Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

A minha fotografia
Nome:
Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

terça-feira, fevereiro 26, 2008

No Prós e Contra, transmitido ontem na RTP, a Ministra da Educação levou na cabeça como há muito não via!
É de louvar o facto de ela se ter sujeitado a tamanho enxovalhanço. Porém, não posso negar que os professores têm razão. Não é razão nalguns pontos; é razão em tudo.
A frase da noite, dita logo no príncipio do programa, foi lapidar: "A senhora Ministra conseguiu o que nunca ninguém tinha conseguido: unir todos os professores!". A partir daí o programa podia ter acabado; tudo tinha sido dito com aquelas parcas palavras.
O rancor, ressentimento, raiva até, que este ministério criou é absolutamente extraordinário.

domingo, fevereiro 24, 2008

Ao contrário de muitos liberais ou individualidades da Direita portuguesa que admiro, acho que os Republicanos devam ser castigados nas urnas.
Os candidatos são demasiado fracos e desinteressantes. Seria continuar na mesma.
Depois de 10 anos na Casa Branca, considero que a Direita americana tem de voltar à oposição, discutir internamente os seus desígnios e a sua essência, em suma, reposicionar-se no mundo actual.
E que essa discussão faça com que a religião deixe de ser uma influência tão forte e, muitas vezes, nociva nos debates políticos.
Não me importo nada com "In God we trust", mas daí a querer substituir a ciência pela bíblia dá lugar a um retrocesso na vida das pessoas e no progresso da Humanidade.
Acredito que só nos Estados Unidos o debate sobre a direita possa ser feito de modo elevado e com qualidade.
Também teremos direito ao nosso Barack Obama.

O romantismo da democracia


Na semana passada, Fidel Castro anunciou a sua renúncia depois de 50 anos de poder autocrático em Cuba. Desgastado pela doença e pela idade, Fidel mostrou que, tal como os reis, só a morte, a idade avançada ou uma doença grave o tiram do poder. Nas ditaduras, só há duas formas de abandonar a liderança: ou pela saída “natural” ou à força.



Os Estados Unidos já manifestaram a sua satisfação pela notícia e esperam que, a médio prazo, Cuba possa enveredar pelos caminhos de uma democratização do regime. Entretanto, as sanções económicas continuam e prejudicam gravemente os cubanos. Talvez com o próximo presidente eleito da América possa haver uma aproximação à ilha, permitindo à população conhecer a verdadeira liberdade e respirar a dita democracia. É de prever uma transição pacífica, e atrevo-me a dizer, parecida com o fim do regime salazarista em Portugal. Com a desistência de Fidel, a utopia de Cuba também acabará.



Em vários países da Europa, personalidades políticas de Esquerda comentam com alguma mágoa – disfarçada ou não – o final de um marco da História Moderna. Ao falar de Cuba, atribuem-lhe o adjectivo de romântica; Fidel, um herói romântico, que viu o seu sonho ser destruído pelo capitalismo americano. Será mesmo? Será que uma ditadura pode ser romântica?



Quando conheci cubanos, disse-lhes que a única maneira de me deslocar ao seu país será quando o actual regime acabar. Depois de uma conversa alongada à mesa com rum e charuto cubanos, ouvi todo o tipo de histórias que comprovam que Cuba é uma ditadura e ponto final. Não há meio-termo: as ditaduras restringem as liberdades individuais e colectivas, impedem a circulação livre das pessoas, controlam os movimentos e pensamentos das pessoas e usam a opressão se se sentirem ameaçadas. A única diferença que Cuba apresenta em relação às outras ditaduras é o número elevado de hotéis. De resto, é uma ignomínia ditadura. Por isso, onde está o romantismo?


Não estaremos nós, portugueses, europeus ou americanos, pelo contrário, a viver num sistema político romântico? A democracia não será ela romântica?


Deixar o povo escolher quem dirige o país; deixar as pessoas falar abertamente sobre o que querem, comentar livremente actos de outros, mesmo que esses comentadores sejam autênticos ignaros – como eu –; permitir que as pessoas possam viajar sem restrições entre países ou estados que partilham a mesma moeda, não será isso uma verdadeira utopia? Não andaremos nós, filhos da liberdade, enganados? Não será a democracia uma impossibilidade? A Grécia ou Roma antigas, enquanto democracias, viveram o seu período áureo mas acabaram por perecer. Num momento em que a França discute o seu modelo republicano, em que em Portugal se ouve vozes preocupadas com a degradação da sociedade, em que a Europa vive outra vez momentos de tensão devida à divisão de etnias dentro de Estados, é pertinente interrogar-nos sobre a viabilidade da democracia.


