Complot

Este blogue nada tem de original. Fala de assuntos diversos como a política nacional ou internacional. Levanta questões sobre a sociedade moderna. No entanto, pelo seu título - Complot -, algo está submerso, mensagens codificadas que se encontram no meio de inocentes textos. Eis o desafio do século: descobri-las...

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Localização: Praia da Vitória, Terceira, Portugal

sábado, novembro 29, 2008

Nós somos comunistas?

Quando vejo o destaque que é dado ao Congresso do PCP nos telejornais e nos canais de Cabo dedicados à inforamção, afundo-me no sofá, não sei se de vergonha ou por receio.


A frase que me provoca naúseas: "O PCP bem tinha razão quanto ao capitalismo"

Experimentemos o comunismo; assumam-se enquanto partido alternativo ao PS. Jerónimo de Sousa para Primeiro-ministro; Sérgio Godinho para a Cultura e já agora um passaporte actualizado para mim.

Para que serve viver nos Açores?



“Quem está mal que se mude”. Esta máxima, que ilustra bem o carácter pessimista e resignado dos portugueses, podia servir de resposta ao título provocatório desta crónica. Resposta essa simplória, típica de quem foge ao problema que a pergunta levanta. Se os Açores progrediram nestas últimas décadas, as outras regiões do país e do mundo não ficaram em nada atrás; antes pelo contrário. Graças às novas tecnologias e aos meios de comunicação é fácil saber o que se passa lá fora e comparar com o que se passa cá dentro. Na verdade, ao fazer este exercício comparativo, torna-se cada vez mais consternante o quanto os Açores vão ficando para trás em aspectos essenciais da vida, acabando por pôr em causa a própria razão de existir do arquipélago com nove ilhas todas elas habitadas.


As ilhas mais pequenas têm sofrido com o esvaziamento da sua população que a todos preocupa e obriga o governo a tomar precauções. Contudo, por mais medidas que se tomem, o problema não se resolve e parece acentuar-se. A migração das pessoas para as grandes cidades é um fenómeno global e não exclusivamente açoriano. Nos Açores, o efeito dessas deslocações é mais dramático porque se tratam de ilhas. O cerne da questão reside na qualidade de vida que as pessoas pretendem alcançar. O emprego bem remunerado não é a única resposta a dar para incentivar as pessoas a não partir. Dar prémios por cada criança que nasça também não é uma solução. Este problema, é preciso reconhecê-lo, não tem solução. Qualidade de vida implica um bom sistema de saúde implementado em cada ilha, uma boa distribuição de bens alimentícios, de primeira necessidade e de luxo variados mas baratos; um sistema educativo e formativo apelativo, bem equipado e adequado não só às necessidades da terra, mas sobretudo às ambições da juventude; uma oferta cultural, desportiva e recreativa diversificada e dinâmica; oportunidades de emprego imediato; enfim tudo o que uma Lisboa pode oferecer. Escrevi Lisboa, mas se escrever Ponta Delgada é a mesma coisa. Sim, a migração já não é tanto para fora da região, mas de todas as ilhas para São Miguel. A premissa deveria ser: Viver isolado não tem custos, mas só traz benefícios. Utopia? Obviamente.


O ser humano não anseia ser igual aos outros; anseia ser melhor do que os outros, ter mais do que os outros, em todos os sentidos. E, para isso, enceta todos os esforços, fazendo todos os sacrifícios possíveis. Por isso, o progresso é inerente ao Homem, daí este primeiro problema não ter solução. Como o Urso Polar faz parte das espécies em vias de extinção, talvez os corvinos serão os próximos a integrar essa lista, com todo o devido respeito pelas duas espécies mas consciente da realidade que as espera, a ambas.


Quando se é socialista de gema, de coração e de cartão de militante o mais certo é cair-se em incongruências. Esta semana, o CDS/PP Açores lá deu, com esperteza, uma demonstração do facto. A questão das passagens aéreas, vitais para quem é ilhéu, continua a ser um grave problema. Enquanto que nos continentes as low cost vão conquistando mais mercado e alargando o seu ramo de negócio, os cabecilhas da SATA e da TAP, em conluio com o Governo, explicam com fórmulas incompreensíveis por que os açorianos pagam tanto para viajar de avião. Se a SATA se vangloria tanto por ser a auto-estrada dos Açores, então que se lhe aplique o estatuto de SCUT nas suas tarifas. Pelos vistos, o socialismo é só para alguns. Nesta semana, ficou também demonstrado que os combustíveis conseguem ser mais baratos no continente do que cá. Sinceramente, não se entende.


