Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

segunda-feira, setembro 29, 2008

A frase dos próximos dias

"Quando se tem medo de um governo, só há uma solução: correr com esse governo!"
Carlos Costa Neves

domingo, setembro 28, 2008

Um mundo ao contrário


A lógica tem destas coisas: por vezes, passa-nos completamente ao lado. Em Portugal e também noutros países desenvolvidos, o sistema educativo tem desafiado as leis da lógica de uma forma tão brutal que as transformações operadas têm passado despercebidas entre nós. Ninguém dá conta ou, se dá, é logo ridicularizado por ser socialmente preconceituoso. Ora, vejamos.



A escola tornou-se aberta a todos. Ninguém foi deixado para trás. Todas as crianças têm as mesmas oportunidades de construírem um futuro melhor para elas, de acordo com os seus sonhos e vontades. A escola foi aperfeiçoando os seus programas, adaptando-se aos progressos tecnológicos e alargando a sua oferta curricular com base nas necessidades da sociedade. A escola democratizou-se, dando a possibilidade aos pais que escolhessem o estabelecimento de ensino mais adequado para os seus filhos. Deste modo, permitiu-se a criação de escolas com gestão e direcção privadas. Todas estas benesses foram concedidas sob o signo da gratuitidade e universalidade. Esta revolução cultural só poderia dar em sucesso. Mas não: estamos à beira de um precipício e caminhando cegamente ao encontro dele. Porquê? Pela simples razão que nada é grátis.


O ensino público em quase nada tem de diferente em relação ao ensino privado. Os currículos obedecem às mesmas regras estabelecidas pelo Ministério da Educação, os professores vêm de universidades a maior parte delas estatais, e os alunos são iguais aos da pública. O termo “iguais” será exagerado visto que os alunos das privadas provêm, geralmente, de famílias abastadas, onde as oportunidades de vencerem nos estudos e na vida aumentam consideravelmente. Daí eu defender que todos os alunos, independentemente da sua proveniência social, mediante os seus resultados escolares e empenho, deveriam ter acesso patrocinado pelo Estado a escolas privadas. Na verdade, a grande diferença entre as escolas privadas e públicas reside no grau de exigência que as primeiras incutem na formação do aluno. Nada disto é novo, mas neste ponto é que entra a tal lógica deturpada referida no início: as pessoas pagam a uma escola para que esta seja mais exigente e até, em certa medida, dura para com os filhos. Como é que um Estado que proporciona gratuitamente o acesso à educação aos seus cidadãos não exija uma contrapartida? Dar a troco de nada? Mais o tempo passa, menos a escola pública satisfaz as expectativas dos pais. Cada vez mais apetrechadas com novas tecnologias, as escolas deixaram de ensinar conteúdos importantes para a formação intelectual e cultural de um indivíduo para se tornarem centros ocupacionais. Alunos passam de ano para ano sem dominar as competências previstas em cada ano escolar porque o lado social e pessoal impera. Essas mesmas competências são cada vez mais esparsas e subjectivas, nas quais se inclui a modalidade absolutamente ridícula do “aprender a aprender”. Modificam-se os currículos não em função das exigências que um mundo global e competitivo acarreta, mas em função do tipo de alunos que se supõe ter. Obviamente, a exigência diminui e o efeito é bola de neve: quando damos por isso, apesar de terem frequentado a escola desde o primeiro ano, alguns jovens com 14 anos de idade mal sabem ler e escrever.



Há escolas públicas que, contrariando todas as novas teorias pedagógicas, mantiveram um sistema mais rígido e conseguem obter resultados muito satisfatórios com uma paz e um bom ambiente escolar digno de registo. Fez-se uma interpretação errada do lado social. Em escolas problemáticas, ou em zonas problemáticas, a escola tem objectivos mínimos quando deveria ser mais rigorosa nas avaliações do desempenho escolar e no comportamento dos alunos. Quanto mais se tenta encontrar desculpas sociológicas para entender a “raiva” sentida pelos adolescentes problemáticos pior são os resultados. Uma das grandes lições que estes jovens e respectivos pais deveriam aprender é que não há almoços grátis.

domingo, setembro 21, 2008

A cena dos independentes


Quando vejo o Partido Socialista pregar em alto e bom som as vantagens de incluir independentes nas listas eleitorais, remexo-me na cadeira com uma vontade irresistível de rir. Sem querer, vêm-me a memória os tristes episódios dos ministros independentes convidados por José Sócrates no início do seu mandato e que não aguentaram a pressão política que vinha quer da oposição, quer da comunicação social e, quiçá, da própria estrutura interna do PS.



