostos para construir ou reabilitar as casas para essas tais pessoas "necessitadas"? Os mesmo acabarão por pagar essas despesas extras do Estado. Este conceito de modelo social europeu vai acabar por dar cabo da Europa.

O que vale é que Jacques Chirac está em fim de um mandato presidencial desastroso e o que realmente demonstra é que, com esta proposta, pretende sair a bem com os franceses.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

A hipocrisia chamada Voos da CIA

Há muito que se discute se os países da União Europeia devem ter ou não uma política de defesa comuns. Enquanto se discute isso, a U.E. dá-se ao luxo de investigar possíveis casos de favorecimentos especiais aos Estados Unidos que ferem qualquer lei sobre os direitos dos Homens.

O problema é que alguns deputados se imiscuiram demasiado nas políticas internas dos países e outros, como a eurodeputada Ana Gomes, encarregaram-se de descridibilizar toda a investigação por, por um lado, falar antes do tempo, pois uma investigação requer tempo, para a acumulação de factos e provas, e secretismo, para a provação das eventuais acusações a serem feitas.

Onde se quer chegar? Pôr os E.U.A. em tribunal? Mas qual? Mostrar a superioridade moral dos europeus? Para quê? Envergonhar certos países europeus por terem sido condescendentes para com as políticas americanas?

Os Serviços Secretos têm uma forma de trabalhar que por vezes impossibilita saber o que realmente se passa nas suas viagens e até procedimentos. Torna-se uma questão de diplomacia de confiança. Se não fosse assim, muitos outros atentados teriam ocorrido.

domingo, janeiro 07, 2007

Um plano para o Iraque


O ano de 2006 acabou com a execução do ditador Saddam Hussein. O mundo, sobretudo ocidental, manifestou o seu repúdio pela pena de morte bem como pela forma indigna como ela decorreu. No meio de todos estes protestos, só o presidente dos Estados Unidos demonstrou algum regozijo pelo enforcamento de um dos seus arqui-inimigos. O que estimulou ainda mais a ira por parte daqueles que sempre se opuseram à intervenção no Iraque por parte da América. Na verdade, George W Bush não deixou de ser coerente para com os seus princípios. Ele próprio, enquanto governador do Texas, ordenou a aplicação da pena de morte a muitos criminosos americanos daquele estado. No entanto, a verdadeira questão incide sobre se esta execução ajuda a estabilizar o Iraque, como muitos elementos da Administração americana o proclamam; e até agora esta posição levanta sérias dúvidas.

Com as últimas eleições intercalares, o senado americano passou para as mãos dos democratas o que obriga o presidente a trabalhar num clima de coabitação política. A dois anos do fim do seu mandato e em que a presidência se tornou extremamente arrogante e obcecada com os seus princípios ideológicos, esta mudança representa uma lufada de ar fresco e de esperança, não só para os cidadãos americanos como também para o resto do mundo. A questão do Iraque é crucial para a política americana seja ela externa ou interna. Um grupo de trabalho que reflectiu sobre esta questão apresentou recomendações ao governo americano por forma a impedir o descalabro da guerra civil, mas sobretudo para salvar a face dos Estados Unidos que já não sabem como sair daquele impasse. Surpreendentemente para alguns, a administração Bush recusou acatar essas recomendações e até vai, em certos casos, seguir o seu contrário. O envio de mais tropas para a região é o sinal mais evidente da divergência de perspectiva. Em breve, o presidente irá apresentar um novo rumo para o Iraque.

Os democratas sabem que a partir de agora a sua voz tem mais impacto e muitos dos políticos influentes daquele partido já assumiram que a retirada das tropas é o caminho a seguir. Neste campo, os argumentos utilizados são bastante aterradores. Supostamente, o povo iraquiano não quer a paz e, por isso, as tropas americanas devem sair para deixá-los resolver os seus problemas já que América não tem nada a ver com esses conflitos internos. A guerra civil iraquiana não é culpa dos Estados Unidos. Se George Bush apresentasse este tipo de falácia até se percebia. Enterrado como está, fugir seria a única solução hipócrita. Mas não. Retirar do Iraque será, na sua perspectiva, ainda mais perigoso e sobretudo moralmente inaceitável. Porém, há uma questão unânime: até quanto tempo as tropas devem ficar por lá?

Com esta intervenção, a ideia de que a democracia pode ser encarada como um franchising ficou definitivamente anulada. A intenção é boa porque parte-se do princípio que os povos querem a paz e a liberdade. No entanto, não é inteiramente verdade. O destronamento de Saddam Hussein revelou ao mundo as fracturas civilizacionais que o Iraque tem. À partida, o actual conflito tem duas facções religiosas opostas: sunitas e xiitas. Não entanto, a norte há os curdos e noutras zonas do país haverá outras tribos menos numerosas que disputam territórios e posições de poder. Dito isto, falar em democracia é começar pelo telhado em vez dos alicerces. A questão do território e da sua divisão é, provavelmente, a mais crucial.

A regionalização é um processo que deve ser encarado com muita seriedade. Mas aqui, o governo americano pouco pode fazer. Devem ser os iraquianos e seus líderes a resolver este problema. Daí que, no plano político, a administração Bush deverá ter menos influência na forma como decorre o processo constitucional e executivo do governo iraquiano. A formação dos militares e seu apetrechamento em armas devem ser as prioridades. A retirada deverá então ser faseada sempre com o aval do governo iraquiano.

Claro que esta forma de proceder, que mais se coaduna com os propósitos desta administração, tem um senão. Até agora, quando se dá aos povos do Médio Oriente a possibilidade de votar, eles optam por um partido com ideias muito próximas das dos radicais islâmicos. A vitória do Hamas na Palestina é o grande exemplo. Poderá então surgir um novo ditador “criado” pelos Estados Unidos. Convém não esquecer que Moqtada al-Sadr começou com o apoio dos americanos. Neste cenário, que é também perturbador, será mais fácil a justificação de que os iraquianos terão livremente escolhido o seu líder e este fará como entender.

Os árabes são tendencialmente vistos como um povo que gosta de ter um líder forte, carismático – violento até – para idolatrar. A ideia de criar um governo e partidos de oposição não é possível de concretizar porque, por detrás, os intervenientes representam facções religiosas ou tribais que nutrem ódios de morte uns contra os outros. O choque de culturas está bem patente e nunca foi tão importante estudar História como agora.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Quanto mais tsunamis, melhor!

Ao fazer a comptabilidade de final de ano, descobriu-se que algumas ONG não "aplicaram" da melhor forma os donativos concedidos para apoiar as vítimas do Tsunami de Dezembro de 2004 no leste asiático.

Este tipo de calamidade pode dar lugar a uma nova forma de ganhar dinheiro. A palavra moral ainda consta do dicionário, mas nada mais.

O resultado das negociações com terroristas

Pois é. Triste porque há vítimas a registar. Este balde de água fria vai, provavelmente, mudar a forma como os espanhóis têm aceite este governo soi-disant reformista.