Quando a confiança parece desvanecer, do outro lado do Atlântico chega a esperança. América, país do tamanho da União Europeia, com mais de 300 milhões de habitantes, que, depois da sua guerra civil, nunca mais sofreu convulsões internas; consolidou o seu território, uniu os Estados que a constituem na diversidade sem pôr em causa os seus ideais democráticos. América, mãe da liberdade, fonte de inspiração em momentos de cepticismo ou desilusão. Uma América tão livre nas suas virtudes e transparente nos seus defeitos só prova que a democracia é o melhor de todos os sistemas políticos.



Cuba nunca será romântica. Pelo medo e pela repressão de que se alimenta para existir, nenhuma ditadura pode ser romântica. Ao invés, pelo sonho e pela esperança que fomenta em cada um dos seus cidadãos, os regimes democráticos são, sem sombra de dúvida, o projecto mais romântico que o homem alguma vez construiu.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Entrevista de José Sócates à SIC

Aqueles dois jornalistas tiveram tempo de preparar cada dossier que iria ser abordado aquando da entrevista. No entanto, as réplicas deixaram muito a desejar e não conseguiram antecipar as respostas do Primeiro-ministro, sendo mesmo chamados indirectamente de "mentirosos" ou deturpadores da verdade.
O défice baixou à custo do quê? ou de quem? Foi o investimento nacional e estrangeiro? Foi a economia que melhorou? Aliás, o Banco de Portugal indica que o investimento estrangeiro diminuiu; o país não é supostamente atractivo para as empresas estrangeiras. NÃO! Tudo à custo de receitas vindas de mais impostos, isto é, graças à classe Média!
Mais emprego? Não pode ser verdade, quando a taxa de desemprego é a mais alta registada desde o 25 de Abril de 1974!
Educação. Tudo o que o Primeiro-ministro disse é de ser assinado por baixo! Quem pode discordar daquilo que disse? Se as ideias são boas, então por que razão os professores se queixam? por que razão se manifestam? Será que não passarão de preguiçosos que preferem assisitir ao insucesso dos seus alunos e à morte do sistema educativo? Ou será porque o que José Sócrates disse não é bem assim?
O país descrito pelo chefe do governo está bem longe de corresponder ao país real.

domingo, fevereiro 17, 2008

Na minha biblioteca

Por ter chegado ao fim, vale a pena fazer a colecção.



Sobre a Esquerda, um ensaio lúcido.


Um império que já foi.

A maldição do petróleo


O impacto que o petróleo tem na nossa vida é absolutamente avassalador. Há décadas que o “óleo da pedra” alimenta as economias dos países mais desenvolvidos e contribui para o progresso e o bem-estar das populações. O preço a pagar por essa prosperidade é, contudo, elevado. A partir dos anos 70 do século passado – com a primeira crise petrolífera –, os governantes do mundo perceberam, quando não são produtores, que tinham o seu calcanhar de Aquiles ou então, enquanto produtores, o poder de influência e decisão que conseguiam.



Fala-se muito nas dependências das drogas, mas a dependência mais perigosa – por ter um alcance global –, e à qual não se antevê forma de acabar com ela, é a dependência do petróleo. Dela decorrem três ameaças que põem em causa a paz mundial: a primeira é económica. Os países não produtores estão reféns das decisões dos países produtores, nomeadamente daqueles que constituem a OPEP. A segunda é de natureza geopolítica. Países dependentes dos outros em termos energéticos, como os Estados Unidos, por exemplo, para além de estabelecer ligações perigosas com governantes de países politicamente instáveis ou corruptos, vêem-se obrigados a envolver-se em conflitos, ou em actos de ingerência por forma a salvaguardar os seus interesses económicos. Por último, a ameaça de carácter ambiental. O consumo do petróleo desencadeia emissões de gazes que provocam o efeito de estufa, contribuindo grandemente para o fenómeno do aquecimento global.