De um ponto de vista da análise política, o facto de Carlos César convidar pessoas de fora do PS Açores mostra o quanto sabe que o partido em si, ao fim de 12 anos de governação, pouco de inovador tem para apresentar aos açorianos. A renovação pretendida até parece ser bem equacionada. Pelo contrário, por estar respectivamente há 12 anos na oposição, o PSD Açores possui na sua estrutura partidária elementos com ideias, vontade e competências para desempenhar cargos governativos. Pelo menos, assim o deverá ser. Ouvir a sociedade civil é sempre benéfico, no entanto, nenhum programa político é feito só com base nessa audição. A ideologia que define e distingue os partidos uns dos outros representa a essência da política, por isso, falar em independentes será uma formulação facciosa, pois entre essas pessoas e o partido que as convida haverá sempre uma aproximação ideológica, o que significa que, a maior parte das vezes, só é considerado independente quem não tem filiação partidária.



Mesmo sem sondagens, o PS Açores parece bem encaminhado para uma nova vitória eleitoral. À primeira vista, é o que parece. Contudo, quem andar pelas ruas, auscultando as pessoas, vê que há um descontentamento crescente para com o actual governo regional. Sente-se que há também um certo receio em afirmá-lo de viva voz, sobretudo por aqueles que dependem do governo regional na sua vida pessoal e profissional. Alguns notáveis do partido aproveitam esta altura para dar conta - e bem - do que foi cumprido pelo governo, anunciando o que ainda será feito em caso de vitória. Porém, outros usam da maledicência para dar nos partidos da oposição, assumindo-se como pseudo-especialistas em Marketing ou Relações Públicas. Claro, para quem espera sempre elevação por parte de quem tem responsabilidades políticas, a desilusão é uma constante neste momento importante para a democracia. As campanhas eleitorais proporcionam sempre momentos infelizes, alguns até vergonhosos.


O PS Açores, ou por causa das declarações de alguns militantes ou por iniciativas com o rótulo do governo regional, tem sido infeliz e inoportuno. Em primeira e última análise, caberá aos eleitores avaliar a qualidade dos candidatos de todos os partidos a deputados; cabe a eles avaliar a pertinência e a criatividade dos outdoors com os slogans que os partidos usam. Seria ingenuidade minha não perceber que o combate político também envolve este tipo de estratégias, mas de lá partir para o insulto quase pessoal não pode ser aceitável e deve ser até condenado. E, de mais a mais, este tipo de atitude constitui um insulto à inteligência dos eleitores. Quanto às iniciativas, Carlos César e o PS Açores não precisavam de usar da promiscuidade entre partido e governo para lançar o kit autonómico. Pior do que uma jogada eleitoralista, a interpretação que se faz da iniciativa neste preciso momento é de que se anda a comprar “guerras” contra o Presidente da República. Aos poucos, o Presidente do Governo Regional da Madeira assemelha-se a um cordeirinho.



A discussão política deve incidir sobre as ideias que os partidos apresentam. Reconheço que não seja fácil evidenciar o partido com as melhores propostas. Por um lado, continuar com PS pode ter vantagens, mas traz também muitas dúvidas e apreensão, pois, apesar do forte crescimento da região nos últimos anos, os indicadores principais como os da aérea social ou educativa continuam muito aquém do esperado. O próprio progresso de que o PS se orgulha trouxe muitas vicissitudes a um povo humilde e pacato. Destaco a desertificação e empobrecimento das ilhas mais pequenas, em detrimento de um desenvolvimento colossal em São Miguel que conduziu a assimetrias que põem em causa a própria natureza e a história dos Açores. Por outro lado, apostar no PSD é sempre escolher o caminho desconhecido e, em tempos de crise, a tendência é para não arriscar. “Melhor é possível” como diz o lema laranja e acredito que qualquer um destes dois partidos fará melhor. É uma constatação da simples e natural evolução das coisas.



