Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

domingo, junho 29, 2008

Repensar Angra


Num momento especial para a cidade como o são as festas das Sanjoaninas que comemoraram os 25 anos da sua designação enquanto cidade Património Mundial pela UNESCO, por intermédio de alguns meios de comunicação social, como o Diário Insular ou a RTP Açores, proporcionou-se um debate alargado e interessante sobre o estado da cidade de Angra. Os problemas da cidade estão amplamente detectados e o que se pretendeu nas discussões foi dar um passo em frente no sentido de encontrar soluções que dessem novamente a grandiosidade que Angra conseguiu no passado. Mas os tempos são outros. Será isso possível? Ou teremos nós de nos resignarmos à realidade dos tempos? Angra nunca voltará a ser o que era?



De entre os vários participantes envolvidos nos diversos debates e entrevistas, as novidades não surgiram da Presidente da Câmara, nem do Presidente da Câmara de Comércio ou de Historiadores de renome. Não: as novidades não vieram de quem mais se esperava. De facto, a discussão só se tornou interessante e proveitosa quando vozes mais ou menos anónimas, politicamente descomprometidas e jovens tomaram a palavra. A sociedade civil tomou a palavra – e bem – acerca de Angra. Ao longo destes últimos anos, tem-se ouvido a palavra de políticos e empresários sobre o tipo de progresso pelo qual Angra deve enveredar. Ao longo desses anos, o discurso tem sido semelhante e o caminho parece ter encontrado um novo obstáculo: a perda de poder e influência quer da cidade, quer da ilha Terceira. Mas não será isso uma consequência do próprio discurso que tem dominado nesses últimos anos? Não será isso a prova de que as políticas resultantes desse discurso têm fracassado?



Verifica-se que com os políticos e empresários já não vamos lá. Se é preciso repensar Angra, provavelmente é preciso recorrer a quem é especialista nessa matéria. A entrevista que o professor Mário Cabral concedeu é um notável exemplo disso. Angra, uma filosofia de vida. Não será esse o mote para começar tudo de novo? Há tempos defendi – e defendo – que Angra precisa de um toque feminino. A nomeação de uma mulher à chefia da Câmara pode ser um bom prenúncio mas não reflecte a minha visão final. Angra precisa de ser acarinhada e cuidada como se fosse uma flor. É disso que se trata. Quando o professor de Filosofia diz, de forma provocatória, que Angra não é uma prostituta, interpreto as suas palavras com esse mesmo sentido: ao encará-la como um produto rentável para os turistas, deixou-se de pensar nela enquanto cidade com habitantes e com uma vida e uma cultura muito próprias.



Recomeçar do zero significa deixar de pensar nos turistas e começar a pensar nos angrenses. A cidade só poderá oferecer uma boa hospitalidade a quem a vier visitar quando os seus próprios habitantes estiverem bem acomodados e se sentirem felizes vivendo nela. De que serve uma cidade deserta com edifícios históricos a servirem de cenário? De que serve uma cidade que vive demasiado do seu passado? De que serve ter uma cidade com uma vida superficial em que as pessoas só lá se deslocam para trabalhar ou para a visitar?



Agora é que o verdadeiro debate começou. Viver apenas de ideias não é viável, daí a importância dos políticos e empresários para dar pragmatismo ao discurso. Primeiro filosofar Angra e, só depois, reconstruí-la.

sexta-feira, junho 27, 2008

Os políticos e as questões fracturantes

Em entrevistas políticas, costuma-se fazer perguntas pessoais sobre esses temas e as respostas têm mostrado alguma evolução dos políticos sobre a matéria:


"- O que acha do haxixe?

- Experimentei e não gostei.

- E os Homossexuais?

- Experimentei e não gostei.

- Não! não era isso...

- Ah! Desculpe, percebi mal..."

Se eu fosse ditador...

Muitas pessoas iriam ganhar com isso,

Mas muitas iriam sofrer tanto!

domingo, junho 22, 2008

Os traidores da Democracia


Quem subir o kilimanjaro e do alto do seu cume apreciar a vista para os lados do Norte, poderá ver ao longe esfumações verticais enegrecendo o céu da Europa. A reacção ao “não” irlandês por parte de altos responsáveis políticos europeus mostrou o quanto a democracia ocidental está doente e o quanto se afasta dos cidadãos.