Num terceiro exemplo, a ilha Terceira tem convivido ao longo de décadas com uma amostra do que é a nação mais rica e próspera do mundo. Em quê que a Terceira ganhou com a presença americana na Base das Lajes? Pouco. E se olhar para a magnanimidade dos Estados Unidos nada. Alguns passes para ir às suas lojas francas, alguns empregos para privilegiados e dependentes do factor cunha, algumas viagens e passeios até Washington para os representantes da região que se pavoneiam nas margens do rio Potomac. Cultural e cientificamente nada se ganhou. Em termos de enriquecimento económico ainda menos. Nem o Estado português sabe exactamente o quanto ganha com esse arrendamento. A única coisa que se conseguiu nos últimos tempos foi com Câmara de Comércio de Angra que, de tanto reclamar por causa dos seus comerciantes, fez com que brevemente nenhum terceirense porá os pés na “América”, eliminando por completo o pouco que os americanos proporcionavam à população. A raiz do problema não está na “invasão” dos produtos americanos em solo terceirense. O problema reside na falta de dinamismo e criatividade do tecido empresarial terceirense ligado à comercialização de bens e produtos. Oferecer descontos e brindes de Natal atrairá as pessoas para fazer compras no centro de Angra? É essa a estratégia? Para o ano, já que a Base deixará de incomodar, será a vez das lojas chinesas serem o próximo bode expiatório para problema da crise do comércio dito tradicional.

Entretanto, em Ponta Delgada, abrirá o terceiro centro comercial. Todos os caminhos vão dar PDL. Pois é, quando uma cidade se torna cosmopolita, até o seu nome muda.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Há quem lhe possa chamar de demagogo

mas nesta altura de grande crise, os magnatas americanos da banca e da indústria automóvel levam na cabeça como nunca levaram.
Obama entra a matar e o povo agradece.
."C'est un problème chronique, pas simplement dans l'industrie automobile (...) (mais) chez les capitaines d'industrie en général", a-t-il estimé."Quand des gens touchent des centaines de millions de dollars de bonus à Wall Street et prennent d'énormes risques avec l'argent des autres, cela montre qu'(ils) n'ont aucune idée de ce que vivent les Américains ordinaires".Et quand les "fabricants automobiles (américains) sont payés bien plus que leurs homologues (japonais) de chez Toyota ou Honda, et que pourtant ils perdent de l'argent bien plus rapidement que les constructeurs japonais, cela m'indique qu'ils ne voient pas ce qui se passe".
Ver o resto aqui.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Eu não vos disse...

... que este país era uma merda?

Pois, não disse. Só me lembrei agora.

sábado, novembro 22, 2008

Erro de Sistema - RDP Açores


Tenho a honra de participar no novo programa de rádio da RDP Açores.


Aos Sábados, a partir das 15H20.


Em breve, o blogue terá as gravações para quem não pode ouvir à hora marcada.
Por enquanto, ouvir aqui.

sexta-feira, novembro 21, 2008

A Portas o que é de Portas

Conferência de imprensa do CDS/PP, 19 de Novembro
Compare-se agora:
Resultados do Conselho de Ministros, 20 de Novembro

quarta-feira, novembro 19, 2008

Oposição? Na Terceira?

Se o problema fosse só a falta da água...

O luto provocado pela eleições regionais acabou. Era bom que a oposição se revitalizasse e inovasse.
Próximo objectivo político: Autárquicas 2009!