A dúvida reside em saber quem é capaz de fazer melhor do que outro. Eis a diferença que fará com que ou Carlos César ou Carlos Costa Neves seja o novo inquilino do Palácio de Sant´Ana.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Adieu


Richard Wright - Pink Floyd

1943 - 2008



Uma banda de culto que não voltaremos a ouvir..

quarta-feira, setembro 17, 2008

Gostei da frase

"O pior que podia acontecer era não acontecer nada."
CA

Caro Pedro

Quando iniciei a minha escrita pós-Verão, coloquei o título "Farto da Tolerância"
Esta não foi uma força de expressão. É a pura verdade. Até agora, em todas as inicativas sociais que houve, não vi progressos; vi evolução negativa dos fenómenos da pobreza. Culpo um Estado que não soube diminuir o flagelo da pobreza, que não soube combater verdadeiramente as causas dessa mesma pobreza. Se até agora o tipo de políticas empreendidas não deram certo, então mais vale mudar e, provavelmente, radicalmente.
Podes não gostar do tom, posso falhar no aspecto comunicativo, mas considero que os subsídios matam a liberdade das pessoas. Penso que esta não é a receita para acabar com a pobreza. Cria-se mais dependências, o que numa perspectiva política é sempre bom em termos eleitorais, mas é um desastre em termos humanos. Sim, a liberdade está em causa. Considero também que algo está mal quando pessoas usufruem de subsídios há uma década. Significa que os apoios aos mais necessitados não está a resultar. A grande prova disso, é como escrevo, observar a evolução dos fenómenos de pobreza.
A criminalidade violenta não é desculpável. Roubar para ter fome em África é desculpável (repara no tipo de governos autocratas e plutocaratas que puluam por aquele continente). Na Europa é inaceitável. Já agora, em Londres, a administração do Metro proibiu a presença de pedintes, simplesmente porque agora que existe apoios como o rendimento mínimo já não se justifica este tipo de situação medieval.
O Republicano Giulani, que afinal não prestou enquanto candidato para a presidência dos Estados Unidos, responsabilizou qualquer tipo de vandalismo, isto é, não houve tolerância. Por isso deu certo. Outro aspecto, e posso falar por ter visto com meus próprios olhos, o número de efectivos policiais é enorme. Todas as ruas tinham polícias, de carro, a pé e bicicleta - pois quando estava lá foi em final de Agosto. Outra coisa que fez, talvez menos falado, por ser menos correcto, foi limpar as ruas de Nova Iorque expulsando tudo o que não prestava para a periferia. O Bronx continua perigoso. Passei por Harlem e de facto não vi brancos e as ruas estavam mais sujas e cinzentas.
O que falo é da responsabilização individual. Falta ou é relativa mediante a pessoa em causa. Repara que a situação, a continuar assim, é insustentável. A emigração voltou em força em Portugal. Muitas pessoas não se resignam e não se acomodam. Preferem bazar. Vão para fora com o objectivo de manter o nível de vida que tinham. Não querem o Estado para nada.
Digo-te mais: ainda bem que não existia rendimento mínimo quando os meus pais eram novos. Os portugueses não têm petróleo mas estão a ficar peritos em pedinchar. O que vimos até agora foram pessoas mal-agradecidas a quem lhes deram tudo e não souberam cuidar, valorizar o que lhes foi dado.
Podemos continuar, meu amigo, mas não escrevo para que concordem.
Abraço

terça-feira, setembro 16, 2008

O relativismo da miséria humana


Com base na sociedade moderna, o relativismo moral pode ser encarado de duas formas. A primeira pode ser retratada a partir daquela máxima “faz o que digo, não o que faço”. Pessoas, com responsabilidades cívicas ou políticas numa sociedade, que defendem e apregoam determinados princípios, mas que não os seguem na condução da sua vida pessoal. A segunda incide sobre a desresponsabilização social dos actos cometidos por certas pessoas com base no seu estatuto social. Tendo em conta o impacto emergente que o relativismo moral tem actualmente sobre a sociedade portuguesa, debrucemo-nos sobre o segundo aspecto.


Verifica-se que, com a democratização da sociedade, conjugada com a liberdade da imprensa e uma certa inveja social por parte das classes mais baixas, a classe alta perdeu privilégios que outrora detinha devido ao seu estatuto. Quem ganhou privilégios com o relativismo moral foi a classe mais baixa, isto é, a classe pobre. No entanto, esta alteração não se tem revelado profícua para a sociedade. Aliás, muitos dos problemas que a sociedade enfrenta, tais como o aumento da pobreza, da criminalidade e de outras injustiças sociais, têm na sua origem este relativismo social, a desculpabilização dos actos dessas pessoas que, em vez de as aproximar da sociedade, as condena ao ostracismo, deturpando a ideia de cidadania.