Bênção ou maldição? Os maiores jazigos de petróleo concentram-se em países pouco recomendáveis em termos de respeito pelos direitos do Homem. Haverá alguma relação de causa/efeito entre os países produtores de petróleo e os regimes políticos que são menos propícios à democracia e à liberdade?

Para os países ocidentais, o “ouro negro” foi uma bênção, porque contribui de forma significativa para a riqueza das economias e respectivas populações. Países como o Canadá, a Noruega ou os Estados Unidos prosperaram com a exploração do seu próprio petróleo sem se terem tornado vítimas da corrupção e sem terem posto em causa a viabilidade política e social das suas instituições; alias, o sistema democrático fortaleceu-se. Uma das razões pode ser o facto de já serem democracias consolidadas aquando da descoberta do petróleo. Porém, muitos dos países que descobriram a sua riqueza petrolífera – Arábia Saudita, Iraque, Irão ou Venezuela – não tinham constituído, naquele momento, um sistema estatal e económico. O enriquecimento súbito só causou mais instabilidade, que só pôde ser enfrentado com regimes autocráticos. É do conhecimento geral que muito do dinheiro obtido pelos lucros da exploração do petróleo só serviu – e serve – para encher as contas “secretas” dos seus governantes, sendo a redistribuição da riqueza incipiente ou nula. A população continua pobre e sofre retaliações de cada vez que se manifesta em nome de mais liberdade e melhores condições de vida. Para estas pessoas, o petróleo é, sim, uma maldição.



O facto é que a riqueza petrolífera inviabiliza o desenvolvimento sustentável desses países e impede o progresso de outros sectores da vida económica, pois, segundo o jornalista Matthew Yeomans, no seu livro Oil, “com tanto dinheiro a vir do petróleo ou do gás, há poucos incentivos para desenvolver indústrias competitivas e o sector dos serviços”. Os Emirados ou o Dubai têm apostado no turismo de luxo como factor de desenvolvimento alternativo. No entanto, pelas obras faraónicas empreendidas naqueles territórios, mais se parece com excentricidades de pessoas muito ricas e poderosas que, tal como os faraós, querem deixar a sua marca no tempo e na história.



Com o aumento brutal do barril petróleo por causa de conflitos e “guerras económicas”, por ser um bem que não dura para sempre, com a dependência demasiado arriscada relativamente aos países produtores e pelo facto de ser um agente extremamente poluente, é preciso arranjar alternativas e depressa. O uso de energias renováveis é positivo mas insuficiente, pois o ideal é mesmo encontrar uma alternativa total ao petróleo. Muito se fala do hidrogénio. Contudo, o seu custo de produção é ainda muito elevado e a sua adaptação para a construção de veículos comerciais é, por enquanto, economicamente inviável.



Entretanto, de cada vez que enchemos o depósito do nosso carro, lá longe no Médio Oriente, alguns xeques esfregam as mãos de satisfação ao mesmo tempo que financiam grupos terroristas para atacar os clientes “infiéis”.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Sugestão para o dia de S. Valentim


Numa livraria, vi esta sugestão literária para este dia tão romântico...


Até que enfim que se assume a verdadeira essência deste dia 14 de Fevereiro!

domingo, fevereiro 10, 2008

Pacto com o diabo


Poder; a quanto obrigas!


Numa sondagem realizada pela Gallup para o Fórum Económico Mundial (WEF), os portugueses inquiridos, e os europeus em geral, disseram que a classe política é aquela em quem menos confiam. Nessa mesma semana em que foi publicada a investigação, acontecimentos como o debate quinzenal na Assembleia da República ou as declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados comprovaram, de facto, por que razão os cidadãos têm motivos para desconfiarem dos políticos.



A remodelação governamental foi o mote da discussão entre o governo e os partidos da oposição. Não deixando de ter alguma pertinência, não se viu os políticos discutirem o porquê das pessoas olharem para eles de lado ou as formas de como acabar com esta ideia negativa. Antes pelo contrário, até parece que lhes deu um certo gozo serem assim tão desprestigiados. Quando o Bastonário, no seu tom peculiar, fez alegações sobre a promiscuidade de deputados que ao mesmo tempo trabalham em grandes escritórios de advocacia ou de possíveis actos de corrupção e abusos de poder por parte de governantes, notou-se um certo constrangimento e pouco à vontade de quem, em princípio, nada devia temer por ter a consciência limpa.