A ironia manuelista


Quando não fala é porque não sabe como fazer diferente. Quando fala não acerta ou desconcerta.
Não me posso rever nessa liderança.

domingo, novembro 16, 2008

A avaliação aos professores


O português tem algo de muito particular que o caracteriza e o distingue de outros povos: costuma deixar para amanhã o que pode fazer hoje. Como tenho orgulho naquilo que sou, junto-me à tribo e à fatalidade lusitana; como o meu dia de amanhã já está cheio de afazeres, adio para o dia seguinte e assim sucessivamente. Vem isto a propósito da grande polémica dos últimos dias acerca da contestação dos professores relativamente ao modelo de avaliação imposto pelo Ministério da Educação e também por causa do modelo muito silencioso da Secretaria Regional da Educação.

O primeiro enche os telejornais do continente, do segundo ninguém fala mas o incómodo aumenta a cada dia que passa, pois este ano é para valer. Os professores portugueses adiaram um mal até não conseguir mais e chegamos a este ano lectivo, o tal ano sine die. Algumas escolas açorianas reúnem agora os seus professores para discutir o modelo de avaliação e a sua operacionalidade. Alguns professores irão provavelmente olhar para os formulários pela primeira vez, tentando interpretar aquilo como se de uma poesia se tratasse. Tudo em cima da hora, aumentando assim o stress e criando as verdadeiras dúvidas sobre o tipo de avaliação que se pretende para os professores das escolas açorianas.



Todo o modelo de avaliação foi bastante discutido entre a Secretaria e os sindicatos no ano passado, mas muitos professores alhearam-se da discussão, apesar de serem os primeiros interessados nela. E, perante o resultado final das negociações e toda a expectativa criada à volta, parece que o conceito de avaliação de professor está profundamente errado.


Presentemente, para grande parte dos professores, a avaliação corresponde a um processo judicial em que cada professor tem de reunir provas que justifiquem o seu trabalho. Nada de mais errado, nada de mais injusto. Uma avaliação com este conceito, ou pelo menos que instrumentalmente indicie esta ideia, é insustentável. A avaliação dos professores, tal como as outras para outros funcionários, não deve causar tanto incómodo, nem tanto receio aos avaliados. Ela serve não só para promover quem o merece como também para corrigir quem não procede da melhor forma. A avaliação é de facto formativa. Se a teoria pretende esta política construtiva, a prática e a interpretação do modelo por parte de algumas escolas levam a crer o oposto. Algumas escolas consideram que é preciso voltar aos tempos dos estágios integrados em que tudo deva ser documentado, relatado, analisado, transformando a vida dos professores num inferno burocrático. A principal missão dos professores que é a de ensinar fica inviabilizada: doravante, os professores trabalharão só para si; os alunos ficarão para depois. Melhorar a forma como se ensina? O que interessa é fazer os relatórios mais pomposos e pesados em número de folhas. Culpar somente o Ministério ou a Secretaria da tutela não será, porém, correcto: os conselhos executivos e os professores têm a sua cota de responsabilidade. O medo leva-os a afogarem-se em papelada. A autonomia das escolas permite que algumas escolas torturem os seus professores, levando-os até à exaustão.


Nunca a educação foi tão importante como nos nossos tempos, mas nunca o professor foi tão enlameado como o é agora. No entanto, exigir a suspensão da avaliação? Nem pensar!


É preciso continuar e ver no que dá. No final deste ano, a nova Secretaria da Educação e as escolas deverão proceder a um balanço da avaliação realizada, corrigindo o que correu mal e eliminando o supérfluo. No caso de se verificar demasiadas anomalias, altera-se completamente o modelo. Os professores merecem e querem ser avaliados, não como réus, mas sim enquanto professores.

domingo, novembro 09, 2008

Na minha biblioteca


O pior dos de José Rodrigues dos Santos. Mesmo assim, um romance por ano, com esta qualidade, é excepcional.

O socialismo cliché


Com tanta euforia em terras americanas, bem sei que apetece fugir para lá, mas voltemos ao nosso país, voltemos à nossa realidade. Voltemos às discussões dos nossos governantes sobre a crise, sobre o estado da nossa Nação, sobre o próximo Orçamento de Estado que definirá o rumo do dinheiro dos contribuintes. Mesmo que essa discussão - protagonizada por políticos portugueses de fraca oratória comparada com a excelência da dos políticos americanos - pareça pobre, ela acaba por influenciar a nossa vida. A oposição encontra defeitos, erros, omissões e algumas maldades intencionais colocadas sub-repticiamente em alíneas de decretos, mas é logo a seguir arrasada por um governo e um Partido Socialista prepotentes, arrogantes que estão apoiados em quase toda a linha pela Comunicação Social.