Os cidadãos em geral têm-se apercebido do quanto esta ideia, que tem por base o socialismo, é tão nefasta para as suas vidas pessoais como para o país. Todos os cidadãos têm direitos mas também deveres para cumprir. Se esta frase é óbvia e tem sido repetida até à exaustão, a realidade é muito diferente. Para tentar compreender os novos fenómenos de pobreza e exclusão social, o Estado socorreu-se de psicólogos, sociólogos e assistentes sociais. Contudo, esta iniciativa tem sido contraproducente. As teorias sociais têm tornado todos os comportamentos desviantes relativos. Tudo é desculpável; toda a explicação reside no meio social onde os pobres estão inseridos. Chegou-se ao ponto de declarar que em certas comunidades, a pobreza, o não incumprimento de deveres cívicos ou a falta de higiene são fenómenos culturais. Mas no século XXI, num país como o nosso, como se pôde deformar assim a realidade? Como se pôde chegar a este ponto de miséria humana?



Logicamente, estas palavras ofenderão quem trabalha duramente no terreno. Não obstante ter consciência desse facto e respeitar o trabalho de todos estes agentes sociais, revejo-me nas palavras de Kinglake que explica em grande parte aquilo que os intervenientes nas políticas sociais deixaram de ver: “um escrutínio tão minucioso que acaba por mostrar-nos um objecto sob um ponto de vista falso é uma orientação ainda mais pobre, quando uma pessoa pretende formar uma opinião, do que um olhar de relance que vê as coisas nas suas proporções reais.”



É preciso rebater certas teorias sociais em nome do igualitarismo que tanto preza o acesso aos direitos, como o cumprimento dos deveres. Qual é a diferença entre alguém que assalta uma loja por ter fome e outra que assalta uma tabacaria pelo facto de o Estado português ter proibido a venda avulsa de charutos? Nenhuma. Os dois indivíduos regem-se por uma teoria social que poderia ser chamada de proporcionalidade da expectativa social. Nas duas situações, o primeiro que precisa de dinheiro para comer e o segundo que não tem possibilidade financeira para comprar uma caixa de charutos, o Estado falhou na atribuição de direitos que ambos consideram fundamentais. Deste modo, todo o comportamento tem explicação; tudo se tornou relativo. A realidade mostra-nos, porém, que a resolução dos problemas é diferente de uma situação para a outra. A primeira tem desculpa; a segunda já não. Mas ambas as situações se assemelham num aspecto: o roubo. Para muitos, roubar é pecado mas para todos, roubar é sobretudo ilegal. Aqui reside o verdadeiro problema da criminalidade e da respectiva impunidade em Portugal. Nestes casos, não pode haver meio-termo. Tem de haver um oito e um oitenta; roubar é um acto de malvadez indesculpável.



Os recentes casos de insegurança que se tem verificado pelo país, incluindo os Açores, e a forma como o governo tem reagido mostram como o Estado de Direito se encontra em perigo. Quando as sondagens apontavam para um crescimento da Esquerda mais radical, estes fenómenos preocupantes estão a ajudar a Direita a crescer, porque a segurança é uma questão crucial para esta área política. É interessante verificar que houve dois momentos em que a população se mostrou preocupada com questões de segurança: nos tempos de Guterres e agora com Sócrates, ambos do Partido Socialista.



Paulo Portas fez uma “rentrée” certeira ao falar sobre este tema e as propostas que introduziu vão no sentido correcto. Como pode o Estado continuar a apoiar com subsídios sociais cidadãos que desrespeitem a lei? Como pode o Estado continuar a dar asilo a emigrantes que são autênticos foras-da-lei e inimigos públicos? Ao menosprezar as forças de segurança e ao minimizar o poder dos juízes, o PS ajudou a trazer à baila um assunto que nunca deveria fazer parte da actual agenda política. A crise que o país atravessa não é desculpa para os novos fenómenos de criminalidade. Se este governo se vangloria tanto por ter aumentado os apoios aos mais necessitados, como explica então o aumento da insegurança?

quarta-feira, setembro 10, 2008

Quando me masturbo não preciso de avisar ninguém. Mas há quem ache melhor partilhar este prazer individual e egoísta com os outros, mesmo que não tenham pedido.
Ler "Fomos a oposição" de Artur Lima aqui