Quando se faz um referendo e o resultado é contrário ao que se pretende, não se obriga a repetir a votação até alcançar o pretendido. Quase que incluiria esta afirmação nas verdades de La Palisse de tão óbvio que é. Mas para alguns políticos europeus, parece que já não é assim; na verdade, parece que, de vez em quando, a democracia não dá jeito nenhum. Nunca foi tão oportuno ler Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago como agora. Será preciso castigar a Irlanda por ter cometido tamanha provocação? Será preciso isolá-la ou “excomungá-la” da União Europeia por tal atrevimento? Algumas vozes mais conscientes e razoáveis pediram calma e, sobretudo, tempo para analisar os resultados e preparar um plano B. No entanto, o ressentimento mantém-se e eu, se fosse irlandês que tivesse votado sim ao Tratado de Lisboa e me obrigassem, por ingerência de outros países, a repetir a votação, a minha caneta só teria um direcção: o “não”.

O Ocidente sempre se vangloriou de ser um libertador, promotor das liberdades e da igualdade. O sistema democrático é a resposta pacífica contra as ditaduras, muitas delas, disfarçadas que pululam pelo mundo fora. A América do Norte, bem como a Europa são cobiçadas pelos povos oprimidos de África, da Ásia ou da América latina. Viver em liberdade e trabalhar ganhando dinheiro suficiente para viver condignamente, sustentando a família são os dois objectivos pelos quais os clandestinos têm lutado, mesmo pondo em causa a própria vida e segurança pessoal. Todos os dias entram milhares de emigrantes nos países ocidentais que são logo a seguir expulsos, mal tratados ou explorados numa nova forma de escravatura mas que mesmo assim não os impede de continuar e fugir dos seus países de origem.

A democracia não nasceu do nada e percorrendo a História dos países ocidentais verifica-se uma progressão violenta, sangrenta que mostra a morosidade do parto. E não: a democracia também não é um direito adquirido. Os dias recentes provam-no e nunca os princípios democráticos estiveram em causa como hoje. Os países fora desse contexto político e geográfico olham para nós com desconfiança e perplexidade. “Como se atrevem em querer promover a liberdade e a democracia nem que seja à força se dentro dos seus territórios as coisas parecem não funcionar correctamente? Como exigir maior abertura por parte da Venezuela, da Arábia Saudita ou de Angola se os próprios povos da Europa ou da América se sentem defraudados ou enganados pelos seus governantes? Que legitimidade têm eles para exigir o que quer que seja se, para proteger os seus agricultores, não se importam que os outros povos morram à fome?”

Estas interrogações reflectem o sentimento de raiva que cresce em muitos países do mundo. Não obstante o aproveitamento populista de certos chefes de estados hostis ao Ocidente que transformam esta raiva das populações em ódio, existe uma ponta de verdade. Desde 2003, com a invasão do Iraque e a promessa de libertação daquele país que os países democráticos têm perdido legitimidade moral. Negando, nalguns pontos, o direito à diferença civilizacional, entrou-se num caminho em que o nosso modo de vida é o melhor e ponto final. Omitimos, contudo, que as nossas mulheres só votam desde o princípio do século XX e nalguns países desde meados desse século. Omitimos que a igualdade entre raças é ainda para alguns uma miragem disfarçada por um politicamente correcto, que não passa de boas intenções. Reconheçamo-lo: temos os nossos defeitos. E prefiro os nossos defeitos do que os defeitos de qualquer outra nação não democrática. No entanto, convém olhar para os pequenos passos que têm sido dados por países outrora altamente repressivos e que, devagar, ao ritmo da cultura do seu povo, se vão abrindo para a Democracia.