Esta última optou por defender que a oposição não presta, queimando deste modo os líderes, nomeadamente os da Direita. Por um lado, é verdade, pois a renovação de uma liderança é um elemento fundamental para a própria renovação ideológica e discursiva de um partido. E, de facto, a oposição que temos, salvo raras excepções, tem pautado por um discurso previsível e a reboque das manchetes dos jornais. Porém, as críticas certeiras que têm sido feitas ao governo de José Sócrates têm estimulado o lado demagógico do Partido Socialista, com os respectivos clichés que a Esquerda tanto gosta de se apropriar.



Entre vários, o primeiro tem que ver com a questão da criminalidade. Em 2006, o jornal Correio da Manhã noticiava em primeira página que os “Imigrantes Enchem as Prisões”. Por lapso, pois não se lhe reconhece associação com a extrema-direita, o diário em questão confundiu estrangeiros com imigrantes, O governo tratou logo de emitir um comunicado a corrigir o erro. Contudo, no final do documento, lá vinha a questão politicamente correcta que lamentava a tendência xenófoba em relacionar criminalidade e imigração. Na verdade, o governo, incapaz de antecipar o que viria acontecer, não explicara a razão pelo facto de Portugal se transformar num local propício à estadia de estrangeiros com graves antecedentes e intenções criminais. O Verão de 2008 tratou de provar que a criminalidade violenta aumentou significativamente e o tipo de crimes inovadores, como os assaltos a bancos, a carrinhas de transporte de valores ou o carjaking, comprovou a influência estrangeira no modus operandi. É óbvio que esta discussão é delicada, melindrosa porque ao falar-se disso não há a mínima intenção de apelar ao ódio racial, é óbvio que boa parte da explicação a esta vaga de insegurança tem por base a degradação das condições sociais dos cidadãos, reflexo da crise porém, não se pode negar que há um número elevado de estrangeiros (e também imigrantes) associados a ela. Quando na sequência, o deputado Paulo Portas sugeriu restrições à imigração e expulsão de imigrantes condenados pela prática de crimes, infelizmente, lá veio outra vez o discurso moral-esquerdista acusando a Direita de ser xenófoba.



Este tipo de polémica teve recentemente um novo desenvolvimento com a entrevista de Manuela Ferreira Leite acerca das futuras obras do regime. Quando disse que esses empreendimentos favoreciam o emprego de Cabo Verde e de Ucrânia e não de Portugal, lá tivemos outra vez os socialistas, pela voz de José Sócrates, a entoar o discurso moral-populista que defende a não distinção entre o trabalhador português e o imigrante. Mais uma vez, a Direita é, alegadamente, xenófoba. Mas a resposta dada por Manuela Ferreira Leite era mais profunda. No estrangeiro, os portugueses têm vencido trabalhando essencialmente na construção civil, mas em casa parece que já não vale o sacrifício. A construção civil em Portugal continua a viver no passado da mão-de-obra barata, desqualificada e explorada, fazendo com que os portugueses prefiram viver de “rendas” sociais do que sujando as mãos na massa. Os clichés não se ficam só pelo discurso de “todos racistas menos nós”. Eles abundam noutras áreas da vida pública.



No domínio da Educação, o socialismo também tem as suas predilecções. Anda-se a falar nas hipóteses de alargar o ensino obrigatório até ao 12º e de abolir as retenções em todo o ensino básico. No segundo caso, justifica-se com a ladainha da ineficácia dos chumbos, mas não se explica como o passar toda gente, mesmo aqueles que não sabem, pode melhorar a educação. O primeiro caso só se justificaria se o actual sistema fosse altamente bem sucedido. Que se saiba não. O actual sistema de ensino obrigatório e gratuito ainda fica muito caro às famílias portuguesas.



Esta enumeração de clichés socialista tem um aspecto em comum: a desresponsabilização individual. Uma sociedade que não equilibre correctamente a balança entre os Direitos e Deveres não pode estranhar tanta injustiça e impunidade.