O meu problema com Sarah Palin

As minhas dúvidas quanto à escolha da candidata republicana à vice-presidência dos Estados Unidos nada têm que ver com os boatos que andam a veicular nos blogues. Sarah Palin é uma republicana da ala mais conservadora que nos remete novamente para os erros da actual administração Bush: a mistura entre Estado e religião.
Muito se criticou o Tratado de Lisboa por conter mais de 80% do texto que constituía a defunta proposta de Constituição Europeia. O mesmo se passa com a candidatura de Mc Cain. Para os Estados Unidos é mais do mesmo e esse mesmo já o conhecemos: não foi satisfatório para todos em geral.
Admito que os democratas têm melhores condições para aceder à Casa Branca. Só quero que a Direita posso fazer uma introspecção profunda sobre os seus desígnios e pretensões. Para tal, não há melhor lugar para o fazer do que na oposição.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Quem tem ouvidos para ouvir


RUSH
Uma banda muito antiga que já trilhava os caminhos do rock progressivo voltou à ribalta.

Na minha biblioteca

A futilidade da vida pode ser contada de forma apaixonante. Para quem gosta da aristocracia britânica na época do império. Um homem simples e inteligente, não fosse ele Churchill.


As incoerências, malevolências e perversidades da Esquerda (liderada pelos partidos socialistas do mundo).

A praga da Segurança Social



As hortênsias, que são consideradas uma imagem de marca dos Açores, não são uma planta endémica e, apesar da sua utilidade na divisão das parcelas de terrenos agrícolas e no embelezamento das estradas regionais, constituem uma autêntica praga que mata as verdadeiras plantas endémicas da região. As hortênsias crescem e alastram, aniquilando qualquer vegetação circundante. Por mais bonitas que sejam, estas plantas não deveriam existir nas paisagens açorianas. Tal como as hortênsias, a Segurança Social, por mais bem intencionada que seja na execução das decisões políticas, cria cada vez mais injustiças, aniquilando a esperança daqueles que mais precisam em tornar-se pessoas realmente donas de si próprias.



Graças à pujança económica da maioria das nações europeias, o combate à pobreza e exclusão social foi feito mediante o preceito católico que consiste em dar esmola ao pobre para atenuar a culpa moral por o país ficar rico de forma desigual. Este princípio encontrou na Segurança Social o modelo ideal de execução. Ao longo dos anos, vemos que a pobreza aumentou e até tomou contornos diversificados atingido classes médias e, por vezes, altas. Se o princípio defende um apoio imediato mas temporário, a realidade mostra um panorama bem diferente: pessoas que acumulam apoios sociais e que não saem da cepa torta. O vício está de tal maneira instalado que algumas famílias acham que, se tiveram direito a uma casa com renda social, é perfeitamente normal que os filhos também auferem o mesmo. Para estes, que não são poucos, a pobreza tornou-se uma estranha forma de vida. A Segurança Social restringiu a perspectiva de futuro nessas pessoas tornando-as, até certo ponto, desonestas porque, para além de encontrar sempre maneira de enganar os responsáveis da instituição para não cumprir as regras estabelecidas, esses “subsidiodependentes” acumulam apoios de todo o género que faz com seja mais rentável ficar em casa do que procurar trabalho.



Culpar os pobres é demasiado fácil. Culpar a crise pelo aumento da miséria humana é também faccioso. Aliás, os mecanismos que foram criados para diferenciar os pobres na escola, no trabalho e na sociedade em geral, aumentaram os índices de exclusão social. Tal como a aristocracia, a pobreza passa de geração para geração. E o facto de alguns pobres vencerem na vida só existe para confirmar a regra.



As medidas de combate à desigualdade têm sido contraproducentes e ilusórias para os responsáveis políticos que acham que mais apoios à natalidade, mais bairros sociais e mais rendimento de inserção irão colmatar a diferença entre ricos e pobres. Em breve, quando os responsáveis pelo país se debruçarem seriamente sobre o assunto, será tarde de mais. Por um lado, reduz-se o número de funcionários públicos, por outro, aumenta o número de “subsidiopendentes”. Um Estado que não é sustentável, não tem futuro.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Os portugueses republicanos

A cegueira de alguns portugueses por Mc. Cain é tão grande que até dizem que o furacão de nome Gustav, que se abate na costa sul dos Estados Unidos, pode garantir-lhe mais votos e, em consequência, o lugar na Casa Branca.
E dizem que há a Obamania...