Existe uma crise civilizacional. As guerras são frequentemente o resultado de uma reacção irracional, por medo a incompreensões do mundo e das pessoas. Só poderemos levar a paz aos outros quando estivermos em paz com nós próprios.

sábado, junho 21, 2008

Consolo para a DRE Açores

Aqui, no meio do Atlântico, não se brinca para as estatísticas! Perguntem aos professores de Matemática que leccionam nos Açores.
Quando se pensava que a criação de uma prova de âmbito regional só podia ser visto como uma tentação ao facilitismo afinal, é para fugir dessa tentação que alastra no continente.
Vá lá, admito que na prova (PASE) de português se pedia para colocar no feminino do plural palavras como "irmão", "actor" ou "patrão". Mas o resto exigia mais.
Dentro em breve, os alunos portugueses serão considerados os mais ignaros da União Europeia com resultados escolares mais proveitosos.
Porreiro, pá!

sexta-feira, junho 20, 2008

Um outro mundo



Um a seguir ao outro. Anatomia da reconstrução do Iraque.
O exagero da democracia leva a situações tristes como as que foram vividas pelos iraquianos.
Também não se pode negar a vida virtual que eles levavam com Saddam Hussein (uma fábrica com 4000 operários que na verdade só precisava de 1000). Com fazer compreender a essa gente que era preciso trabalhar mesmo e não disfarçar que se trabalhava?
Um livro brilhante seguido de uma paródia política em filme.

domingo, junho 15, 2008

Uma escola de futuro e para todos

Entre exames do 12º, avaliações finais e matrículas para um novo ano lectivo, os alunos das escolas portuguesas encontram-se numa fase bastante intensa e dinâmica das suas vidas escolares, antes de iniciar o “repouso do guerreiro” com o calor do verão que se aproxima. Perante os novos desafios que a nossa sociedade enfrenta, estará a escola pública capaz de preparar os cidadãos de amanhã?


Em Portugal, a escola adaptou-se ao sistema do ensino universal e obrigatório para todas as crianças independentemente da sua origem social ou étnica. Essa adequação não é, contudo, perfeita e tem potenciado situações de exclusão ou até discriminação social. São sobejamente conhecidas notícias de escolas públicas nas grandes cidades que recusam a matrícula de determinados alunos devido à sua condição social. Mas o problema da Escola em Portugal centra-se sobretudo no insucesso e no respectivo abandono escolar. São dois problemas que estão intimamente ligados e que minam a credibilidade do sistema educativo do nosso país. Para os resolver, é preciso mudar o paradigma da escola: a escola do século XXI não pode ser uma continuidade da do século passado. Alguns passos já estão a ser dados neste sentido. Torna-se imperativo e urgente transformar estas mudanças numa realidade comum e global.



Se o século XX trouxe a feliz premissa de que todos tinham direito à educação, o século XXI tem de reconhecer o princípio seguinte: todos têm direito à educação, mas nem todos conseguirão ser médicos ou engenheiros. Poderá parecer bastante óbvio, mas o facto é que o sistema normativo da escola tem impossibilitado a criação de alternativas aliciantes para aqueles alunos que não querem ou não conseguem prosseguir os seus estudos. As escolas profissionais e os cursos tecnológicos são uma resposta interessante mas insuficiente porque se cingem a cursos demasiado básicos e centrados em serviços que transformarão os alunos em empregados e não em empreendedores. Um sistema educativo que se quer plural na inclusão tem de ser plural nos caminhos que propõe aos alunos. A audácia educativa consiste em dar a capacidade à pessoa de se libertar e se tornar autónoma podendo concretizar os seus sonhos e ter uma vida flexível de acordo com a vontade.


Isto é muito bonito escrito mas como passar da teoria à prática?


Antes de mais, parte-se do princípio que não é obrigatório ser-se licenciado ou ter muitas habilitações para se ser empresário. Parte-se também de outro princípio que defende que nem todas as pessoas têm capacidade de liderança e de gestão, significando que haverá sempre empregados e empregadores. A sociedade ocidental tem privilegiado apenas um tipo de emprego, assalariado, para um proprietário ou uma empresa. Muhammad Yunus, prémio Nobel da Paz em 2006, criador do micro-crédito e conhecido como o banqueiro dos pobres, diz o seguinte: “Hoje, nos países do Norte, as crianças trabalham duramente na escola para obterem um bom emprego. Em adultos, irão trabalhar por conta de alguém. Ora, o ser humano não nasceu para servir outro ser humano”.


