Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

A minha fotografia
Nome:
Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

segunda-feira, dezembro 23, 2013

O Plano para a Terceira




1. O deputado Berto Messias entrou muito novo para a política, mas muito rapidamente ascendeu no Partido Socialista, tornando-se um dos quadros mais influente no panorama político regional. Contudo, não se pode dizer que é uma personalidade consensual, pois tem sido acusado de não defender os interesses da sua terra e de não enfrentar o centralismo de São Miguel. Não se sabe se por redenção ou por influência dalguns camaradas continentais de Esquerda que têm criado novos manifestos ou até novos partidos políticos, Berto Messias pretende promover um ciclo de debates para repensar a ilha Terceira. 

            A iniciativa é louvável, mas experiências anteriores mostram-nos que debater o desenvolvimento da Terceira não traz nada de novo, pois os problemas estão mais do que diagnosticados e as soluções mais do que encontradas. Na verdade, o que falta é ação. 

            Há também outra situação que identifico e me causa perplexidade. Por mais que os cidadãos andem fartos dos políticos, só a política é que resolve os problemas do país – neste caso, da ilha Terceira. Então, por que razão Berto Messias quer assumir-se como cidadão quando organiza tal evento? O dom da ubiquidade não existe. Para um assunto de cariz essencialmente político (como é o debater o desenvolvimento de uma ilha), o deputado socialista não pode arrumar o seu fato de político e vestir o fato de treino de cidadão como se uma coisa não implicasse a outra.

            Durante a campanha para as eleições legislativas regionais, foram promovidos debates sectoriais donde surgiram conclusões pertinentes. O Partido Socialista ganhou com um programa sufragado. Durante a campanha para as autárquicas, foram promovidos debates sectoriais em cada um dos dois concelhos da Terceira. O Partido Socialista ganhou em ambos com os respetivos programas devidamente sufragados. Não acredito que, em nenhum desses casos, Berto Messias tenha ficado de fora na elaboração desses manifestos eleitorais. O mínimo ético que se exige é que os vencedores cumpram aquilo a que se comprometeram no papel. 

            Tudo o resto não passará de conversa bem-intencionada.

2. Plano de revitalização económica da Praia da Vitória

            Pode-se discutir muita coisa, mas se não houver dinheiro nada feito. Vem isto a propósito das conversas que o Presidente da Câmara da Praia da Vitória, Roberto Monteiro, manteve com Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, acerca da Base das Lajes. Segundo foi anunciado pelo edil, o Ministro diz que a República irá financiar um plano de reconversão económica do concelho para fazer face ao downsizing da Base por parte dos americanos. 

            Nos últimos tempos, tem havido notícias positivas sobre o assunto, e o facto de o governo americano aguardar pelo Relatório de Avaliação da Consolidação da Infraestrutura Europeia até me deixa otimista, porque pode haver uma reviravolta se concluírem que a ilha Terceira tem, afinal, maior potencial para servir os interesses militares norte-americanos.
            Contudo, todos os terceirenses perceberam que não é possível continuar a depender tanto da Base dos Estados Unidos e que, como tal, seja preciso encontrar alternativas sustentáveis.

            Por isso, urge oficializar o apoio da República e constituir sem demoras o grupo de trabalho que irá elaborar o dito plano. Já chega de medidas avulsas. Dos empresários, aos políticos, passando pela Universidade, todas as mentes brilhantes desta terra devem juntar-se para o mesmo fim.

segunda-feira, dezembro 09, 2013

As escolas da Terceira



À primeira vista, tenho tendência em concordar com o Secretário da Educação, Luís Fagundes Duarte, quando defende que é preciso juntar os alunos do Terceiro ciclo com os do Secundário. No plano abstrato, até é uma afirmação consensual. Contudo, quando o Secretário refere as Escolas Básicas de Angra e da Praia como sendo as más exceções na coexistência entre os terceiros e restantes ciclos e que pretende acabar com elas, neste caso, teço as minhas maiores reservas.

Já não é a primeira vez que Luís Fagundes Duarte contrarie decisões tomadas pelos seus antecessores, e por isso crie um incómodo naqueles que tiveram responsabilidades na pasta que agora tutela. Não que essa atitude seja proibida, mas não deixa de ser digna de registo, sobretudo quando se trata do mesmo partido. 

O Partido Socialista foi o mentor da criação dos mega-agrupamentos, também chamados mega-escolas. Quando começaram as ser erigidos os primeiros estabelecimentos à luz desse novo paradigma, não faltaram vozes dissonantes – nomeadamente a minha – sobre o assunto. E uma das razões prendia-se com a que usa o Secretário para justificar o fim do terceiro ciclo nas EBI da Terceira. Porém, a realidade da ilha obriga-me a fazer várias objeções relativamente à decisão do Secretário.

Antes de mais, é preciso reconhecer que o princípio que sustenta a decisão do governante tem falhas quando aplicado ao universo das escolas da Terceira. Se o “desenvolvimento intelectual e físico dos jovens do terceiro ciclo está mais próximo do secundário” então por que razão se acaba com o terceiro ciclo nas referidas EBI e se mantém a existência de um “monstro” como a Escola Tomás de Borba, que vai do pré-escolar até ao 12º ano? Não haverá aqui alguma incoerência? Já que estamos a falar de incoerência, se formos pela mesma lógica exposta por Luís Fagundes Duarte, por que razão a EBI dos Biscoitos ou a Francisco Ferreira Drummond mantêm o 3º ciclo? Acabam-se com exceções, criando outras exceções? Há evidências de que o desempenho dos alunos das escolas visadas tem sido prejudicado pelas razões apontadas pelo governante? O raciocínio do Secretário acaba por assentar em pés de barro.

As duas EBI - de Angra e da Praia - foram alvos ainda há bem pouco tempo de profundas obras de beneficiação e de aumento das suas infraestruturas, pomposamente inauguradas. Acabar com os respetivos terceiros ciclos significa colocar os alunos em piores condições de trabalho do que aquelas que usufruem atualmente, pois quer a Escola Secundária Vitorino Nemésio quer a Jerónimo Emiliano de Andrade, que irão receber esses alunos, têm insuficiências nos equipamentos e deficiências nas infraestruturas (a lógica obrigaria, aliás, a fazer exatamente o contrário daquilo que Fagundes Duarte propõe). 

É preciso dizê-lo com toda a frontalidade: enquanto se anda por aí a construir escolas de raiz, as já existentes começam a cair de podre. Ao longo dos anos, pelas decisões que o Governo Regional tem tomado no que respeita à Educação, mais parece preocupar-se com algumas empresas de construção civil do que com o sucesso escolar dos alunos. 

            O Secretário da Educação sabe que a sua decisão é contestada por centenas de pais e professores (mesmo com a lei da rolha em vigor). Os argumentos até agora apresentados são insatisfatórios (a da distância é a mais caricata), e revelam mais uma birra pessoal do que propriamente uma decisão com reais fundamentos pedagógicos.