Num país onde sempre se reconheceu existir o factor cunha como forma de se obter o que se quer, nada disso nos deveria espantar, nem mesmo a sondagem que afinal só serviu para oficializar algo que sabemos do senso comum. Porém, se na política nunca se deve dizer nunca, também não se deve dizer “desta água não beberei”.



Quando José Sócrates tomou posse enquanto Primeiro-ministro, uma das primeiras coisas que disse no hemiciclo foi que não iria falar sobre o passado para atacar a oposição. A meio do mandato, e com as contestações de rua, de sindicatos, com as interpelações certeiras e acutilantes da oposição, José Sócrates não teve outro remédio senão defender que o PSD ou o CDS nada tinham feito enquanto governaram, chegando quase ao ponto de os responsabilizar pela crise económica em que o país se encontra. Mas ninguém se esquece do governo de Guterres, o tal das oportunidades perdidas.



Nos Açores também se pode dizer o mesmo: Carlos César e o PS Açores, em geral, gostam de comparar a sua governação com a de Mota Amaral, que foi há 12 anos atrás! Numa conferência de imprensa sobre o serviço regional de saúde, por exemplo, o Presidente do Governo Regional enfatizou as suas políticas e pôs-se a quantificar o número de médicos que havia no passado e dos que a região dispõe actualmente. Este exercício de matemática é deveras perverso. É óbvio, e até insultuoso para a inteligência das pessoas, que, actualmente, os açorianos disponham de mais médicos e que tenham melhor cuidados de saúde. No entanto, o segundo ponto – o que mais importa – é já discutível.



Carlos César também dissera que não voltaria a concorrer para um novo mandato, em nome da alternância democrática. Agora, é o candidato do PS às próximas eleições regionais. Por que razão os políticos não cumprem com aquilo que dizem?



Desempenhar altos cargos políticos leva essas pessoas a uma certa transfiguração da realidade, a um certo alheamento do que verdadeiramente se passa à sua volta. Se, no princípio, das ideias que trazem nascem projectos interessantes, inovadores que contribuem para o progresso, com o tempo, esses governantes perdem-se em burocracias, encurralados numa cegueira ideológica que os impede de continuar com a sua missão que é a de servir as populações. Grupos de interesses em diversas áreas económicas, após uma subtil sedução que aflora o assédio lobista faz com que alguns políticos se percam nas teias da corrupção, muitas vezes encapuçada pela política do jeitinho, da omissão ou manipulação de concursos públicos.



Quando se quer chegar ao poder, faz-se pactos com o diabo. Faz-se acordos explícitos ou não com grupos de interesse ou simplesmente entre políticos de forma a obter uma eleição sem transtorno. O actual líder do CDS/PP Açores, Artur Lima, pensa convictamente que a sua oposição é responsável e certeira somente pelo facto de lhe ter sido aprovado algumas propostas no Plano de Orçamento. Na sua cegueira, o partido que representa abandona-o enquanto ele vai caminhando para uma ratoeira política encenada por um PS Açores cada vez mais monopolista e hegemónico.

Sobre a entrevista de Carlos César

A propósito das suas declarações acerca das voos da CIA, César nada disse que pudesse levantar polémica ou suspeições; foi uma conversa de quem lê jornais e pensa em probabilidades.
Quando a eurodeputada Ana Gomes fez acusações mais veementes, apoiando-se em provas que, segundo ela, tinha em seu poder, caiu-lhe o carmo e a trindade, inclusive por parte do Presidente do Governo Regional, Carlos César.
Se não há provas é melhor estar calado. É muito importante levar a sério as negociações entre os Estados Unidos e Portugal acerca do futuro da Base das Lajes. Essas negociações estão a decorrer por mais que alguns queiram negar.
A ilha Terceira tem de perceber que se há alguma coisa a ganhar com isso, há muito a perder, pois o turismo ficará mais condicionado.

sábado, fevereiro 09, 2008

Para os democratas, e até os americanos em geral, a escolha para a presidênia dos Estados Unidos seria menos conflituosa se Barack Obama fosse branco ou se Hillary Clinton fosse homem.