O desafio que é dado às escolas é para que olhem à sua volta, na sociedade onde se inserem, e criem currículos adequados às necessidades sociais, económicas e culturais da sua envoltura. Se o país vive sobretudo das pequenas e médias empresas, é preciso orientar a escola nesse sentido, formando cidadãos que sejam exímios na sua profissão e sobretudo emancipados.

Alguns dirão que o reencaminhamento constante para currículos profissionais constitui uma derrota para o ensino regular. Mas não é. É uma mudança de paradigma. E as mudanças envolvem sempre choques de pensamento. Muito do desalento que se verifica nos alunos advém da desmotivação, na falta de resposta da escola relativamente ao seu futuro. Cabe à escola pública diversificar a oferta, aproveitando os seus recursos humanos para as áreas de conhecimento geral e contratando especialistas em determinadas áreas profissionais. Com o novo Quadro Comunitário de Apoio da União Europeia, convém aproveitar os fundos para reestruturar ou adquirir novos equipamentos e construir oficinas, laboratórios e ateliers de artes, indo assim ao encontro desse novo paradigma educativo. O que a escola não precisa é de piscinas que nem possuem as medidas olímpicas, só para a fotografia de panfleto.

Proposta para os Gato Fedorento

Este é um sketch à “Diz que é uma espécie de magazine”

Imaginem mais um programa “Na Roça Com os Tachos”, com o carismático apresentador João Carlos Silva. O programa decorre normalmente com um cenário de uma paisagem portuguesa conhecida por trás e as ferramentas de cozinha “crioulas” a que o embaixador da cozinha africana tanto no habituou.

No meio da preparação, aparece um agente da PIDE, perdão, da ASAE (papel desempenhado por Ricardo Araújo Pereira, num misto de GNR embigodado com a farda especial típica das operações especiais) para fiscalizar a licença de cozinha ao ar livre e as condições de higiene em que decorre o programa.


Obviamente, não há licenças nem condições para que João Carlos Silva continue. O cómico de situação tem de ser bem evidenciado. Quando tudo está a postos para acabar com o programa, o agente pede identificação ao apresentador que não tem.



Aqui, estamos perante um caso de Serviços de Estrangeiros e Fronteiras com a possibilidade de repatriamento visto que, supostamente, o apresentador se encontra em situação de permanência irregular em Portugal. Surge então outro “gato”, com a insígnia do SEF, que traz consigo algemado o “nosso” Mantorras por ter sido apanhado com a carta de condução caducada. Ambos serão repatriados nos seus países de origem pelos agentes da lei portuguesa.

quarta-feira, junho 11, 2008

Crise dos combustíveis

Desta vez, as diferenças políticas deverão ser postas de lado.


Atendendo ao que passa nos telejornais:
O aumento crescente dos problemas e conflitos sociais que surgem devido à escassez de combustível obriga a uma unidade interpartidária para, num primeiro momento, repor a lei e a ordem e, a seguir, tratar de medidas de médio prazo com reuniões extraordinárias com Bruxelas se for preciso.
Até agora, mortes só por atropelamento. Mas é indiscutível que já há vítimas mortais por causa da crise dos combustíveis.
A cada dia que passa e nada se faz, o perigo sobre a sociedade aumenta e o Estado de Direito fica mais desprotegido.

Como nos filmes

Nunca estivemos tão perto do caos como agora.
Há momentos em que se justifica plenamente uma reunião do Conselho de Estado.

segunda-feira, junho 09, 2008

Miséria na Terceira

É com muita preocupação e também alguma incredulidade que recebo a notícia de que a Cruz Vermelha da Terceira não tem mãos a medir perante tanto pedido de auxílio nos alimentos e vestuários.
A miséria cresce na ilha, apesar dos aumento de subsídios e da preocupação social de que se vangloria tanto o Governo Regional.