Farto da tolerância


O que se passa com Portugal? Tantos crimes, tanta violência, tanta impunidade! Há quem diga que, por estarmos no Verão, as notícias diárias sobre assaltos e crimes violentos acabaram por ter mais destaque devido à falta de alternativa noticiosa, mas não: não é verdade. Tendo em conta o tipo de crime cometido – com recurso a armas de fogo, sequestros, mortes e feridos graves –, a imprensa escrita tem o dever de colocar estes factos nas suas primeiras páginas e os jornais televisivos só podem abrir com estas notícias. O primeiro sinal de que algo não estava bem começou com os confrontos no bairro da Quinta da Fonte. O que mais indignou a população em geral não foi o facto de andarem pessoas aos tiros pelas ruas, foi sobretudo os momentos após o conflito armado. Muitos daqueles que estiveram envolvidos nas rixas, exigiram que fossem realojados noutros locais. Tratando-se de bairros sociais, essa pretensão era inaceitável, ainda para mais quando veio a lume que muitas das rendas sociais não tinham sido pagas, com gente a dever anos de rendas. Perante uma situação incómoda para os autarcas envolvidos, a resposta dada foi a de criar planos de pagamentos das rendas sociais para resolver o problema, pois supostamente tratar-se-ia de uma questão de pobreza e não de cumprimento de deveres. Para aqueles que todos os meses estremecem quando as taxas de juro aumentam, que ficam com a corda ao pescoço para pagar o seu crédito habitação e que sabem que, se falharem, podem sofrer uma acção de despejo, estas notícias só serviram para enfurecê-las e mostrar o quanto o nosso país se tornou insuportável.



Entre muitos assaltos que decorriam no mês de Agosto, pelo exclusivo que proporcionou em directos televisivos, a tentativa falhada do assalto ao BES, com a participação de sucesso do GOE e da polícia, foi o que melhor representou a decadência em que se encontra o nosso Estado de Direito. Mais uma vez, não foi o assalto em si, pois a polícia capturou os criminosos, libertou os reféns e impediu que o dinheiro fosse roubado; foram, sim, os momentos após o assalto. Todos os portugueses que viram o seu desfecho na televisão regozijaram-se com o profissionalismo das forças de segurança. Contudo, dias depois, alguns analistas lamentaram a morte de um dos assaltantes e exigiram que houvesse um inquérito para determinar se a morte em causa fora mesmo a única hipótese. Claro, a família da vítima lá foi dizendo que ele podia ser tudo menos um bandido. Para mim e muitos outros, ele podia ser nada, mas que era bandido era. É de elementar justiça reconhecer que qualquer participação da polícia contra a actividade criminosa requer uma averiguação de procedimentos e inquéritos internos para determinar toda a acção policial. O mesmo aconteceu com aquele malogrado adolescente que foi morto por um GNR. Logo de seguida, os mesmos do costume culparam o agente em vez de culpar o pai, que com a educação que pelos vistos dava ao filho, só lhe estava a preparar a cova. E o governo nisto tudo?


O Primeiro-Ministro voltou fresco das suas férias para anunciar que a promessa dos 150 mil empregos estava quase cumprida. Com as eleições à porta, já se sabe como chegará à meta pretendida. Em abono da verdade, qualquer político que se meta na prova do lançamento de empregos, só lhe pode custar caro. Aos governantes pede-se que apoiem as empresas, não que aumentem a máquina do Estado com funcionários públicos. Nas questões de segurança interna ninguém se entende. Do governo, nada de reconfortante. Da oposição, o óbvio. Santana Lopes lançara a ideia de que o actual governo é forte para com os fracos e fraco para com os fortes. Perante todos acontecimentos, a isto acrescento-lhe que este governo faz com que o Estado seja ingénuo para com os desonestos e implacável com os cumpridores.


Muito se questiona a eficácia das últimas alterações judiciais feitas em sede de parlamento. Não deixa de ser verdade, pois a actual moldura penal está desadequada para com os novos tipos de crimes violentos. A pena máxima portuguesa já não responde às atrocidades que foram cometidas por alguns criminosos, sobretudo quando especialistas em psicologia criminal defendem eles não têm a mínima hipótese de reinserção na sociedade. Do mesmo modo, a justiça tem de ser mais eficaz e rápida na resposta, quer na investigação, quer em sede de julgamento, aos novos crimes cometidos para castigar os criminosos e provar aos mais atrevidos que o crime não compensa.



Portugal, país de brandos costumes, não está habituado a este tipo de criminalidade organizada e violenta. Nem tem de estar. Quando o Estado de Direito é posto em causa, o governo não tem outra alternativa senão agir de imediato e com firmeza.