Piada suave

Com base em filmes como "Armagedon" ou séries como "24", a eleição de Barack Obama só vem mostrar que o mundo está perto de uma calamidade. Há quem diga que um meteorito gigantesco se encontra a caminho da Terra...


PS - As lojas chinesas estão a fazer promoções nos produtos de Natal.

domingo, novembro 02, 2008

O princípio do fim do Ocidente?


Ao observar a crescente preocupação dos políticos das nações mais desenvolvidas perante uma crise com um desfecho improvável e ao ouvir a satisfação daqueles que proclamam “eu bem vos disse” relativamente ao suposto fracasso do capitalismo, defendendo o regresso do socialismo puro e duro, mais vale desligar a televisão e rasgar os jornais: os arquivos das bibliotecas públicas darão a verdadeira resposta sobre o que efectivamente se passa no mundo de hoje.


Com base na queda do muro de Berlim, em 1989, Francis Fukuyama, filósofo americano, escreveu o Fim da História, proclamando o fim do conflito de ideologias, graças à vitória da democracia enquanto regime político universal. Contudo, mais de um século antes, o historiador inglês, Arnold Toynbee, defendeu que o fim da história aparece pelo menos uma vez em cada civilização. Isto significa que quando uma civilização atinge a universalidade, o seu povo atinge a “miragem da imortalidade”. Por outras palavras, esta tese sustenta que quando uma sociedade defende que a sua história chegou ao fim é, normalmente, uma sociedade cuja história está próxima do declínio.


A civilização ocidental poderá ser diferente das outras civilizações na medida em que a sua influência no mundo é muito mais vasta e a mais cobiçada de todas. No entanto, esta razão não é suficiente para que se defenda que o Ocidente ultrapasse facilmente a crise actual ou que continue a dominar o mundo no futuro. Aliás, o ressurgimento islâmico e o dinamismo económico da Ásia são a prova de que as outras civilizações estão bem activas. A China está a atravessar a maior e mais rápida ascensão ao poder mundial que qualquer país atravessou – nem mesmo os Estados Unidos.


Caroll Quigley, outro historiador americano, fez a descrição dos sintomas que indiciam o fim de uma civilização. Segundo o referido autor, é um período “de grave depressão económica, diminuição dos níveis de vida, guerras civis ente os diferentes grupos de interesse e crescente aumento da iliteracia. A sociedade torna-se cada vez mais fraca. Para este processo de desgaste, legisla-se em vão. Mas o declínio continua. Os diferentes níveis religiosos, intelectuais, sociais e políticos de sociedade começam a perder em grande escala a confiança da população. Começam a alastrar na sociedade novos movimentos religiosos. Há uma crescente relutância em lutar pela sociedade, ou mesmo apoiá-la, pagando os impostos.” Esta transcrição bastante inquietante, por ser o espelho do que actualmente se passa, foi escrita em 1961 – se ainda não há registo de guerras civis é porque as consequências da crise ainda não chegaram maciçamente às pessoas. O Ocidente encontra-se mais do que nunca fragilizado e incapaz de se defender perante uma possível ameaça externa. Este bem pode ser o momento ideal para despoletar atentados terroristas de larga escala, como para permitir que nações de outros continentes possam aproveitar-se dessa fragilidade para dar azo às suas ambições imperialistas. Apesar do crescimento da economia do Ocidente estagnar e do crescimento demográfico ser negativo, o autor considera que o declínio moral e a desunião política são os problemas mais importantes e reveladores da tal decadência civilizacional.




A história das civilizações indica que tudo é possível, mas mostra também que elas podem renovar-se. Será o Ocidente capaz de travar ou inverter este processo interno de decadência?



O resultado das próximas eleições americanas ditará o futuro do Ocidente. Para impedir que a nossa civilização seja apagada por outras, há dois factores a ter em conta: primeiro, a Europa e os Estados Unidos têm de actuar em conjunto e ter uma maior integração e coordenação ao nível político, económico e militar. Segundo, por ter sido até agora a causa da instabilidade e de potencial conflito global, será preciso limitar a intervenção ocidental nos assuntos de outras civilizações.