domingo, junho 08, 2008

Novos desafios para Angra


Muito se escreveu acerca da renúncia de José Pedro Cardoso à presidência da Câmara de Angra do Heroísmo. A não ser os socialistas e os comprometidos com o partido, há um consenso geral que aponta para o erro colossal dessa decisão e da manigância partidária escondida que está por detrás dela. Enquanto que os jornalistas do continente anseiam por conseguir uma entrevista exclusiva com Cristiano Ronaldo, os jornalistas da Terceira bem gostavam que José Pedro Cardoso lhes concedesse a sua, só para oficializar o que já se sabe, sem, no entanto, deixar de possibilitar um fantástico scoop. Por mim, encerro esse malogrado capítulo com uma analogia teatral: “sair de cena pela porta pequena é sempre mau, mas pior é sair de cena, vaiado, a meio da peça”.



A nova direcção camarária terá como principal objectivo o de preparar a reeleição do Partido Socialista nas próximas autárquicas. Pode ser uma injustiça em relação às outras forças partidárias mas esta situação é legal e a política também pode ser pura e dura. Mérito aos estrategas do PS que andam há mais de um ano a preparar esta jogada. Não obstante estas guerrilhas políticas, uma cidade precisa de se desenvolver, atraindo investimento privado para fomentar emprego, e possibilitar condições de bem-estar e uma boa qualidade de vida aos seus munícipes. Por isso, a nova governação camarária terá de apressar o passo e fazer diferente da direcção anterior. Haverá quem diga que não é difícil visto que a outra nada mais fazia do que uma autogestão da coisa pública. Contudo, esta nova edilidade não poderá nunca emancipar-se demasiado porque dará nas vistas e terá pouco tempo de actuação para convencer os angrenses de que vale a pena continuar com ela. Aliás, quando escrevo isto, parto do princípio de que os angrenses não lêem jornais, nem se informam e acham que os partidos políticos são sempre bem intencionados na sua actuação. Mas a realidade mostra cidadãos enraivecidos por terem sido enganados e desconsiderados (coisa que não irão esquecer tão cedo). Por isso, é bom que a nova presidente tenha consciência de que a sua missão é quase impossível.

Fazer obras à pressa ou querer apresentar resultados concretos sem um rumo definido acaba sempre mal. Angra do Heroísmo precisa de uma nova redefinição enquanto cidade histórica. É preciso estudar, consultar e orientar uma estratégia que dê uma nova vida à cidade. É preciso, por vezes, romper com certos vícios que existem ou corrigir erros que foram cometidos. Por essas razões todas, é preciso tempo; tempo para estudar e tempo para actuar até aparecerem resultados. Daí a minha preocupação em ver uma cidade que, por razões obviamente eleitorais, vai cair nas mãos de demagogos que só pensarão no curto prazo.

O centro de Angra precisa de diminuir o nível de poluição sonora e ambiental reencaminhando os autocarros para fora do centro; precisa de atrair moradores para não se parecer com os cenários das grandes produtoras de filmes, nem deixar cair de podre os seus históricos edifícios; precisa de encontrar um local digno para receber os utentes dos transportes públicos que diariamente se deslocam até à cidade; precisa de encontrar uma nova forma de realizar espectáculos nas suas festas anuais sem prejudicar os moradores; na mesma sequência, precisa de cobrar as entradas dos grandes concertos que, todos os anos, organiza; precisa de racionalizar as suas despesas, deixando, por exemplo, de facultar o acesso gratuito aos “minibus”; precisa de convencer os empresários locais a participar na remodelação e dinamização de certos espaços públicos, como os celeiros por exemplo; precisa de trabalhar em estreita colaboração com agências de viagens e a Universidade dos Açores para atrair turistas nas épocas altas, bem como para realizar conferências no Inverno. Como se pode ver, estas são uma amostra de pequenas ideias que, avulso, não dão grande coisa mas geridas com planeamento e pensamento estratégico podem transformar esta cidade tão apática numa das cidades mais dinâmicas do país.

Muitos angrenses informados deitam culpas ao Governo Regional por investir demasiado em São Miguel em detrimento da Terceira e das outras ilhas, quase invejando a hiperactividade empresarial, cultural e cosmopolita da cidade de Ponta Delgada. Chegou o momento de perguntar aos terceirenses, em geral, e aos angrenses, em particular, o que têm para dar à sua terra; o que podem fazer para dar novamente à sua terra o estatuto que granjeou no passado.

Chegou o momento de Angra encontrar os seus heróis.

sábado, junho 07, 2008

Já me esquecia

O Paulo pensa de que, logicamente, o Benfica irá atingir os seus objectivos e será campeão com dranquilidade.

Nas próximas semanas, vamos passar bons momentos. Gritar, palavrear, chorar, abraçar e beber cerveja ao som de Roberto Leal e Tony Carreira.
Vá lá, mais um palpite meu:
Portugal chega às meias-finais.
A equipa de hoje mete muito respeito. É uma autêntica Dream Team.

Euro 2008

Começa hoje uma nova lavagem ao cérebro.
O Governo agradece.

Humor Lol

"Ele tinha uma atitude tão literal que foi preso por cometer obscenidades num restaurante quando viu que o prato do dia era punheta de bacalhau"

quinta-feira, junho 05, 2008

Só não acerto no Euromilhões

Em Março, defendi que Barack Obama seria o nomeado dos Democratas por ser o melhor candidato. Inclusive, em Janeiro, tinha defendido que a possibilidade de Hillary Clinton ser a sua vice-presidente fazia todo o sentido e reforçaria a possiblidade de os democratas vencerem com grande margem sobre o Republicanos. Agora, fala-se na fórmula "Dream Team".
Não acerto no Euromilhões, infelizmente, mas posso dar outros palpites:
  • Manuela Ferreira Leite será eleita Presidente do PSD. (tarde de mais a eleição já decorreu, por isso batota).
  • A seguir à Terça é a Quarta (óbvia; não vale)

Então vou a outro desafio com poucas hipóteses de acertar mas que não deixa de ser aliciante.

Considero que o preço do petróleo irá baixar para menos de 100 dólares.

Razões:
  1. Os produtores de petróleo perceberam que não podem brincar com o fogo apesar de terem dado um aviso muito positivo ao mundo: é preciso poupar nos combustíveis e ser mais racional no uso das energias não renováveis.
  2. O mundo percebeu que os especuladores abusaram e os governos reagem em uníssono contra este movimento escondido e ganancioso.
  3. Ainda há muito petróleo debaixo de terra, mesmo se há mais procura do dito cujo em relação ao passado.
  4. Surgiu uma grande pressão para que os Estados Unidos e a União Europeia revejam as suas políticas agrícolas.
  5. África como a china ou Rússia perceberam que não podem depender demasiado dos outros continentes na aquisição de bens alimentares.
  6. Como grandes produtores agrícolas, A Europa e os Estados Unidos podem aproveitar essa vantagem em termos de negociação Oil for Food.
  7. Os países da OPEP podem perder muito dinheiro se todos os países precisarem de menos petróleo por investir em demasia nas energias renováveis, nucleares ou, simplesmente, que sejam bons na eficiência energética.

Não faço apostas, mas, como acordei convencido como nunca, acho que isto irá acontecer.

Estes momentos farão parte da História da Humanidade

terça-feira, junho 03, 2008

Le pétrole, toujours le pétrole...

A Autoridade da Concorrência demonstrou que não há concertação ilegal de preços. Ainda bem. No entanto, reforça-se a ideia de que é o próprio Estado que aufere um enorme lucro com os impostos taxados sobre os combustíveis.
Posso não ser formado em economia, mas sei ler e continuo a defender (ver o meu texto aqui)que deve ser o Governo a tomar iniciativas fiscais para diminuir o impacto do choque petrolífero na vida dos portugueses.
Quando há concorrência neste ramo, como a de Espanha, é preciso reagir. Portugal perde diariamente milhares de euros pelo facto de muitos concidadãos abastecerem lá. Neste caso, não é preciso a União Europeia, basta boa-vontade do governo português.

domingo, junho 01, 2008

O regresso do comunismo


Por causa da influência do cinema de Hollywood, existe a ideia de que o fim do mundo será causado pelo choque de um meteorito contra o planeta Terra ou pela chegada de extraterrestres maléficos, cujo objectivo é destruir a raça humana. Contudo, a realidade é outra; longe da ficção científica, o ano de 2008 principia um novo momento na História da Humanidade; momento esse perturbador e perigoso cujo desfecho é uma total incógnita mas, por isso, muito interessante.



A soma da escalada do preço do petróleo com a subida em flecha do preço de bens alimentares só pode resultar numa mistura explosiva com detonação ainda não determinada. Os conflitos sociais a que começamos a assistir favorecem a probabilidade de guerras civis e ingerências entre nações com o único propósito de condicionar os preços ou até adquirir à força o bem mais precioso do mundo, a saber o petróleo. O mundo está em mudança. Esta é a nova página negra da História da Humanidade que se escreve em cada dia que o preço do barril de petróleo aumenta nas bolsas mundiais. O povo desespera e pede ajuda aos governos que supostamente existem para melhorar a vida dos seus concidadãos. No entanto, é preciso reconhecer que a resposta não pode ser dada unilateralmente. É preciso uma concertação mundial que impeça a tragédia que está por vir. Não há soluções fáceis mas esperar que as coisas se acalmem com a ilusão que esta situação seja passageira é o pior remédio. É preciso antecipar; mas como?



Por cá, alguns históricos da política, como Mário Soares, pedem ao governo português para ter um olhar mais atento aos novos fenómenos de pobreza e exclusão social resultantes da crise em que o país se encontra. O próprio Presidente da República também já deu indicações no mesmo sentido para que se faça alguma coisa para "evitar as crispações sociais". De facto, este assunto tornou-se o verdadeiro problema da Nação e da Europa. Chegou o momento de colocar as ideologias de um lado e as lutas partidárias noutro. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, já percebeu que sozinho nada pode fazer e lançou o repto aos outros países da União Europeia no sentido de rever as taxas sobre os combustíveis. Esta é concertação que falta concretizar. Esta é, contudo, uma medida de curto prazo para acalmar a raiva crescente das populações mas exige-se, claramente, outras medidas de fundo alargadas em diversas matérias e sectores de actividade a pensar nos próximos 50 anos. Tal como nos filmes, nestes momentos que antecedem o caos, aparece o herói que traz consigo a esperança e um desenlace feliz. Nos dias de hoje, bem precisamos de heróis, de visionários que possam salvar o mundo porém, não há meio de eles aparecerem...



Os protagonistas da Esquerda política esfreguem as mãos de satisfação, pois "já tinham avisado que a globalização e o neoliberalismo só podiam dar nisto". Juntam-se novamente para gritar em uníssono contra o governo, pedindo mais intervenção deste último para ajudar o povo e castigar os patrões, os verdadeiros culpados desta crise. Era bom que fosse assim tão simples. Depois de trinta anos de socialismo, a Esquerda deita culpas aos outros, os da Direita capitalista, pelo seu próprio falhanço. Demonizam o liberalismo como se de uma praga se tratasse: para eles, o Estado é que sabe gerir, liderar, distribuir igualitariamente a riqueza que o país produz. Qualquer tentativa de emancipação empresarial ou iniciativa privada só podem ser vistas como uma blasfémia. Não é por nada, mas no actual contexto de crise, o discurso ganha cada vez mais adeptos. Sim, camaradas, o comunismo está de volta!



Os países nórdicos, sempre referidos como modelos de boa governação social-democrata, partiram, no início, de uma base bastante liberal fruto da influência da religião protestante dominante. Presentemente, a intervenção social por parte do Estado permitiu extinguir quase por completo a pobreza e acabar com a exclusão. O liberalismo foi a resposta certa que se foi construído faseadamente durante o século XX e que acabou por tornar países como a Finlândia, a Dinamarca ou a Suécia nos mais ricos da União Europeia e cuja qualidade de vida é das mais altas do mundo.



Por cá, quer-se mais do mesmo: socialismo, mas desta vez já não do PS. O comunismo está de volta. Por mim, quando eles ganharem, estarei a rir-me dizendo: “não vos disse?” e, claro, pedirei asilo político a um dos países capitalistas que provocam tanto ódio aos vermelhos. Aliás, será tanto ódio ou tanta inveja?